Câmbio deve refletir derrubada do aumento do IOF e dados econômicos no Brasil
Cotações (10h30min):
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,52 (-0,7%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 97,2 pontos (-0,5%)
O mercado de divisas deve repercutir a anulação pelo Congresso dos efeitos do decreto do governo que elevou a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Ainda no cenário doméstico, investidores devem observar falas de dirigentes do Banco Central e dados econômicos no Brasil.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre de 2025 (BC) – 08h00min.
- Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho (IBGE) – 09h00min.
- Palestra do presidente do Federal Reserve de Richmond, Tom Barkin – 09h00min.
- Encomendas de bens duráveis dos EUA de maio – 09h30min.
- Índice de atividade nacional do Federal Reserve de Chicago de maio – 09h30min.
- Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 09h30min.
- Palestra do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo – 11h00min.
- Índice de manufatura do Federal Reserve de Kansas City de junho – 12h00min.
- Resultado Primário do Governo Central de maio (STN) – 14h30min.
- Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2025 (Census) – 14h30min.
- Palestra da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde – 15h30min.
Derrubada do aumento do IOF pelo Congresso deve elevar incertezas fiscais no Brasil
O Congresso Nacional aprovou, ontem, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que derruba a proposta do governo que elevava alíquotas do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). A aprovação aconteceu com 383 votos favoráveis à suspensão da medida e 98 votos contrários na Câmara dos Deputados e por aprovação simbólica no Senado Federal.
Por que isso é importante: A votação e a aprovação do PDL, incluída de forma inesperada ontem na pauta do Congresso, eleva a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e pode prejudicar o desempenho do real ao longo da sessão.
Panorama geral: A resistência de parlamentares às medidas fiscais planejadas pela equipe econômica do governo tem gerado receios entre investidores quanto à possibilidade de piora das contas públicas.
- Em maio, o governo editou um decreto que aumentava o IOF com o objetivo de elevar a arrecadação e compensar o déficit fiscal. Diante da reação negativa, o Ministério da Fazenda recuou parcialmente, mas mesmo as medidas remanescentes enfrentaram rejeição no Congresso e podem ser revogadas na votação de hoje.
- Como alternativa, o governo lançou um terceiro decreto e uma Medida Provisória com medidas fiscais adicionais, incluindo aumento de tributos e cortes de benefícios sociais, propostas que também enfrentam resistência no Legislativo e cuja aprovação segue incerta. É esta alternativa que o Congresso optou por anular ontem.
- O governo afirma que a suspensão reduzirá a receita de 2025 em R$ 10 bilhões e resultará em um novo bloqueio ou contingenciamento
- A última vez em que um decreto presidencial foi derrubado pelo Congresso aconteceu há 33 anos.
Em resumo: O cenário ainda incerto e o impasse entre Executivo e Legislativo devem continuar gerando apreensão entre os investidores, o que tende a elevar o risco percebido nos ativos brasileiros e pode pressionar o real.
Relatório trimestral do BC, IPCA-15 e falas de Gabriel Galípolo também ficam no radar dos investidores
Adicionalmente, os investidores nacionais devem repercutir a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho, que apontou uma aceleração moderada nos níveis de preços.
- Além disso, a atenção se volta à publicação do Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre de 2025, que compila uma série de dados e análises relevantes sobre o cenário econômico brasileiro e será comentado, às 11h00, pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Por que isso é importante: A moderação observada nos dados preliminares de inflação para o mês de junho, combinada à expectativa de uma comunicação cautelosa por parte do Banco Central ao longo do dia, devem reforçar a percepção de que o ciclo de elevação da taxa básica de juros terminou. Esse cenário, por sua vez, pode diminuir a perspectiva de rendimentos de títulos nacionais e prejudicar o desempenho do real.
Panorama geral: Na quarta-feira da semana passada (18), o Banco Central sinalizou que o último aumento da taxa Selic para 15% ao ano representaria o encerramento do ciclo de altas iniciado em setembro de 2024.
- Ainda assim, permanecem incertezas quanto à condução futura da política monetária, especialmente diante do fato de que a inflação segue acima da meta estabelecida pela autoridade monetária, ao passo que os juros elevados elevam temores de impactos para a resiliência da atividade econômica nacional.
Em detalhes: Nesta edição do RPM, o Banco Central segue destacando um cenário de risco elevado para a trajetória projetada da inflação, estimando que o IPCA acumulado em 12 meses deve permanecer acima do centro da meta de 3% até, pelo menos, o quarto trimestre de 2027.
- O IPCA-15, por outro lado, apresentou um quadro mais favorável à estabilização de preços, registrando variação de 0,26% em seu índice cheio, abaixo da mediana das projeções (0,30%) e do resultado de maio (0,36%).
- O núcleo do índice, que elimina os componentes mais voláteis como alimentação e energia, também mostrou desaceleração, avançando 0,29% frente à alta de 0,32% no mês anterior.
Em resumo: Apesar das expectativas inflacionárias ainda elevadas, a desaceleração do IPCA-15 contribui para a redução das pressões sobre a política monetária, atenuando as expectativas de manutenção da Selic em patamares elevados por um período prolongado. Essa perspectiva, por sua vez, pode impactar negativamente o rendimento dos títulos públicos e favorecer a depreciação do real.
Receios quanto à credibilidade do Fed enfraquecem o dólar globalmente.
No exterior, o Dollar Index recuou nesta manhã abaixo do patamar de 97 pontos pela primeira vez desde 01 de março de 2022 após reportagem do Wall Street Journal (WSJ) afirmar que o presidente dos EUA, Donald Trump, estuda nomear antecipadamente o próximo presidente do Federal Reserve (Fed).
Por que isso é importante: as críticas frequentes de Trump ao atual presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e a possibilidade de uma indicação antecipada para o próximo presidente da instituição aumentam as preocupações de investidores quanto a uma redução da independência do Fed, diminuindo a credibilidade da política monetária americana.
- A perda de credibilidade resulta em um aumento da percepção de riscos para ativos americanos, diminuindo sua atratividade e enfraquecendo o dólar.
- Adicionalmente, temores de que Trump pode induzir o Fed a cortar juros mais cedo e sem fundamentação técnica sólida diminui as perspectivas para os rendimentos dos títulos do país, diminuindo ainda mais sua atratividade e enfraquecendo o dólar.
Panorama: A reportagem do Wall Street Journal afirmou que Donald Trump estuda nomear antecipadamente o próximo presidente do Federal Reserve, até setembro ou outubro, com o objetivo de influenciar as expectativas de investidores quanto à condução da política monetária americana após o fim do mandato de Powell, em maio de 2026.
- Questionado em entrevista coletiva, Trump afirmou que tem “três ou quatro nomes em mente” para substituir Powell.
- Segundo o WSJ, os principais candidatos à vaga são Scott Bessent, secretário do Tesouro, Kevin Hasset, diretor do Conselho Econômico Nacional, David Malpass, ex-presidente do Banco Mundial, Kevin Warsh, antigo membro do Conselho de Governadores do Fed, e Christopher Waller, atual membro do Conselho de Governadores do Fed.
- Na mesma entrevista, o presidente dos Estados Unidos afirmou que “felizmente” o mandato de Powell deve acabar em breve, que Powell é “horrível”, tem “baixo QI”, “muito burro”. Na semana passada, em rede social, Trump disse que “talvez eu tenha que mudar de opinião sobre demiti-lo?”.
- Vale constar que há um debate se a lei americana permite que um presidente possa demitir um membro do Federal Reserve. Caso Trump demita Powell de fato, é bem provável que a medida seria questionada no judiciário.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





