Câmbio deve refletir decisões de política monetária da “super quarta”
Cotações (10h00min):
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,49 (0,0%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 98,6 pontos (-0,2%)
O mercado de divisas deve repercutir as expectativas em torno das decisões de política monetária dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos, em meio a dúvidas sobre um possível aumento da taxa básica de juros (Selic) e das sinalizações sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego (DOL) – 09h30min.
• Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
• Decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve– 15h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 15h30min.
• Decisão de juros do Comitê de Política Monetária do Banco Central – 18h30min.
Decisão de Política Monetária nos Estados Unidos
Por que isso é importante: Sinalizações acerca da trajetória futura da taxa de juros nos Estados Unidos costumam impactar o rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano, o que pode influenciar o valor do dólar no mercado internacional.
- Nesse contexto, ganha relevância a divulgação das Projeções Econômicas Sumarizadas, publicadas a cada duas decisões, que expõem as expectativas individuais dos membros do FOMC em relação à trajetória futura da taxa de juros.
Panorama: Há amplo consenso de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) deverá manter inalterada a taxa básica de juros, atualmente no intervalo de 4,25% a 4,50% ao ano.
- Nesse cenário, os investidores tendem a concentrar atenção nos sinais sobre os próximos passos da política monetária, especialmente por meio do comunicado da decisão, das declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e das Projeções Econômicas Sumarizadas.
- Em particular, as projeções trazem estimativas para o crescimento econômico, desemprego, inflação e taxa de juros entre 2025 e 2027, com destaque para o gráfico de dispersão de pontos (dot plot), que apresenta as expectativas individuais dos membros do Comitê para os juros americanos.
- Na última projeção, divulgada em março, o documento indicava a expectativa de dois cortes na taxa de juros ainda em 2025, perspectiva que, diante das incertezas, tende a ser mantida.
Em detalhes: Espera-se que o Comitê reforce, em seu comunicado, uma postura de cautela e paciência, em linha com declarações recentes de seus dirigentes, que têm adotado uma abordagem de “esperar para ver”.
- Por um lado, essa provável atitude mais conservadora do Fed está relacionada à condução incerta e volátil da política econômica do presidente Donald Trump, especialmente no que se refere às medidas comerciais, cujos contornos ainda permanecem indefinidos.
- Por outro lado, os dados econômicos mais recentes continuam a apresentar sinais contraditórios quanto à saúde da economia norte-americana, sem indicativos claros dos efeitos das tarifas de importação implementadas pelo governo.
- Diante desse cenário, o FOMC deve argumentar que necessita de mais tempo para observar a evolução das variáveis macroeconômicas e compreender com maior nitidez os impactos potenciais das medidas em curso.
Em resumo: Ao sinalizar uma provável postura cautelosa por parte do Federal Reserve, a decisão do FOMC pode reduzir as apostas do mercado em relação a cortes na taxa de juros americana, o que tende a favorecer a valorização do dólar globalmente.
Decisão de Política Monetária no Brasil
Por que isso é importante: A decisão de manter ou elevar novamente a taxa básica de juros impacta o diferencial entre os juros brasileiros e os norte-americanos, afetando a atratividade dos títulos públicos nacionais e a entrada de capitais estrangeiros. Esse movimento, por sua vez, tende a influenciar o desempenho do real.
Panorama geral: No Brasil, os investidores ainda estão divididos quanto ao próximo movimento do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).
- Por um lado, parte das apostas indica que o Comitê deve elevar novamente a taxa básica de juros (Selic), indo de 14,75% a.a. para 15,00%, estendendo o ciclo de alta que foi iniciado em setembro de 2024.
- Para estes investidores, o BC deve se alinhar à postura mais firme que tem adotado nos últimos meses, especialmente diante da permanência dos índices de inflação acima da meta do estipulada pelo órgão e pelos dados resilientes para a atividade econômica nacional.
- Porém, outra parte acredita que o BC pode optar por manter a Selic inalterada, em 14,75% a.a.
- Tal leitura fortaleceu-se após divulgação, na última semana, do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio, que mostrou uma alta abaixo do esperado para o índice no mês. Apesar de ainda permanecer significativamente acima de meta do BC, a maior moderação do índice levantou dúvidas sobre a continuidade do aperto monetário pelo órgão.
Em resumo: Dessa forma, a eventual manutenção da Selic ou a sinalização, no comunicado da decisão, de que o ciclo de altas pode ter terminado, tende a enfraquecer o real, à medida que reduz a atratividade relativa dos ativos brasileiros.
Tensões no Oriente Médio e possível envolvimento direto dos Estados Unidos
Por que isso é importante: A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio pode intensificar a aversão a risco entre os investidores, estimulando a busca por ativos considerados “portos seguros” em momentos de incerteza, o que tende a pressionar negativamente o real.
Panorama: Embora o foco dos mercados ao longo da sessão deva se concentrar nas decisões de juros da chamada “super-quarta”, os investidores permanecem atentos a novos desdobramentos do cenário geopolítico no Oriente Médio, especialmente diante de indícios de que os Estados Unidos possam vir a se envolver de forma mais direta no conflito entre Israel e Irã.
- Essas preocupações se intensificaram na véspera, após o presidente dos EUA, Donald Trump, deixar antecipadamente a cúpula do G7, sem justificativa oficial.
- Na sequência, em redes sociais, Trump instou os iranianos a “evacuar imediatamente Teerã”, pediu pela “rendição incondicional” do Irã afirmou que os EUA não vão assassinar o líder do país “por enquanto, [mas que] nossa paciência está se esgotando”.
- Reportagens de imprensa apontam que os EUA deslocaram dezenas de aviões de combate e um porta-aviões para a região, que Trump teve uma reunião hoje com sua equipe de segurança nacional sobre alternativas para ataques ao Irã e que o país considera atacar o complexo de enriquecimento de urânio subterrâneo de Fordow.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





