Câmbio abre a quinta em queda, refletindo tensões comerciais globais e expectativa por falas de diretores do BC
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,67 (-0,8%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 99,3 pontos (-0,4%)
O mercado de divisas deve refletir o aumento da cautela nos mercados internacionais, após o governo chinês negar estar em tratativas com os Estados Unidos para a redução de tarifas comerciais mútuas. A negativa frustra as expectativas dos investidores e reforça a percepção de que uma desescalada significativa do conflito comercial no curto prazo pode ser mais difícil do que sugerido anteriormente pelo presidente dos EUA, Donald Trump. No cenário doméstico, as atenções se voltam para falas de diretores do Banco Central, na expectativa de que forneçam sinalizações sobre os próximos passos da política monetária.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Sondagem de consumidor de abril (FGV) – 08h00min.
• Encomendas de bens duráveis dos EUA de março (Census) – 09h30min.
• Índice regional de atividade do Federal Reserve de Chicago – 09h30min.
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 09h30min.
• Palestra do diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen – 11h30min.
• Índice de manufatura do Federal Reserve de Kansas City de abril – 12h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari – 18h00min.
Incertezas no conflito EUA - China O dólar opera em queda frente ao real nas primeiras negociações desta quinta-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,67 (10h15min). Esse movimento reflete a dinâmica do mercado externo, onde a moeda americana se desvaloriza nesta manhã, em meio ao aumento das incertezas quanto à evolução do conflito comercial entre Estados Unidos e China. Durante a madrugada, o governo chinês negou estar negociando qualquer redução tarifária com os Estados Unidos, frustrando as expectativas dos investidores de que o recente tom mais conciliador do presidente norte-americano, Donald Trump, pudesse sinalizar uma fase de distensão nas relações bilaterais. Embora analistas reconheçam que ambas as potências possuam interesse em retomar o diálogo, o grau de complexidade das demandas em jogo, bem como a magnitude das tarifas em vigor — como os 145% adicionais impostos pelos EUA sobre diversos bens chineses e os 125% de retaliação aplicados por Pequim —, dificultam a construção de um acordo sustentável no curto prazo. A escalada recente do conflito se intensificou diante da percepção, por parte de Washington, de que a China representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos EUA, especialmente no campo das ambições tecnológicas. A elevação da incerteza, nesse sentido, tem produzido efeitos contraditórios sobre a taxa de câmbio do real. Por um lado, a desvalorização global do dólar, observada nesta manhã, favorece seus pares, impulsionando a apreciação do real. Por outro, a intensificação da aversão ao risco em nível global tende a deslocar fluxos para ativos considerados "porto-seguros", como o iene e os títulos do Tesouro americano, penalizando ativos mais arriscados, incluindo o real.
Falas de diretores do BC Nesta sessão, os investidores também devem acompanhar possíveis sinalizações sobre os rumos da política monetária brasileira, em meio a falas de diretores do Banco Central ao longo do dia. Ontem, em evento, o diretor de Política Monetária da autarquia, Nilton David, expressou ceticismo em relação ao uso do forward guidance como instrumento de comunicação. Segundo suas palavras, “para mim, o forward guidance não é natural, a não ser que você saiba que está muito longe [do ponto de equilíbrio]”. O diretor, nesse sentido, não antecipou detalhes sobre a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 8 de maio, embora o comunicado da reunião anterior tenha indicado a expectativa de um novo ajuste, inferior ao aumento de 1 ponto percentual promovido na última ocasião. Nilton David também afirmou que a atividade econômica e o crédito foram impulsionados, nos últimos anos, por “eventos únicos”, mas que atualmente a economia parece ter atingido um platô, o que pode sinalizar espaço para a moderação no ritmo de aperto monetário. Caso reforcem a perspectiva de menor intensidade nas elevações futuras da taxa Selic, as declarações dos dirigentes podem exercer pressão sobre ativos domésticos, como o real, ao reduzirem o diferencial de juros esperado pelos investidores.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





