Câmbio começa a sexta em forte alta, refletindo temores de uma guerra tarifária global
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,75 (+2,1%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 102,2 pontos (+0,2%)
O mercado de divisas deve repercutir as preocupações de uma recessão econômica global após a China anunciar uma retaliação aos impostos de importação que serão aplicados pelos EUA, bem como à divulgação de dados para o mercado de trabalho americano e a falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Relatório de situação de emprego dos EUA de março (BLS) – 09h30min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 12h25min.
• Palestra do membro do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Michael Barr – 13h00min.
• Palestra de membro do conselho de governadores do Federal Reserve, Christopher Waller – 13h45min.
• Balança comercial de março (Secex) – 15h00min.
China impõe tarifas aos EUA A taxa de câmbio do real apresentava forte tendência de alta nas primeiras negociações desta sexta-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,75 (10h30min). Na manhã de hoje, os temores de uma escalada do conflito comercial se intensificaram após o anúncio, por parte da China, da imposição de tarifas retaliatórias de 34% sobre todos os produtos originários dos Estados Unidos, com vigência a partir de 10 de abril. A medida foi uma resposta direta à decisão do governo norte-americano de adotar tarifas de “reciprocidade”, no dia 2 de abril, impondo uma sobretaxa de 34% a todas as importações provenientes da China, que se somam às tarifas previamente instituídas de 20% sobre produtos chineses. O Ministério das Finanças da China divulgou nota oficial afirmando que “a ação dos Estados Unidos não está em conformidade com as regras do comércio internacional, compromete gravemente os direitos e interesses legítimos e legais da China e constitui um exemplo típico de intimidação unilateral”. A intensificação das barreiras comerciais entre as duas maiores economias do mundo amplia os receios de desaceleração da atividade econômica global. Esse cenário, por sua vez, favorece ativos tradicionalmente considerados “portos seguros” em momentos de estresse e incerteza, como o euro, o iene japonês e o franco suíço. Tipicamente, a elevação da aversão ao risco afeta negativamente os ativos mais sensíveis, como ações, commodities e moedas de economias emergentes, caso do real brasileiro.
“Payroll” melhor do que o esperado Adicionalmente, os investidores acompanham com atenção a divulgação do Relatório de Emprego (“payroll”) nos Estados Unidos, que indicou a criação líquida de 228 mil novas vagas de trabalho em março, superando a mediana das estimativas de 137 mil vagas. Em contrapartida, a taxa de desemprego subiu de 4,1% em fevereiro para 4,2% em março, em linha com as projeções medianas. O resultado atenua os temores de que os dados pudessem reforçar a percepção de uma desaceleração mais acentuada do que o esperado no mercado de trabalho norte-americano, o que alimentaria as preocupações quanto à possibilidade de recessão no país ao longo do ano. Nesse contexto, o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, hoje, deve ser monitorado atentamente pelos agentes financeiros. A expectativa é de que sua fala traga pistas sobre a forma como a autoridade monetária interpreta a evolução dos principais indicadores econômicos, oferecendo indícios sobre os próximos passos da política monetária e como pode se posicionar diante da imposição de tarifas comerciais pelo governo Trump. Caso o pronunciamento de Powell e os dados futuros reforcem a hipótese de arrefecimento da economia norte-americana, devem crescer as apostas para novos cortes nos juros americanos, o que tende a exercer pressão de desvalorização sobre o dólar em âmbito global.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




