Câmbio deve refletir IPCA-15 e negociações entre Brasil e EUA
Cotações (09h10min):
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,53 (+0,2%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 97,7 pontos (+0,2%)
O mercado de divisas deve repercutir a divulgação de dados de inflação no Brasil enquanto aguarda por notícias a respeito das tarifas de importação prometidas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho (IBGE) – 09h00min.
- Estatísticas do setor externo de junho (BC) – 08h30min.
- Encomendas de bens duráveis dos EUA de junho (Census) – 09h30min.
- Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 17h30min.
IPCA-15 de julho acelera acima das expectativas
Nesta manhã, o IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) referente ao mês de julho, que apresentou aceleração acima do esperado.
- Esta foi a última leitura de preços antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para o dia 30 de julho.
Por que isso é importante: A surpresa nos dados reforça a perspectiva de que o Banco Central pode manter os juros em patamar elevado por um período mais prolongado, diante da permanência de riscos inflacionários relevantes.
- O cenário tende a elevar as expectativas de rendimento dos títulos públicos, favorecendo a atratividade de ativos brasileiros no mercado internacional.
Em detalhes:
- O índice cheio avançou 0,33% na leitura mensal, acima dos 0,26% registrados em junho.
- No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 chegou a 5,30%, permanecendo substancialmente acima do teto da meta estipulada pelo Banco Central, de 4,5%.
- O núcleo do índice, que exclui os componentes mais voláteis como alimentação e energia, acelerou para 0,42%, após alta de 0,29% no mês anterior.
- A maior surpresa veio do grupo de serviços, que subiu 0,70% no período, impulsionado por Transportes (+0,67%), Despesas Pessoais (+0,25%), Saúde e Cuidados Pessoais (+0,21%) e Comunicação (+0,11%).
Panorama geral: Na decisão de junho, o Copom sinalizou que a elevação da taxa Selic para 15% ao ano encerraria o atual ciclo de aperto iniciado em setembro de 2024.
- No entanto, diante da persistência da inflação acima da meta, somada à preocupação com os efeitos dos juros elevados sobre a atividade doméstica, seguem as incertezas quanto à trajetória futura da política monetária.
- Nesse sentido, investidores devem continuar acompanhando com cautela os próximos indicadores econômicos, que trarão subsídios para a avaliação do Banco Central.
- Além disso, será dada especial atenção ao comunicado do Copom na decisão de 30 de julho, que deve oferecer sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária.
Brasil mantém negociações com os Estados Unidos diante da iminência de tarifas
Ontem, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, declarou que conversou, no último sábado, com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick.
Por que isso é importante: A existência de interlocução direta entre autoridades brasileiras e norte-americanas aumenta a perspectiva de um eventual entendimento comercial, o que pode reduzir a percepção de risco sobre ativos brasileiros.
- No entanto, a proximidade do início da vigência da tarifa de 50% sobre produtos nacionais, marcada para 1º de agosto, sem avanços substanciais nas tratativas eleva os riscos de depreciação dos ativos domésticos e pode pressionar negativamente a moeda brasileira.
Em detalhes: Durante a conversa, Alckmin reiterou o pedido de abertura de negociações voltadas à contenção das medidas tarifárias previstas, com construção de soluções conjuntas e ampliação da complementaridade econômica entre Brasil e Estados Unidos.
- Até o momento, não estava claro qual era o nível hierárquico norte-americano envolvido nas negociações ou quais canais diplomáticos estavam sendo acionados.
- Ontem, o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, declarou que o encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, manifestou interesse do governo americano em um acesso preferencial a minerais estratégicos e críticos brasileiros.
- O tema divide opiniões dentro do governo federal, mas pode vir a ser uma das frentes adotadas nas negociações como alternativa para mitigar as tensões comerciais entre os dois países.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





