Câmbio deve negociações comerciais americanas
Cotações (10h15min):
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,58 (+0,3%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 98,2 pontos (+0,5%)
O mercado de divisas deve repercutir o anúncio de um acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia, enquanto monitora as tentativas de negociação pelo Brasil.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Boletim Focus semanal (BC) – 08h30min.
• Estatísticas monetária e de crédito de junho (BC) – 08h30min.
• Índice de manufatura do Federal Reserve de Dallas de julho – 11h30min.
• Relatório da Dívida Pública Federal de junho (STN) – 14h30min.
• Balança comercial semanal (Secex) – 15h00min.
EUA e UE chegam a acordo comercial
No final de semana, Estados Unidos e União Europeia anunciaram um acordo comercial que prevê a aplicação de tarifas de importação de 15% pelos EUA a partir de 01 de agosto.
Por que isso é importante: O acordo representa uma vitória da Casa Branca ao elevar a tarifa de importação sobre um de seus maiores parceiros comerciais e ainda obter algumas concessões por parte dos europeus. Isto, por sua vez, favorece o desempenho global do dólar.
Detalhes: Com o acordo, a maior parte das exportações europeias para os EUA serão taxadas em 15%.
- Adicionalmente, a UE se comprometeu a comprar US$ 750 bilhões em produtos energéticos americanos e a investir mais US$ 600 bilhões no país.
- O bloco europeu também vai facilitar o acesso de produtores americanos ao seu mercado de equipamentos militares.
Alguns desentendimentos: O presidente americano, Donald Trump, disse que a tarifa de 15% não inclui o setor farmacêutico nem o de metais como aço e alumínio, sugerindo que as tarifas setoriais sobre esses segmentos se somarão à alíquota básica.
- Já a líder europeia, Ursula Von der Leyen, disse que tarifas setoriais não se somariam à alíquota de 15%, inclusive para medicamentos, chips e automóveis. Já as tarifas sobre metais “serão reduzidas e um sistema de cotas será implementado”, disse ela.
Negociações ainda continuam: Este acordo, assim como os demais anunciados até aqui (Reino Unido, Japão, Vietnã, Filipinas e Indonésia), representa um entendimento formal de pontos de consenso enquanto as negociações por um verdadeiro acordo comercial continuam.
- Embora exista o risco de as conversas chegarem a um impasse e este entendimento ser anulado, ele ainda representa um avanço nas negociações comerciais, aumenta a previsibilidade e diminui as chances de um “conflito tarifário”.
Endurecimento da postura: Em todos os entendimentos anunciados até aqui, os países concordaram com pesadas tarifas sobre a maior parte de seus produtos: 10% para o Reino Unido, 15% para o Japão e União Europeia, 19% para Filipinas e Indonésia e 20% para o Vietnã.
- Isso mostra que a Casa Branca realmente pretende aumentar pesadamente suas barreiras comerciais, o que aumenta os receios de uma “estagflação” dos Estados Unidos, isto é, desaceleração do crescimento junto com um aumento das pressões inflacionárias.
Pessimismo no Brasil: O governo brasileiro tem intensificado suas tentativas de negociação com os EUA para evitar a maior alíquota anunciada até o momento para 01 de agosto, de 50%.
- Há uma percepção de que a Casa Branca deseja punir o Brasil de forma exemplar por conta de suas insatisfações com os processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Essa percepção é reforçada pela ausência de respostas do governo americano às tentativas de negociação do governo brasileiro.
- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tem demonstrado que pretende equiparar qualquer aumento unilateral de tarifas com base na Lei de Reciprocidade Econômica.
- Ao mesmo tempo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo prepara um plano de contingência “com propostas de todo tipo” para suavizar os impactos pela aplicação dessas tarifas.
- Ainda assim, a efetivação de uma tarifa dessa magnitude pode prejudicar seriamente a economia e as exportações brasileiras, o que pode resultar em uma desvalorização do real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





