Câmbio abre a quinta em alta, refletindo tarifas de Trump, IPCA-15 e Relatório de Política Monetária
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,76 (+0,5%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 104,3 pontos (-0,3%)
Em dia de agenda cheia, o mercado de divisas deve repercutir as divulgações do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – 15 (IPCA-15) de março e do Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central, no Brasil, enquanto, no exterior, as atenções se dividem entre a publicação da leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos referente ao quarto trimestre de 2025 e o anúncio de ontem de imposição de tarifas de 25% sobre todos os veículos importados pelos EUA.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central (BC) – 08h00min.
• Índice Nacional de Preços ao Consumidor – 15 (IPCA-15) de março (IBGE) – 09h00min.
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 09h30min.
• Terceira leitura do Produto Interno Bruto dos EUA do quarto trimestre de 2025 (BEA) – 09h30min.
• Palestra do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo – 11h00min.
• Palestra do diretor de Política Econômica do Banco Central – Diogo Guillen – 11h00min.
• Resultado Primário do Governo Central de fevereiro (STN) – 14h30min.
Insegurança e preocupação com os EUA A taxa de câmbio do real apresentava tendência de elevação nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,76 (10h05min). O cenário externo é novamente de cautela e aversão ao risco por conta das incertezas em relação às políticas tarifárias dos Estados Unidos e receios de que elas prejudiquem o dinamismo do país. O presidente americano, Donald Trump, anunciou inesperadamente ontem tarifas de importação de 25% sobre todos os veículos importados pelos EUA a partir de 03 de abril, bem como peças e componentes de automóveis a partir de 03 de maio. Investidores temem que essas tarifas, assim como as “tarifas de reciprocidade” prometidas para o dia 02 de abril, possam prejudicar o crescimento econômico americano e levar a retaliações de seus parceiros comerciais, uma espécie de “guerra tarifária” global. Durante o anúncio, Trump prometeu que essas tarifas serão permanentes, e que essas tarifas serão somadas a quaisquer outras tarifas que estejam em vigor. Nesse sentido, investidores também observam a terceira e última leitura do PIB americano para o quarto trimestre de 2024, que subiu discretamente sua taxa de expansão para 2,4% ante 2,3% na segunda estimativa, mas que perde importância ao refletir um cenário econômico que já se modificou substancialmente nos três primeiros meses de 2025. Esse ambiente de incertezas estimula uma postura de cautela por investidores, o que tende a prejudicar o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real.
Inflação no Brasil No mercado doméstico, o foco deve recair sobre a inflação, com destaque para a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – 15 (IPCA-15) de março, que apresentou aceleração de 0,64% no índice cheio, pouco abaixo da projeção mediana de 0,70%. Em fevereiro, vale lembrar, o IPCA-15 havia registrado alta de 1,23%, seu maior valor desde abril de 2022. Já o núcleo do indicador, que exclui componentes voláteis de alimentação e energia, mostrou aceleração de 0,40%, frente à alta de 0,65% em fevereiro. Embora o IPCA-15 tenha ficado abaixo da mediana das estimativas e abaixo do índice de fevereiro, o acumulado em 12 meses permanece acima de 5% (5,26% em março) e, portanto, distante do teto da meta de inflação de 4,5% do Banco Central (BC). Nesse contexto, ganha relevância também o Relatório de Política Monetária (RPM) do BC, que substitui o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) e fornece a análise mais abrangente sobre o cenário de política monetária observado pelo órgão. No documento, chamou a atenção dos investidores que a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta em 2025 passou para 70%, avanço em relação aos 50% estabelecido na estimativa de dezembro. Para 2026, essa probabilidade passou de 26% para 28%. Outro dado importante, que reforça o quadro desafiador para o Banco Central, é a revisão para baixo na projeção de crescimento do PIB em 2025, de 2,1% para 1,9%, refletindo “sinais incipientes” de desaceleração econômica. Em conjunto, essas informações sinalizam um cenário de pressões significativas para o BC ao longo do ano, particularmente quanto ao seu objetivo de estabilização de preços. Dessa forma, eleva-se a probabilidade de elevações adicionais na taxa básica de juros (Selic), o que tende a favorecer a atratividade dos títulos brasileiros, estimulando a entrada de capitais estrangeiros e fortalecendo o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




