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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio deve refletir anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli

 

Cotações (10h00min):
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,55 (+0,8%)
= Dollar Index (DXY): ~ 97,6 pontos (+0,1%)

O mercado de divisas deve repercutir o anúncio realizado pela Casa Branca, após o fechamento dos mercados de ontem, de que elevará as tarifas de importação sobre produtos brasileiros para 50%. Adicionalmente, investidores devem observar a divulgação dos dados de inflação ao consumidor do Brasil em junho.

Agenda do dia (horário de Brasília):

•    Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho (IBGE) – 09h00min.
•    Pedidos semanais de seguro-desemprego (DOL) – 09h30min.
•    Entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – 10h00min.
•    Palestra do presidente do Federal Reserve de Saint Louis, Alberto Musalem – 11h00min.
•    Palestra do membro do conselho de governadores do Federal Reserve, Christopher Waller – 11h00min.
•    Palestra da presidente do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly – 15h30min.
 

 

Trump anuncia tarifas de 50% sobre o Brasil

Mudanças anunciadas nas tarifas de importação americanas

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Fonte: Casa Branca. Elaboração: StoneX.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto

Por que isso é importante: Tarifas dessa magnitude podem prejudicar severamente as exportações brasileiras, visto que os EUA são, atualmente, o segundo maior destinos das exportações nacionais. Isto representaria uma redução na entrada de moeda estrangeira, o que tende a desvalorizar o real.

  • Adicionalmente, a decisão eleva a imprevisibilidade e a percepção de riscos para investimentos em ativos brasileiros, o que afasta investimentos estrangeiros e, igualmente, tende a desvalorizar o real.

Panorama: Ontem, após o horário de pregão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou inesperadamente tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

  • Trump atribuiu sua decisão aos processos judiciais “injustos” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, às “ordens [judiciais] de censura secretas e ilegais às plataformas de mídia social dos EUA” e por “ataques contínuos aos negócios digitais de empresas americanas”.
  • O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, disse que o Brasil vai equiparar qualquer aumento unilateral de tarifas com base na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada há três meses.

Amparo jurídico: A surpreendente taxação americana é desproporcional e difícil de justificar.

  • Os Estados Unidos apresentam superávit comercial com o Brasil desde 2008.
  • Para dar amparo jurídico à decisão, Trump solicitou uma investigação pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 por “ataques contínuos aos negócios digitais de empresas americanas”. Neste momento, é difícil determinar quais seriam esses ataques.
  • A Seção 301 permite ao Representante de Comércio dos EUA (USTR), sob direção do Presidente, suspender concessões de acordos comerciais ou impor restrições de importação se determinar que um país estrangeiro viola um acordo ou age de forma injustificada ou discriminatória contra o comércio dos EUA.
  • Necessariamente, a prática injustificada ou discriminatória precisa ser relacionada ao comércio americano.

Na prática: Na prática, Trump tem atuado de forma bastante flexível e liberal na aplicação de tarifas de importação e pode, se assim desejar, impor tarifas de qualquer magnitude sobre o Brasil.

  • Conforme já mencionado em edições do Panorama Semanal de Câmbio, “a Casa Branca intensifica [a] incerteza e imprevisibilidade [na condução das políticas econômicas americanas] ao promover (...) alterações por meio de atos do poder Executivo, praticamente desacompanhadas de mudanças na legislação, utilizando-se de oito declarações de Estado de Emergência para amparar juridicamente estes atos”.

E agora? Fica difícil imaginar uma diminuição nas tensões entre os dois países no curto prazo.

  • Ao enfatizar questões políticas e jurídicas nacionais, Trump dificulta uma solução comercial para o tema.
  • Lula, por sua vez, mostrou-se disposto ao embate ao sugerir que o Brasil vai retaliar a tarifação, o que pode afastar os americanos de uma negociação diplomática.

IPCA desacelera pelo quarto mês consecutivo em junho, mas estoura teto da meta de inflação

IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,24% em junho, consolidando a quarta desaceleração mensal consecutiva de seu índice cheio.

  • Apesar do recuo, o acumulado em 12 meses continua acima do teto da meta de inflação estipulada pelo Banco Central (BC), de 4,5%, ao atingir 5,35%.
  • Com isso, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, deverá encaminhar uma carta explicando os motivos do descumprimento da meta, conforme nova metodologia adotada este ano, que exige tal justificativa sempre que o índice ultrapassar o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.

Por que isso é importante: A desaceleração do IPCA ajuda a reduzir as preocupações dos investidores quanto à trajetória da inflação no Brasil, o que pode aliviar a expectativa de manutenção prolongada da taxa Selic em patamares elevados. Por outro lado, os riscos inflacionários seguem relevantes, o que limita as perspectivas para um ciclo mais de flexibilização monetária no curto prazo.

Em detalhes: O IPCA subiu 0,24% em junho, resultado inferior ao avanço de 0,26% registrado em abril e levemente acima da estimativa mediana do boletim Focus da última semana, de 0,23%.

  • No acumulado do ano, o índice apresenta alta de 2,99%, enquanto, em 12 meses, o avanço é de 5,35%.
  • Vale ressaltar, ainda, que o resultado de junho representa a maior variação para o mês desde 2022, quando houve alta de 0,67%.
  • Além disso, o núcleo do IPCA, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, também se acelerou, passando de 0,22% em maio para 0,30% em junho.
  • O item de maior impacto individual no período foi a energia elétrica residencial, com alta de 2,96% e contribuição de 0,12 ponto percentual ao índice geral. Em contrapartida, o grupo Alimentação e bebidas registraram queda de 0,18%, a primeira retração em nove meses, contribuindo com -0,04 p.p. para o resultado geral.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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