Câmbio deve refletir aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio
Cotações (09h10min):
▲Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,55 (+0,1%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 98,4 pontos (+0,6%)
O mercado de divisas deve repercutir um ambiente global de maior aversão a riscos, impulsionado pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, após Israel atacar instalações nucleares e uma fábrica de mísseis balísticos no Irã durante a madrugada. No cenário doméstico, investidores acompanham o impasse entre governo e Congresso quanto a medidas fiscais para substituir parte do aumento do IOF.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de abril (IBGE) – 09h00min.
- Prévia do índice de confiança do consumidor dos EUA de junho (UMich) – 11h00min.
- Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 17h00min.
Escalada do conflito entre Israel e Irã eleva aversão global ao risco
O governo de Israel lançou nesta madrugada uma ampla ofensiva militar contra instalações nucleares e alvos estratégicos do Irã, ampliando temores de um conflito militar entre os dois países.
Por que isso é importante: O aumento das tensões na região eleva o sentimento de aversão ao risco entre investidores, o que tende a favorecer o desempenho de ativos considerados "porto-seguros" e prejudicar o desempenho de moedas de países emergentes, como o real.
Panorama geral: O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o objetivo do ataque foi de “atingir a infraestrutura nuclear, as fábricas de mísseis balísticos e as capacidades militares do Irã”.
- O ataque ocorreu após o Irã ter anunciado, ontem, que adotaria medidas de retaliação à resolução aprovada pela agência atômica da ONU, que considera o Irã em violação de suas obrigações nucleares.
Em detalhes: Ao longo desta semana, os Estados Unidos se preparavam para intermediar a sexta rodada de negociações nucleares com o Irã, que estava programada para acontecer neste domingo.
- No entanto, o crescente pessimismo em torno do sucesso das conversas vinha elevando as tensões geopolíticas na região, especialmente diante do descontentamento por parte de Israel, rival histórico do Irã.
- Diante da possibilidade de uma ofensiva israelense caso as negociações fracassassem, o governo americano passou a considerar potenciais consequências de um confronto direto. Segundo reportagens, uma resposta iraniana plena poderia sobrecarregar os sistemas de defesa de Israel e causar danos significativos.
- Além disso, o Irã vinha ameaçando atacar alvos norte-americanos na região caso suas instalações nucleares fossem atingidas. Como medida preventiva, o governo dos EUA já havia iniciado a retirada de diplomatas e familiares de militares que pudessem estar em áreas de risco.
- Nesta manhã, o governo americano afirmou que a decisão tomada por Israel foi unilateral, ao passo que o presidente americano, Donald Trump, vinha afirmando que preferiria que Israel evitasse qualquer ação que pudesse comprometer a estabilidade regional, enquanto houvesse espaço para avanços diplomáticos.
Em resumo: O aumento da tensão geopolítica no Oriente Médio deve impulsionar o desempenho de ativos de segurança, especialmente moedas de países considerados "porto-seguros", bem como os preços futuros de petróleo, diante da importância produtiva da região na extração do recurso. Ao mesmo tempo, pode prejudicar ativos considerados mais arriscados, como ações, outras commodities e moedas de países emergentes, como o real.
Investidores devem seguir acompanhando o embate entre governo e Congresso pela aprovação de medidas fiscais
No ambiente doméstico, o cenário fiscal pode seguir impactando ativos brasileiros, após o aumento das incertezas com relação à aprovação do pacote fiscal do governo no Congresso.
Por que isso é importante: O aumento das incertezas com relação aos ajustes propostos pelo governo pode impactar os prêmios de riscos exigidos para ativos brasileiros, o que tende a gerar volatilidade para o real.
Panorama geral: O governo federal publicou, na última quarta-feira (11), a medida provisória com ações para compensar o recuo realizado no aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
- O aumento do IOF, anunciado de forma inesperada há três semanas, gerou forte resistência entre setores produtivos e lideranças políticas.
- Em reação, parlamentares ameaçaram derrubar a medida caso o Ministério da Fazenda não apresentasse uma alternativa de arrecadação mais “duradoura e consistente”.
- Como solução, o governo articulou um conjunto de medidas para compensar o recuo parcial no aumento do IOF, e a maior parte dessas propostas foi formalizada na medida provisória publicada nesta semana.
Contudo: Permanece certa cautela de que a medida proposta pelo governo se manterá, já que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 60 dias.
- Tais temores tem se acentuado ao longo da semana diante da comunicação por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, de que não tem compromisso de aprovar a medida.
- Nesta quinta-feira, Motta decidiu pautar a urgência do projeto de decreto legislativo (PDL) que visa sustar os efeitos da medida, o que aumentou os temores de que ela não avance no Legislativo.
Em resumo: A elevação dos temores em torno de um possível embate entre governo e Congresso com relação ao pacote fiscal pode seguir impactando na percepção de riscos fiscais entre investidores, o que tende a prejudicar o real e demais ativos domésticos.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





