Câmbio deve refletir CPI e acordo preliminar entre EUA e China
Cotações (10h15min):
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,55 (-0,3%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 98,8 pontos (-0,3%)
O mercado de divisas deve repercutir o anúncio de um acordo preliminar entre Estados Unidos e China para remover controles de exportação, bem como a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano de maio.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Palestra do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo – 08h30min.
• Pesquisa Trimestral do Abate de Animais e Produção de Leite, Couro e Ovos e Galinhas no primeiro trimestre de 2025 (IBGE) – 09h00min.
• Índice de preços ao consumidor (CPI) de maio (BLS) – 09h30min.
• Audiência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – 10h00min.
• Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
EUA e China fecham “acordo preliminar” para remover controles de exportação
Autoridades americanas e chinesas concordaram com uma estrutura básica para implantar o “Consenso de Genebra” e remover os controles de exportações entre os países.
Por que isso é importante: O acordo sinaliza um progresso contínuo, embora lento, para a suavização das tensões comerciais entre as duas maiores economias globais, o que pode reduzir receios de uma desaceleração mais intensa do crescimento de ambas.
- Investidores tendem a se manter cautelosos e em compasso de espera enquanto aguardam por mais detalhes sobre os termos desse acordo.
Panorama: Após dois dias de longa negociação, os negociadores dos Estados Unidos e da China anunciaram que “chega[ram] a uma estrutura preliminar para implantar o Consenso de Genebra”, referindo-se ao consenso inicial para redução de tarifas de importação por 90 dias pactuado em 12 de maio, em Genebra.
- Um ponto central das discussões foram os controles de exportações aplicados tanto pelos EUA como pela China. Em particular, Washington havia entendido após as discussões em Genebra que a China permitiria mais exportações de minerais de terras raras.
- Em troca dessas permissões, o governo de Donald Trump se disponibilizou a remover uma série de restrições recentes, como chips avançados, softwares para design de chips, peças para motores a jato, produtos químicos e materiais nucleares
- As delegações dos EUA e da China agora levarão de volta a proposta de acordo para seus respectivos líderes para ratificar o acordo e, então, efetivá-lo.
Contudo: Acordos comerciais habitualmente demoram anos para serem formalizados, visto que abrangem uma enorme diversidade de produtos e muitos pontos de interesse para as nações.
- Aparentemente, ainda não houve avanços substantivos em um entendimento mais amplo para o comércio entre China e Estados Unidos, e sim uma redução das tensões para que as negociações possam prosseguir.
- Mesmo durante a “trégua” de 90 dias, as tarifas de importação aplicadas por ambos seguem substantivamente maiores que as vigentes no ano passado.
Em resumo: Embora mais detalhes sejam necessários, o aparente progresso nas discussões entre Estados Unidos e China tende a diminuir receios de uma desaceleração econômica em ambos e ampliar o apetite por riscos de investidores, o que contribui para uma queda da taxa de câmbio do real.
Inflação nos EUA abaixo do esperado em maio
Medidas de inflação para os Estados Unidos (12 meses)

Fonte: U.S. Bureau of Economic Analysis (BEA), U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos de maio mostrou desaceleração da inflação no país, com alta abaixo do esperado tanto para o índice cheio quanto para seu núcleo. O resultado contraria as expectativas de que as tarifas de importação implementadas pelo governo americano desde abril fossem impulsionar os níveis de preços no mês.
Por que isso é importante: Ao mostrar um ritmo abaixo do esperado para a inflação em maio, o indicador contribui para as apostas de possíveis cortes de juros mais cedo pelo Federal Reserve, ao mesmo tempo em que diminui a perspectiva de que o "choque tarifário" implementado por Trump fosse impulsionar a inflação do país no curto prazo. Isso, por sua vez, contribui para a diminuição do rendimento dos títulos do Tesouro americano e tende a prejudicar o valor do dólar globalmente.
Panorama geral: Em seu comunicado após a reunião de política monetária de maio de 2025, o Federal Reserve destacou o aumento da incerteza no ambiente econômico desde março, mencionando simultaneamente os riscos de uma inflação mais persistente e de um arrefecimento mais acentuado da atividade.
- Até o momento, contudo, os indicadores têm demonstrado sinais mistos, ora revelando potenciais impactos das medidas, ora revelando um cenário de normalidade.
Em detalhes: Na divulgação desta quarta-feira, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) apresentou uma alta de 0,1% em seu índice cheio referente ao mês de maio, abaixo da mediana das expectativas, que apontava para a manutenção dos 0,2% registrados em abril.
- No núcleo do índice, que exclui os componentes mais voláteis, como alimentação e energia, também foi observado um avanço de 0,1%, inferior à estimativa mediana de 0,3%.
- Na comparação anual, no entanto, o CPI acelerou, registrando alta de 2,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, acima dos 2,3% observados em abril. Em seu núcleo, a alta anual manteve-se estável em 2,8%. Com isso, o índice permanece acima da meta de 2% ao ano estabelecida pelo Federal Reserve.
Em resumo: A leitura mais moderada para a inflação nos EUA deve reforçar apostas de investidores de que o Federal Reserve pode realizar novos cortes de juros mais cedo do que o esperado, o que pode prejudicar a atração de recursos estrangeiros para os Estados Unidos e contribuir para o enfraquecimento global do dólar, o que tende, por sua vez, a favorecer o desempenho do real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





