Câmbio abre a quinta em forte queda, repercutindo anúncio de tarifas de importação nos EUA
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,61 (-1,5%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 101,4 pontos (-2,2%)
O mercado de divisas deve repercutir o cenário de forte aversão global a riscos após o “choque tarifário” anunciado pelos EUA ontem depois do fechamento dos mercados. Por outro lado, os ativos brasileiros podem ser beneficiados por conta de o Brasil ter sido incluído na faixa mínima de sobretaxa 10%, bastante inferior a pares asiáticos, europeus e africanos.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 09h30min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) de serviços e composto no Brasil de março (S&P Global) – 10h00min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) de serviços e composto dos EUA de março (S&P Global) – 10h45min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) de serviços dos EUA de março (ISM) – 11h00min.
• Palestra do vice-presidente do Federal Reserve, Phillip Jefferson – 13h30min.
• Palestra da membra do conselho de governadores do Federal Reserve, Lisa Cook – 15h30min.
“Choque tarifário” A taxa de câmbio do real apresentava forte tendência de queda nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,61 (10h25min), mesmo diante de um cenário de forte aversão global a riscos após o anúncio de tarifas de importação pela Casa Branca na noite de ontem. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma sobretaxa mínima de 10% sobre quase todas as importações globais pelos EUA, que entrarão em vigor no sábado (05), bem como “tarifas de reciprocidade” mais elevadas para uma lista de 57 países, que entrarão em vigor na próxima quarta (09) – uma sobretaxa média de 29,2%, com mínimo de 11% (República Democrática do Congo) a um máximo de 50% (Lesoto). Há algumas poucas exceções, como importações do Canadá e do México, importações de produtos energéticos e minerais e importações de segmentos já afetados por tarifas, como aço, alumínio e produtos automotivos. Essa intensificação significativa e prolongada das barreiras comerciais dos EUA resulta em um expressivo enfraquecimento global do dólar, com forte valorização de ativos considerados “portos seguros” para momentos de estresse e incerteza, como o euro, o iene japonês e o franco suíço. Tipicamente, uma elevação da aversão ao risco tende a prejudicar ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de economias emergentes, como o real.
Rali das moedas latino-americanas Contudo, a taxa de câmbio do real apresenta movimento inverso ao esperado, fortalecendo-se expressivamente na sessão juntamente com pares latino-americanos, como o peso colombiano e o peso chileno. A provável explicação desse movimento é que a maior parte desses países ficou sujeito à tarifa de importação global de 10% e, dessa forma, tendem a ser menos prejudicadas que outras economias emergentes países, como o do leste asiático e africanos. Por conta dessa “vantagem comparativa”, pode-se esperar que as exportações da América Latina sejam favorecidas pelo “choque tarifário” americano, o que tende, no futuro, a ampliar a entrada de divisas e, assim, fortalecer as moedas de suas economias.
PMI de serviços nos EUA Na agenda de indicadores, o destaque da sessão deve ser a divulgação do Índice de Gerentes de Compras (PMI) de serviços dos Estados Unidos referente a março, elaborado pelo ISM. A mediana das estimativas aponta para uma leve desaceleração no componente mais acompanhado do indicador, que deve recuar de 53,5% em fevereiro para aproximadamente 53% em março. Tanto esse índice quanto os demais componentes da pesquisa devem contribuir para o ajuste das expectativas em relação ao desempenho da economia norte-americana, podendo também sinalizar eventuais impactos do ambiente de elevada incerteza sobre a atividade produtiva e o mercado de trabalho. Caso a projeção se confirme, este será o nono mês consecutivo em que o indicador permanece acima da marca dos 50 pontos, sinalizando expansão no setor de serviços. No entanto, eventuais desacelerações mais acentuadas do que o esperado podem influenciar negativamente a percepção sobre as perspectivas da economia no país. A tendência recente dos dados tem sido de moderação no ritmo de crescimento do país, o que vem fortalecendo as apostas por cortes nas taxas de juros por parte do Federal Reserve e contribuindo para a desvalorização global do dólar — movimento que tende a favorecer o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




