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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

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Dólar deve refletir ataque de Trump ao Fed e IPCA-15

Cotações (09h45min):
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,40 (-0,2%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 98,2 pontos (-0,2%)

O mercado de divisas deve repercutir a decisão inesperada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de demitir a membra do conselho de governadores do Federal Reserve, Lisa Cook, renovando preocupações sobre a autonomia do órgão. No cenário doméstico, investidores avaliam a divulgação do IPCA-15, buscando calibrar as apostas para a condução futura da política monetária no Brasil.

Agenda do dia (horário de Brasília):

•    Estatísticas do setor externo de julho (BC) – 08h30min.
•    Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de agosto – 09h00min.
•    Encomendas de bens duráveis de julho (Census) – 09h30min.
•    Palestra do presidente do Federal Reserve de Richmond, Tom Barkin – 09h30min.
•    Índice de confiança do consumidor dos EUA de agosto (Conference Board) – 11h00min.
 

Trump anuncia demissão de membra do Fed

Carta de Donald Trump anunciando a demissão de Lisa Cook

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Fonte: Casa Branca.

Na noite de ontem (25), o presidente dos Estados Unidos anunciou a demissão da membra do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Lisa Cook.

  • Cook, por sua vez, afirmou que o presidente não deixará o seu cargo, pois Trump não possuiria justa-causa para sua demissão e, por isso, não possui autoridade para removê-la.
  • O mandato de Cook vai até 2038.

Por que isso é importante: Os ataques frequentes de Trump e líderes do partido Republicano ao Federal Reserve e seus integrantes gera temores de uma interferência política na condução da política monetária, o que tende a diminuir a credibilidade das instituições econômicas americanas e, por consequência, penalizar o desempenho dos ativos do país, desvalorizando o dólar globalmente.

Ataques a Powell: O presidente dos EUA, Donald Trump, tem criticado o Federal Reserve e seu presidente, Jerome Powell, quase diariamente, frustrado pelas decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de não reduzir as taxas de juros americanas.

  • Em abril, Trump afirmou em rede social que “a demissão de Powell não pode chegar mais rápido”.
  • No mesmo mês, o Wall Street Journal reportou que advogados da Casa Branca exploraram opções legais para tentar remover Powell do Federal Reserve, incluindo se poderiam fazê-lo sob “justa causa”.
  • Em maio, Trump confirmou reportagens de imprensa de que ele estudava antecipar o anúncio do sucessor de Powell a fim de influenciar as expectativas para a política monetária americana.
  • Em junho, Trump voltou a afirmar em rede social que poderia demitir Powell.
  • No fim de junho, Trump enviou uma carta a Powell criticando o patamar de juros americanos e afirmando que ele custou “uma fortuna” aos EUA.
  • Em julho, a Casa Branca elevou a pressão contra Powell, alegando que ele mentiu ou foi grosseiramente negligente em seu testemunho ao Congresso quanto às renovações da sede do Fed, buscando uma alternativa legal para sua demissão.
  • Também em julho, Trump confirmou reportagens de imprensa de que ele discutiu a demissão de Powell com deputados do Partido Republicano na noite anterior, porém que era “altamente improvável” que ele o faria.
  • E no final desse mesmo mês, Trump fez uma visita oficial às obras de renovação do Fed, criticando os custos da obra e o nível de juros americano diante de Powell.

Ataques a Cook: Em 20 de agosto, a Casa Branca ampliou sua pressão ao Fed, com o diretor da Agência Federal de Financiamento Habitacional dos Estados Unidos, Bill Pulte, acusando Lisa Cook de cometer fraude hipotecária.

  • Pulte é um dos principais defensores da demissão de Powell por conta dos custos das obras de renovação do Fed, e já acusou de fraude hipotecária outros adversários políticos de Trump, como o senador democrata Adam Schiff e a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James.
  • Embora um funcionário do Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter sinalizado que pretende investigar as acusações contra Cook, até o momento não há notícias de que essa investigação esteja em curso.
  • Em nota após a acusação de Pulte, Cook afirmou que estava pronta para prestar esclarecimentos sobre seu histórico financeiro, mas que não iria renunciar sob pressão de postagens de rede social.

Legalidade questionável: Há desafios jurídicos importantes para a demissão de um integrante do Federal Reserve. A Suprema Corte americana decidiu em 1935 que membros de órgãos independentes, como o Fed, não podem ser demitidos sem justa causa.

  • Adicionalmente, em decisão de 22 de maio deste ano, a Suprema Corte afirmou que “discordamos que [as demissões de membros de agências independentes] necessariamente implica na constitucionalidade da remoção de membros do Federal Reserve sem justa causa”.
  • Em sua carta, Trump afirmou que a acusação de fraude imobiliária constitui “justa causa” para a demissão de Cook.
  • Contudo, essa justificativa é dúbia e deve ser questionada na justiça americana, visto que não há investigação em curso, indiciamento ou condenação de Cook pelo crime.
  • Cook, por sua vez, afirmou que a justificativa não é válida e que ela não deixará o seu cargo.

Ampliando sua influência no Fed: Se a Casa Branca tiver sucesso na demissão de Cook, Trump poderá indicar mais um membro ao Federal Reserve.

  • Adriana Kugler, outra membra do Conselho de Governadores, renunciou ao seu cargo no começo de agosto, e Trump indicou Stephen Miran, atual chefe do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, como substituto.
  • Trump busca aprovar Miran no Senado o mais rápido possível para tentar inseri-lo na decisão de política monetária de 17 de setembro.
  • O mandato de Kugler se encerra em 31 de janeiro, e uma nova indicação e aprovação no Senado serão exigidas para quem for assumir o novo mandato, a partir de fevereiro.
  • O mandato de Powell como presidente do Federal Reserve se encerra em 15 de maio, porém seu mandato como membro do Conselho de Governadores vai até 31 de janeiro de 2028.
  • Powell não indicou se pretende continuar como membro após o final de sua presidência. Caso opte por não continuar, Trump poderá indicar mais uma pessoa ao Fed.

 

IPCA-15 registra primeira deflação desde julho de 2023, mas núcleo do indicador segue resiliente

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou deflação de 0,14% em agosto, após alta de 0,33% em julho. A divulgação registrou a primeira variação negativa do indicador desde julho de 2023.

  • Apesar da desaceleração do índice cheio, o núcleo, que exclui itens voláteis como alimentação e energia, permaneceu resiliente, com alta de 0,40%, após avanço de 0,42% no mês anterior.

Por que isso é importante: A moderação do índice cheio, por um lado, contribui para reduzir o acumulado em 12 meses e pode reforçar a percepção de convergência da inflação à meta do Banco Central.

  • No entanto, a ausência de desaceleração equivalente nos componentes menos voláteis limita essa leitura, sugerindo que a melhora pode ser temporária.
  • A composição mais pressionada do núcleo, nesse sentido, tende a sustentar as apostas de que o BC manterá os juros elevados por mais tempo, o que aumenta a atratividade dos títulos públicos brasileiros, favorece a entrada de capital estrangeiro e apoia o desempenho do real.

Em detalhes: A queda do índice cheio foi influenciada principalmente pelo recuo da energia elétrica residencial (-4,93%), que retirou 0,20 p.p. do IPCA-15.

  • Também contribuiu para a deflação o grupo de Alimentação e bebidas (-0,53% e -0,12 p.p.).
  • Como o núcleo do indicador exclui justamente esses dois componentes, ambos de forte peso e volatilidade, sua variação manteve-se mais resistente no mês.
  • No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 recuou para 4,95%, abaixo de 5% pela primeira vez desde fevereiro, mas ainda acima do teto da meta de inflação do BC (4,5%).

Panorama geral: Para que ocorra uma reprecificação mais ampla das apostas de corte da Selic ainda no segundo semestre, devem ser necessários mais sinais consistentes de estabilização da inflação, especialmente nos núcleos.

  • No momento, a leitura predominante entre investidores é de que o BC não deve se apressar na flexibilização monetária, mantendo o foco no acompanhamento dos próximos indicadores de inflação e atividade.
  • Na ata da última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reiterou que segue avaliando os “impactos acumulados do ajuste monetário já realizado, ainda por serem observados, (...) [e se são] suficientes para assegurar a convergência da inflação à meta”.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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