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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio deve refletir IPCA-15, confiança do consumidor americano e recuo dos juros japoneses

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli

 

Cotações (10h30min):
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,66 (-0,3%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 99,2 pontos (+0,3%)

O mercado de divisas deve refletir a sinalização por parte do banco central japonês de que deve reduzir a emissão de títulos de longo prazo, o que gerou um alívio à curva de juros no país e favorece moedas pares ao iene, como o dólar americano. Adicionalmente, investidores observam as divulgações do IPCA-15 no Brasil e do índice de confiança do consumidor nos Estados Unidos.

Agenda do dia (horário de Brasília):

•    Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de maio (IBGE) – 09h00min.
•    Encomendas de bens duráveis dos EUA de abril (Census Bureau) – 09h30min.
•    Índice de confiança do consumidor dos EUA de maio (Conference Board) – 11h00min.
•    Índice de manufatura do Federal Reserve de Dallas de abril – 11h30min.
•    Palestra do presidente do Federal Reserve de Nova Iorque, John Williams – 21h00min.
 

 

IPCA-15 avança menos do que o esperado em maio

Por que isso é importante: uma leitura mais moderada para o índice contribui para diminuir a preocupação dos investidores em relação à inflação brasileira, o que, em contrapartida, reduz a percepção de que os juros Selic devem manter-se mais altos por mais tempo.

Em detalhes: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) apresentou uma elevação de 0,36% em maio, abaixo da alta de 0,43% em abril e da estimativa mediana de 0,45%.

  • No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,80% e, em 12 meses, 5,40%, abaixo da alta anual de 5,49% observada em abril.
  • O resultado de maio representa o menor avanço para o mês desde 2020, quando houve deflação de 0,59%.
  • O principal impacto positivo sobre o índice decorreu do aumento de 1,68% na energia elétrica residencial, influenciado pela alteração na bandeira tarifária. Em contrapartida, as passagens aéreas exerceram a maior contribuição negativa, com recuo de 11,18% no período.
  • O núcleo do índice, que exclui os componentes mais voláteis, como alimentação e energia, também desacelerou, passando de 0,36% em abril para 0,32% em maio.

Panorama geral: O IPCA-15, conhecido como a prévia da inflação, é uma das principais referências para a avaliação do quadro inflacionário do país.

  • Apesar da desaceleração recente, o IPCA-15 continua apontando para um cenário em que a inflação acumulada em 12 meses permanece acima do limite máximo da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, de 4,5%.
  • Na última semana, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reiterou a necessidade de manter a taxa Selic em um patamar restritivo por um período mais prolongado do que o observado em ciclos anteriores para assegurar a estabilização dos preços domésticos.

Em resumo: A moderação do IPCA-15 tende a aliviar os temores inflacionários no país, reduzindo as expectativas de manutenção da Selic em níveis elevados por mais tempo. Tal movimento pode, por sua vez, impactar negativamente o rendimento dos títulos domésticos e desvalorizar o real.

Juros de longo prazo no Japão caem com sinalização do governo

Por que isso é importante: A sinalização do governo japonês de que busca estabilizar sua curva de juros está fortalecendo o dólar globalmente, o que pode, indiretamente, prejudicar o desempenho do real frente ao dólar.

Panorama geral: De acordo com a agência de notícias Reuters, o governo japonês considera reduzir a emissão de títulos de prazos mais longos, como 30 e 40 anos, devido ao aumento expressivo nos juros desses papéis provocado pela queda da demanda entre investidores.

  • O Ministério das Finanças aumentaria a emissão de papéis de prazos mais curtos para manter o volume planejado de endividamento para este ano.
  • A perspectiva de oferta mais baixa desses papéis leva a uma queda nos juros para títulos japoneses e, dessa forma, influenciando um movimento global de alívio nas curvas de juros

Contexto: Na semana passada, a preocupação de investidores com a tendência de aceleração do endividamento público globalmente, resultou em uma alta nos juros desses títulos, especialmente nos EUA.

  • Esses receios com o cenário fiscal americano, por sua vez, levaram a um recuo expressivo do dólar.
  • Com o alívio de hoje, a reação mais visível é a recuperação do dólar frente a seus pares, como o iene japonês, o franco suíço e o euro.

No exterior, investidores ainda devem repercutir recuo nas tarifas de Trump à União Europeia e o índice de confiança do consumidor nos EUA

Por que isso é importante?: A inconsistência, a imprevisibilidade e a incerteza na condução das políticas econômicas dos Estados Unidos intensificam os temores de desaceleração da maior economia do mundo. Esse cenário, por sua vez, tem gerado expressiva volatilidade nos mercados financeiros globais, afetando diretamente a taxa de câmbio do real.

Panorama geral: Com a retomada das operações normais dos mercados financeiros internacionais, após o feriado nos Estados Unidos na véspera, os investidores devem repercutir somente hoje os desdobramentos recentes da política comercial americana.

  • Na última sexta-feira (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, de forma inesperada, a elevação das tarifas de importação sobre produtos da União Europeia (UE) para 50%, com vigência a partir de 1º de junho, em razão de sua frustração com a falta de progresso nas negociações de um acordo comercial com o bloco.
  • Contudo, no domingo (25), Trump declarou que suspenderia a aplicação da nova tarifa até 9 de julho, após a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter solicitado, por telefone, um prazo adicional para a continuidade das negociações.
  • Nesse contexto, os indicadores que avaliam a resiliência da economia norte-americana ganham destaque, em especial a divulgação de 11h00min do índice de confiança do consumidor referente a maio, publicado pelo Conference Board.
  • A mediana das estimativas para o índice de confiança do consumidor projeta 87,1 pontos, sinalizando um leve avanço em relação ao mês anterior, mas ainda significativamente abaixo da média histórica recente.
  • Desde o início do mandato de Trump, os índices que medem a confiança dos agentes econômicos têm apresentado resultados consistentemente inferiores ao padrão recente, reflexo do elevado grau de incerteza que permeia o ambiente econômico norte-americano.

Em resumo: O mais novo recuo da Casa Branca em relação às tarifas de importação e a expectativa de leve melhora no índice de confiança do consumidor americano podem estimular o apetite global por riscos, favorecendo o desempenho de ativos como ações, commodities e moedas de países emergentes como o real.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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