Câmbio abre quinta em leve alta, refletindo decisão de juros do Copom
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,66 (+0,2%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 104,0 pontos (+0,6%)
O mercado de divisas deve refletir a decisão da véspera do Comitê de Política Monetária (Copom), que aumentou a taxa básica de juros (Selic) em 1,00 p.p. e sinalizou novo aumento para a decisão de maio.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – 08h00min.
• Decisão de juros do Banco da Inglaterra (BoE) – 09h00min.
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 09h30min.
• Entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – 16h30min.
Copom mais firme A taxa de câmbio do real operava em leve alta nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,66 (10h15min). No Brasil, a atenção dos investidores recai sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), divulgada ontem após o fechamento do mercado. Em decisão unânime, o Comitê optou por elevar a taxa básica de juros (Selic) de 13,25% ao ano para 14,25% ao ano, em linha com as expectativas de analistas, e sinalizou um novo reajuste, de menor magnitude, para a reunião de maio, embora sem indicar seu tamanho ou indicativos para as etapas subsequentes. De acordo com o colegiado, a continuidade do ciclo de alta se justifica “diante da persistência de um cenário adverso para a convergência da inflação, da elevada incerteza e das defasagens inerentes ao atual ciclo de aperto monetário”. O comunicado oficial voltou a mencionar que os indicadores recentes de atividade econômica e do mercado de trabalho ainda indicam dinamismo, “embora alguns sinais apontem para uma moderação incipiente do crescimento”. A posição mais firme do Copom, sobretudo ao mencionar a possibilidade de outro aumento em maio, o qual, por sua vez, “será guiado pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”, reforça a perspectiva de um maior diferencial de juros do país, o que tende a sustentar o valor do real.
Aversão ao risco global No exterior, as primeiras movimentações nos mercados financeiros globais desta quinta-feira apontam para uma possível reversão do otimismo observado na véspera, após a decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed). Ontem, imediatamente após o anúncio, prevaleceu uma percepção mais favorável sobre a postura do Fed, sobretudo diante da manutenção da expectativa de dois cortes na taxa de juros em 2025 e 2026, conforme indicado no gráfico de dispersão de pontos (“dot plot”). Contribuiu para esse sentimento também o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, que classificou como possivelmente transitórios os efeitos inflacionários das novas tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump. Na manhã de hoje, contudo, o cenário parece ter se modificado, possivelmente em razão de uma maior ênfase dos investidores nos aspectos menos positivos da decisão do FOMC. Entre eles, destaca-se a redução da projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% para 1,7% em 2025 e o aumento ligeiro da taxa de desemprego ao final deste mesmo período. O sentimento mais cauteloso pode ter sido reforçado, ainda, por novas declarações da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, que voltou a alertar sobre a possibilidade de desaceleração econômica e elevação da inflação na zona do euro em decorrência da intensificação de conflitos comerciais. Em meio à maior aversão ao risco global, o desempenho de ativos considerados mais arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes, a exemplo do real, podem ser prejudicados no pregão.
Falas de Haddad Adicionalmente, investidores devem repercutir falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que concede duas entrevistas nesta quinta-feira. Agentes do mercado financeiro monitoram o cenário fiscal brasileiro com atenção o governo federal ter enviado na terça-feira (18) um projeto de lei que busca ampliar a isenção do Imposto de Renda no Brasil para rendimentos de até R$ 5 mil mensais e que busca compensar perdas de arrecadação federal estimadas em R$ 27 bilhões através de um imposto mínimo efetivo sobre rendimentos mensais maiores que R$ 50 mil e da taxação de remessas de lucros, juros e dividendos remetidos ao exterior. Adicionalmente, os investidores aguardam pela apreciação de hoje do Orçamento de 2025 na Comissão de Mista do Orçamento do Congresso, com expectativa de votação em Plenário na sequência.
Novo leilão do BC Vale mencionar, também, que o Banco Central fará mais dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra (leilões de linha), cada um com oferta de US$ 1 bilhão, um com data de recompra em 04 de agosto e outro em 03 de setembro, tal como feito ontem. Estas operações estão sendo realizadas para “rolar” outras operação de linha feitas no ano passado: os leilões de ontem foram feitos para substituir a operação de linha feita em 13 de novembro com data de recompra em 02 de abril, enquanto a de hoje substituirá a operação feita em 12 de dezembro e com data de recompra também em 02 de abril. Com estes leilões, o Banco Central busca garantir liquidez ao mercado de moedas e evitar que uma demanda adicional por dólares em 02 de abril pressione a taxa de câmbio nessa data.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




