Câmbio deve refletir votação da medida que revoga aumento do IOF
Cotações (10h30min):
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,54 (+0,4%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 98,1 pontos (+0,1%)
Em dia de agenda econômica esvaziada, o mercado de divisas deve repercutir a inclusão inesperada da votação do projeto de decreto legislativo (PDL) que revoga o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na pauta desta quarta-feira na Câmara dos Deputados.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Estatísticas do setor externo de maio (BC) – 08h30min.
- Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 11h00min.
- Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
Investidores repercutem política fiscal no Brasil, com votação para revogar aumento do IOF e declarações de Haddad
Em publicação nas redes sociais, ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que será votado, hoje, o projeto que anula o decreto do governo que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
- Ainda no âmbito fiscal, investidores também repercutem declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, feitas ontem, em que afirmou a intenção de “congelar” as discussões sobre aumento de gastos públicos, acrescentando que, neste momento, “nenhum gasto é bem-vindo”.
Por que isso é importante: O aumento das incertezas em relação à condução da política fiscal no Brasil eleva a percepção de risco sobre os ativos domésticos, o que tende a pressionar negativamente o real.
- Com a ausência de eventos internacionais relevantes na agenda e a expectativa de poucas novidades em relação ao conflito no Oriente Médio, os desdobramentos internos podem trazer maior volatilidade aos ativos locais.
Panorama geral: O embate entre o Congresso e o governo sobre as medidas fiscais tem gerado dúvidas quanto à viabilidade e à implementação dos ajustes propostos.
- Em maio, o governo editou um decreto que aumentava o IOF com o objetivo de elevar a arrecadação e compensar o déficit fiscal. Diante da reação negativa, o Ministério da Fazenda recuou parcialmente, mas mesmo as medidas remanescentes enfrentaram rejeição no Congresso e podem ser revogadas na votação de hoje.
- Como alternativa, o governo lançou um terceiro decreto e uma Medida Provisória com medidas fiscais adicionais, incluindo aumento de tributos e cortes de benefícios sociais, propostas que também enfrentam resistência no Legislativo e cuja aprovação segue incerta. É esta alternativa que o Congresso pode anular hoje.
- O requerimento de urgência do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) foi aprovado por ampla maioria na semana passada, mas ainda não havia data definida para votação do mérito, que ocorre hoje, com expectativa de que seja aprovado.
- Nesse sentido, o governo encontra-se em um impasse, especialmente diante da oposição legislativa e falta de consenso entre parlamentares, o que prejudica a clareza sobre a condução da política fiscal.
Em resumo: Embora as recentes declarações de Haddad sinalizem alinhamento com o compromisso fiscal, o cenário ainda incerto e o impasse entre Executivo e Legislativo devem continuar gerando apreensão entre os investidores, o que tende a elevar o risco percebido nos ativos brasileiros e pode pressionar o real.
Banco Central promove leilão de swaps reversos
Nesta manhã, o Banco Central anunciou a oferta de até US$ 1 bilhão em operações de venda à vista, acompanhada de um leilão de até 20.000 contratos de swaps reversos. Os dois leilões, que ocorreram entre as 9h30 e 9h35, venderam o total ofertado em cada um.
Por que isso é importante: Ao intervir no mercado de moedas, o Banco Central pode influenciar a trajetória da taxa de câmbio do real.
Em detalhes: A operação foi estruturada para ter efeito neutro sobre a taxa de câmbio de hoje, ofertando uma mesma quantia de dólares no mercado à vista e em contratos de swap cambial reverso, com vencimento em 01 de agosto de 2025.
- Diferentemente dos swaps tradicionais, em que o BC atua vendendo dólares no mercado futuro, nos swaps reversos a autoridade monetária assume posição compradora de dólar futuro.
- A estratégia pode ter como finalidade múltiplos efeitos, entre eles, a redução do chamado cupom cambial (a taxa de juros em dólar negociada internamente) e dar suporte ao real, ao tornar o custo de se carregar a moeda mais vantajoso.
- Além disso, a atuação coordenada pode contribuir para a diminuição do volume total de contratos de swaps, que já ultrapassa US$ 100 bilhões, e, paralelamente, colaborar para a redução da dívida bruta do país.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





