Câmbio deve refletir JOLTS nos EUA e política fiscal no Brasil
Cotações (10h30min):
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,68 (+0,1%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 99,1 pontos (+0,4%)
O mercado de divisas deve repercutir a divulgação de dados da pesquisa de abertura de vagas e turnovers (JOLTS) de abril dos EUA. No Brasil, o foco recai sobre a agenda fiscal, após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciar que apresentará durante o dia propostas alternativas ao aumento do IOF, em meio ao impasse entre a Fazenda e o Congresso.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) de abril (IBGE) – 09h00min.
• Pesquisa de abertura de vagas (JOLTS) dos EUA de abril (BLS) – 11h00min.
• Expedição, estoques e pedidos da indústria dos EUA de abril (Census) – 11h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee – 13h45min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de Chicago, Lisa D. Cook – 14h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Dallas, Lorie Logan – 16h30min.
Anúncio de alternativa ao aumento do IOF pelo governo pode impactar percepção de riscos fiscais no Brasil
Por que isso é importante: O embate recente entre o Ministério da Fazenda e o Congresso Nacional em torno do aumento das alíquotas do IOF tem gerado um ambiente de volatilidade para ativos domésticos, com investidores se preocupando que a falta de uma alternativa adequada ao imposto possa elevar o déficit fiscal e prejudicar a saúde e credibilidade das contas públicas.
Panorama geral: O aumento do imposto, anunciado de forma inesperada há duas semanas, gerou forte resistência entre setores produtivos e lideranças políticas.
- Em reação, parlamentares têm articulado um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para anular a decisão, movimento com forte possibilidade de se concretizar após o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmar que o ambiente político é favorável à derrubada do decreto.
- Motta também afirmou que o Congresso daria um prazo de dez dias para que o Ministério da Fazenda apresentasse uma alternativa de arrecadação “duradoura e consistente”.
- Ao longo da semana passada, contudo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reiterou que não há fonte de receita viável para substituir os recursos previstos com a elevação do IOF, alertando que sua anulação elevaria o bloqueio de despesas em 2025.
O que esperar hoje: O ministro Fernando Haddad anunciou que apresentará nesta terça-feira (3) um pacote de medidas estruturais que substituam a arrecadação prevista com o IOF.
- Segundo ele, o impacto fiscal das medidas será superior ao obtido com o pacote de ajuste aprovado no fim do ano passado, e deverá conferir “estabilidade duradoura” às contas públicas do próximo período.
- Na noite de segunda-feira (2), Haddad reuniu-se com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir as medidas em construção.
- Antes do encontro, Motta havia mencionado a taxação de criptoativos como uma possível alternativa ao aumento do IOF. Outros parlamentares sugeriram a redução de incentivos fiscais e a tributação de apostas eletrônicas e big techs para alcançar os objetivos.
- Nesta manhã, Haddad confirmou que terá uma reunião com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para alinhar os detalhes finais das propostas e que uma definição deverá ocorrer até, no máximo, às 15h00min de hoje.
Em resumo: O impasse em torno do IOF segue como fator relevante de incerteza fiscal e tende a manter a volatilidade nos ativos brasileiros. No entanto, caso as medidas a serem anunciadas hoje sejam consideradas robustas pelos investidores, é possível uma reversão parcial do pessimismo atual, com reflexos positivos sobre o real e demais ativos domésticos.
Divulgação da pesquisa JOLTS pode impactar percepção sobre resiliência do mercado de trabalho americano
Razão entre vagas em aberto e desempregados nos EUA

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
Por que isso é importante: O indicador deve detalhar a situação do mercado de trabalho americano no mês de abril, e caso sugira sinais de enfraquecimento, pode aumentar a preocupação dos investidores com o ritmo de crescimento da economia americana, sobretudo diante das incertezas geradas pelas recentes medidas econômicas do governo Trump.
Panorama geral: A pesquisa de abertura de vagas e turnovers (JOLTS) de abril é a primeira divulgação importante relacionada ao mercado de trabalho a ser divulgado nesta semana, que conta ainda com o Relatório de Emprego do Setor Privado (ADP), na quarta-feira (04), e com o Relatório de Situação de Emprego ("Payroll"), na sexta-feira (06), ambos referentes a maio.
- Indicadores referentes a meses a partir de abril vêm sendo monitorados com maior atenção por investidores, sobretudo diante das dúvidas quanto ao impacto das novas tarifas de importação implementadas por Trump no início do mês.
- Cabe relembrar que o "Payroll" de abril surpreendeu positivamente ao registrar a criação de 177 mil postos de trabalho não agrícolas, superando a mediana das expectativas, que era de 130 mil vagas.
- Diante disso, o JOLTS deve oferecer uma leitura mais detalhada sobre o comportamento das contratações em abril, permitindo avaliar especialmente se há sinais de desaceleração no ritmo de contratações por parte das empresas.
- Até o momento, os efeitos concretos das políticas do novo governo sobre o mercado de trabalho ainda são incertos, mas persistem temores relacionados à imposição de tarifas de importação, paralisação de contratações e demissões em larga escala promovidas recentemente em órgãos federais.
Em resumo: Caso os dados do JOLTS elevem os receios de desaceleração do mercado de trabalho no país, é possível que haja um movimento de ampliação da aversão global ao risco, o que, por sua vez, tende a impactar negativamente ativos arriscados, como o real
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





