Câmbio deve refletir decisão do Copom e notícias sobre o conflito no Oriente Médio
Cotações (10h15min):
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,48 (-0,2%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 98,7 pontos (-0,1%)
Em dia de agenda econômica esvaziada, e após os feriados no Brasil e nos Estados Unidos na véspera, o mercado de divisas deve repercutir a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, anunciada na quarta-feira (18), bem como novos desdobramentos recentes do conflito geopolítico no Oriente Médio.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 17h30min.
Banco Central eleva Selic para 15% e encerra ciclo de alta dos juros
A decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada após o fechamento dos mercados na quarta-feira (18), deve repercutir ao longo desta quinta-feira, com o retorno das negociações após o feriado da véspera.
Por que isso é importante: A nova elevação da taxa básica de juros (Selic) impacta o diferencial entre os juros brasileiros e os norte-americanos, afetando a atratividade dos títulos públicos nacionais e a entrada de capitais estrangeiros. Esse movimento, por sua vez, tende a favorecer o desempenho do real.
Panorama geral: Na última quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 15,00% ao ano.
- A medida dá continuidade ao ciclo de aperto monetário iniciado em setembro de 2024, e, segundo o comunicado divulgado, marca o encerramento desse ciclo.
- Até então, o mercado encontrava-se dividido quanto à condução da política monetária, com uma parcela dos agentes financeiros apostando na manutenção da taxa.
- A decisão por um novo aumento foi atribuída, sobretudo, à inflação persistente acima da meta do Banco Central e aos sinais de resiliência da atividade econômica doméstica.
Em detalhes: O comunicado da decisão trouxe dois pontos de destaque para os investidores: o encerramento do ciclo de alta e a sinalização de que a taxa deverá permanecer elevada por um “período bastante prolongado”.
- Por um lado, o encerramento do ciclo visa dar ao Comitê tempo para avaliar os efeitos cumulativos do aperto monetário já implementado, em provável estratégia que visa evitar que o mercado precifique novas elevações no curto prazo.
- Por outro, a sinalização de manutenção dos juros elevados por mais tempo deve ter sido escolhida para refletir o compromisso firme do Comitê com a convergência da inflação à meta, mostrando que dificilmente deve realizar cortes ainda este ano.
Em resumo: Ao ampliar o diferencial entre os juros brasileiros e os americanos — no mesmo dia em que o Federal Reserve optou por manter sua taxa inalterada —, a decisão do Copom tende a fortalecer o real frente ao dólar.
Casa Branca sinaliza que decidirá seu envolvimento no conflito com o Irã nas "próximas duas semanas"
No cenário externo, os mercados devem operar em compasso de espera por potenciais novos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Por que isso é importante: Nos últimos dias, a intensificação do conflito entre Irã e Israel, somada à possibilidade de um envolvimento direto dos Estados Unidos, tem provocado algum movimento de aversão a risco entre os investidores. Esse ambiente de incerteza tende a estimular a busca por ativos considerados “portos seguros”, podendo pressionar o real ao longo da sessão.
Panorama geral: Nesta quinta-feira (19), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve tomar uma decisão sobre um eventual ataque ao Irã “dentro das próximas duas semanas”. Leavitt acrescentou que novas negociações com o governo iraniano também são possíveis “em um futuro próximo”.
- No início da semana, os receios de uma escalada no conflito cresceram após Trump deixar a cúpula do G7 um dia antes do previsto, sem apresentar justificativa oficial.
- Na sequência, por meio das redes sociais, o presidente norte-americano pediu que os iranianos “evacuem imediatamente Teerã”, exigiu a “rendição incondicional” do Irã e afirmou que os EUA não pretendem eliminar o líder iraniano “por enquanto”, acrescentando que “nossa paciência está se esgotando”.
- Reportagens da imprensa indicam que os EUA deslocaram dezenas de aviões de combate e um porta-aviões para a região. Além disso, Trump teria se reunido com sua equipe de segurança nacional para discutir possíveis alvos de ataque.
- Investidores temem que a ampliação do conflito envolva outras nações, afete infraestrutura petrolífera e comprometa rotas logísticas estratégicas na região.
Vale lembrar: Cenários de tensão no Oriente Médio costumam reduzir o apetite global por risco, o que pode levar à desvalorização de moedas de países emergentes, como o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





