Câmbio deve refletir incertezas com cenário fiscal no Brasil
Cotações às 10h25min:
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,74 (+1,4%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 99,7 pontos (-0,5%)
O mercado de divisas deve repercutir o recuo parcial do ministério da Fazenda com relação ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), após reação negativa dos investidores na véspera. Nesse âmbito, o foco da sessão deve recair sobre falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – 08h15min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Saint Louis, Alberto Musalem – 09h30min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Kansas City, Jeffrey Schmid – 09h30min.
• Palestra do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo – 14h00min.
• Palestra do diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos do Banco Central, Paulo Picchetti – 16h30min.
• Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 17h00min.
Comunicação confusa do governo federal em relação à alta do IOF impacta credibilidade da política fiscal brasileira
Por que isso é importante: A condução da política fiscal do governo federal é encarada com ceticismo e pessimismo pelos investidores, tendo gerado forte movimento de desvalorização do real ao longo de 2024. Novas notícias com relação ao tópico, ontem, reforçaram que essas preocupações mantêm seu potencial de provocar oscilações bruscas nos mercados financeiros brasileiros.
Panorama geral: Ontem, a taxa de câmbio do real oscilou amplamente frente a informações incompletas e desencontradas sobre medidas para a área fiscal do governo.
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Inicialmente, a notícia de que o governo brasileiro faria um congelamento de despesas maior que o inicialmente estimado gerou otimismo e impulsionou uma queda da taxa de câmbio.
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Porém, o vazamento da informação de que o governo aumentaria o Imposto sobre Operação Financeiras (IOF), sem maiores detalhes, gerou forte estresse entre os operadores do mercado financeiro e levou a receios de que as operações de câmbio pudessem ser afetadas.
Às pressas: A informação de que o governo elevaria o IOF foi antecipada em evento pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, antes da divulgação de relatório sobre receitas e despesas primárias.
- Após a informação circular, a equipe econômica marcou às pressas uma coletiva de imprensa para apresentar a medida para as 17h00min, após o fechamento dos mercados.
- Entretanto, o aumento do imposto foi mau recebido entre agentes do mercado financeiro, especialmente sobre investimentos de brasileiros no exterior.
- Além disso, o Ministério da Fazenda não havia alinhado a mudança com o Ministério do Planejamento e Orçamento nem com o Banco Central, que manifestaram incomodo a repórteres pelos bastidores.
Recuo parcial: Após as repercussões negativas nos mercados financeiros, o governo optou ainda na noite de ontem por desistir da mudança da tributação sobre aplicações de investimentos de brasileiros no exterior, mantendo a alíquota zero para aplicações de fundos nacionais e de 1,1% para outras remessas destinadas a investimentos.
Em resumo: Mais do que o aumento do IOF em si, a comunicação confusa e os recuos imediatos do governo prejudicaram a credibilidade da condução da política fiscal.
- Ao optar por anunciar a medida apressadamente e, depois, recuar em pontos sensíveis, o Palácio do Planalto gerou estresse desnecessário que deve resultar em maior percepção de riscos fiscais para ativos nacionais.
- Isso, por sua vez, aumenta a exigência de prêmios de risco pelos investidores, o que tende a desvalorizar a moeda brasileira.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





