Câmbio deve refletir otimismo com negociações comerciais dos EUA e decisão de juros do BCE
Cotações (10h00min):
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,51 (0,0%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 97,5 pontos (+0,3%)
O mercado de divisas deve repercutir o otimismo de investidores com a possibilidade de acordos comerciais pelos Estados Unidos, bem como dados econômicos para o país e decisão de juros pelo Banco Central Europeu (BCE).
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Decisão de política monetária de junho do Banco Central Europeu – 09h15min.
- Pedidos semanais de auxílio-desemprego dos EUA (DOL) – 09h30min.
- Índice de atividade econômica do Federal Reserve de Chicago – 09h30min.
- Arrecadação federal de junho (SRF) – 10h30min.
- Prévia do Índice Gerente de Compras (PMI) dos EUA industrial, de serviços e consolidado de julho (S&P Global) – 10h45min.
Nova sessão de otimismo entre investidores depende de avanços nas negociações comerciais e dados econômicos nos EUA
Diante do progresso observado nas negociações comerciais dos Estados Unidos com parceiros ontem, os investidores devem permanecer atentos a potenciais novos acordos ao longo da sessão.
- Paralelamente, a divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos pode contribuir para ajustar a percepção de risco e sustentar, ou reverter, o otimismo observado nos últimos dias.
Por que isso é relevante: Caso novas sinalizações de acordo sejam anunciadas pela Casa Branca, especialmente com parceiros comerciais relevantes, e os indicadores econômicos continuem apontando para a resiliência da economia dos EUA, o cenário pode contribuir para a atenuação das preocupações com os impactos das tarifas de importação.
- Essa conjuntura tende a favorecer ativos de maior risco, como ações, commodities e moedas de países emergentes.
- Em contrapartida, a ausência de novos avanços nas negociações e a eventual divulgação de indicadores mais fracos podem reverter o sentimento de mercado e intensificar a aversão ao risco, prejudicando o real.
Panorama geral: Após início de semana sem avanços relevantes, o acordo comercial anunciado ontem entre Estados Unidos e Japão reacendeu o debate sobre uma possível inflexão na postura da Casa Branca, sinalizando maior abertura ao diálogo em substituição à abordagem unilateral adotada desde o início do mês.
Expectativas para o dia: Investidores aguardam possível anúncio de acordo com a União Europeia nos mesmos moldes do pacto firmado com o Japão, o que poderia consolidar uma postura mais moderada da Casa Branca.
- Também está prevista a divulgação de indicadores de emprego e atividade nos EUA, com os pedidos semanais de auxílio-desemprego e as prévias dos Índices Gerentes de Compras (PMI) da S&P Global.
- Até o momento, os dados têm evidenciado poucos impactos das tarifas, com resultados econômicos relativamente robustos e sinais de resiliência.
Visita de Trump ao Federal Reserve intensifica pressão política sobre Powell
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizará na quinta-feira uma visita oficial ao Federal Reserve, segundo informou a Casa Branca.
- Será a primeira vez em quase duas décadas que um presidente americano comparece à sede do banco central — gesto amplamente interpretado como parte da campanha para pressionar o presidente da instituição, Jerome Powell, a reduzir os juros.
Por que isso é importante: A pressão do Executivo sobre o Fed pode prejudicar seriamente a credibilidade da política monetária americana, o que tende a afastar investidores estrangeiros de ativos americanos e a prejudicar o desempenho global do dólar.
Panorama geral: Trump tem criticado reiteradamente Powell por não cortar os juros e já chegou a cogitar publicamente sua demissão, hipótese que enfrenta obstáculos legais relevantes.
- Há desafios jurídicos importantes para essa demissão. A Suprema Corte americana decidiu em 1935 que membros de órgãos independentes, como o Fed, não podem ser demitidos sem justa causa.
- Adicionalmente, em decisão de 22 de maio deste ano, a Suprema Corte afirmou que “discordamos que [as demissões de membros de agências independentes] necessariamente implica na constitucionalidade da remoção de membros do Federal Reserve sem justa-causa”.
Contudo: Mesmo que Trump não demita Powell, ele ainda pode influenciar as expectativas para a política monetária americana de outras formas.
- Powell tem apenas mais dez meses de mandato, e talvez não compense o risco de provocar turbulência nos mercados financeiros com sua demissão.
- Além disso, Trump precisa indicar um sucessor para Adriana Kugler, membra do Conselho de Governadores do Federal Reserve cujo mandato termina em 31 de janeiro.
- Bessent indicou em entrevista recente que a Casa Branca provavelmente aproveitará a indicação para a vaga de Kugler para inserir seu candidato à presidência do Fed no Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) antes do fim do mandato de Powell.
Decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE)
O Banco Central Europeu (BCE) manteve inalterada sua taxa básica de juros, em 2,25% a.a.
- A decisão encerra o ciclo de sete diminuições consecutivas realizada pelo órgão desde setembro do ano passado.
Por que isso é importante: Mais do que a própria decisão em si, investidores devem buscar por indícios sobre os próximos passo da entidade, que deve agir com cautela mediante incertezas com relação aos impactos reais das novas barreiras tarifárias americanas na economia europeia.
- Caso a comunicação reforce o pessimismo com relação à economia do bloco, pode favorecer a expectativa por novos cortes de juros em futuro próximo, o que, por sua vez, tende a fortalecer o dólar frente ao euro e, indiretamente, enfraquecer o real.
Panorama geral: O prolongado ciclo de cortes promovido pelo BCE se baseou em na melhora nas projeções de inflação para a União Europeia, na desaceleração da atividade econômica e na recente intensificação dos riscos associados à escalada das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
- No entanto, especialmente diante do contexto de forte imprevisibilidade com relação à política comercial americana promovida pela Casa Branca, é difícil de prever se essa taxa permanecerá de fato ou os reais impactos dessa alíquota na economia europeia.
- Nesse sentido, a pausa promovida pelo BCE deve ser justificada como um tempo necessário para que o órgão consiga avaliar o cenário de incertezas, podendo voltar a cortar juros na decisão de outubro.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





