Câmbio abre a quarta em alta, refletindo receios de recessão econômica global
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,05 (0,9%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 102,1 pontos (-0,8%)
O mercado de câmbio deve repercutir a rápida escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, em meio a uma troca de retaliações consecutivas de tarifas de importações entre os países, com as sobretaxas americanas atingindo 104% hoje e as chinesas 84% amanhã.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice de Preços ao Produtor (IPP) de fevereiro (IBGE) – 09h00min.
• Pesquisa Mensal de Comércio de fevereiro (IBGE) – 09h00min.
• Índice de Commodities Brasil (IC-Br) de março (BC) – 14h30min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Richmond, Tom Barkin – 13h30min.
• Estatísticas monetária e de crédito de fevereiro (BC) – 14h30min.
• Ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) – 15h00min.
Escalada do conflito comercial A taxa de câmbio do real apresentava tendência de alta nas primeiras operações da sessão de hoje, quando era negociada ao redor de R$ 6,05 (10h20). O foco dos investidores permanece nos desdobramentos do conflito comercial entre Estados Unidos e China, após a Casa Branca confirmar, na última terça-feira (08), a elevação das tarifas sobre produtos importados do país para 104% (50% adicionais em relação às previamente anunciadas). Nesta madrugada, o governo chinês anunciou uma resposta dura, impondo tarifas de 84% sobre bens norte-americanos, com vigência a partir de amanhã (10). Esses anúncios configuram uma escalada expressiva do conflito e intensificam o receio de que as barreiras comerciais impostas pelos EUA se prolonguem, mesmo diante de críticas de diversos setores da sociedade e, sobretudo, da resposta negativa dos mercados financeiros. Cabe ressaltar, a partir de hoje, entram em vigor as taxações adicionais sobre a lista de 57 países que foram enquadrados acima da tarifa mínima de 10%. Diante disso, os investidores devem acompanhar atentamente os novos desdobramentos, principalmente eventuais negociações que possam mitigar os efeitos tarifários por parte dos Estados Unidos. Por ora, persistem os temores de uma escalada global do conflito comercial, o que impulsiona o desempenho de ativos considerados “portos seguros” em cenários de incerteza e volatilidade, como o euro, o iene japonês e o franco suíço, enfraquecendo, por consequência, o real.
Ata do Fed Adicionalmente, nesse contexto, investidores devem observar atentamente a divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), buscando indícios sobre como o banco central americano pode agir após a intensificação das barreiras comerciais pelo governo americano. Em comentários na sexta passada (04), o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a imprevisibilidade do ambiente econômico se elevou e alertou para riscos maiores tanto de uma inflação mais persistente quanto de um crescimento mais fraco nos EUA. Esses riscos desafiam a condução da política monetária americana, visto que exigem medidas opostas para seu enfrentamento, ou seja, um banco central costuma aumentar seus juros para conter pressões inflacionárias enquanto costuma reduzir seus juros para estimular uma economia em desaceleração. Na prática, em suas próximas decisões, o Federal Reserve precisará avaliar qual dos riscos é maior ou mais urgente para decidir como proceder. Por um lado, o mercado de trabalho americano continua apresentando resiliência e dinamismo, com taxa de desemprego baixa para os padrões históricos, enquanto o país vem de um histórico recente de inflação persistente e generalizada, sem recuperar totalmente a estabilidade de preços. Por outro, investidores mostram-se bastante pessimistas e preocupados com a possibilidade de uma recessão econômica no país, aumentando suas apostas para quatro cortes de juros em 2025 após o anúncio de tarifas por Trump. Isto, por sua vez, reduz a rentabilidade esperada dos títulos americanos e tende a enfraquecer o dólar globalmente frente a outras moedas, como o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




