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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir expectativa por decisões de juros no Brasil e nos EUA

Cotações (09h40min):
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,31 (-0,1%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 97,0 pontos (-0,3%)

Em dia de agenda esvaziada, o mercado de divisas deve repercutir a expectativa pelas decisões de política monetária do FOMC e do Copom, bem como a ameaça de imposição de “medidas adicionais” pela Casa Branca ao Brasil.  

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de julho (IBGE) – 09h00min.
  • Vendas do varejo dos EUA de agosto (Census) – 09h30min.
  • Produção industrial americana de agosto (Federal Reserve) – 10h15min.
  • Monitor do PIB brasileiro de julho (FGV) – 10h15min.

Expectativa por corte de juros nos EUA

O dólar prolonga seu enfraquecimento global na manhã desta terça-feira por conta da expectativa de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) reduzirá sua taxa de juros em 0,25 p.p. na decisão da quarta-feira (17).

Por que isso é importante: A expectativa de uma sequência de cortes de juros pelo Fed nos próximos meses diminui a perspectiva de rentabilidade de títulos americanos e prejudica a atração de investimentos estrangeiros, o que tende a desvalorizar o dólar globalmente.

Panorama geral: A reunião de amanhã ocorre em um contexto de forte pressão política da Casa Branca sobre a autoridade monetária.

  • Trump tenta demitir a membra do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Lisa Cook, desde o final de agosto, algo inédito nos mais de 100 anos da instituição, mas foi impedido judicialmente duas vezes.
  • Paralelamente, o Senado dos EUA confirmou na noite de ontem Stephen Miran, assessor econômico da Casa Branca, para ocupar uma vaga no Conselho até o final de janeiro e participar das decisões do FOMC nesse período.
  • Por conta das pressões da Casa Branca sobre o Fed, Miran é visto como um integrante politicamente viesado e integrado às prioridades do Executivo. Por isso, antecipa-se que ele votará na quarta-feira por um corte de juros expressivo, de 0,50 p.p. ou mais.

Foco nas projeções: Como há praticamente consenso de que o FOMC reduzirá sua taxa de juros em 0,25p.p., o foco de investidores recai sobre a coletiva de imprensa do presidente do Fed, Jerome Powell, e, principalmente, na divulgação das Projeções Econômicas Sumarizadas.

  • Essas projeções trazem estimativas de todos os integrantes do FOMC para crescimento econômico, desemprego, inflação e taxa de juros nos EUA entre 2025 e 2027.
  • Neste momento, investidores apostam que o Federal Reserve realizará três cortes de juros consecutivos neste ano e outros três ao longo de 2026.
  • Porém, é possível que os membros do FOMC enxerguem, em sua mediana, uma trajetória mais lenta de reduções nos níveis de juros, dada a preocupação com o cenário inflacionário mencionada em decisões anteriores.

Novos indicadores: Em meio a um contexto de preocupações menores quanto a riscos inflacionários e temores mais elevados de enfraquecimento do mercado de trabalho, investidores acompanham a divulgação de dados econômicos para calibrar suas expectativas para a evolução da economia americana.

  • Vendas do varejo: As vendas do varejo americano cresceram 0,6% no mês de agosto, alta idêntica a julho e acima da estimativa mediana de 0,3%. Adicionalmente, as vendas do varejo excluindo automóveis e combustíveis aumentaram em 0,7% em agosto, sinalizando a resiliência do consumo dos americanos e diminuindo temores de uma possível desaceleração da economia.
  • Produção industrial: A produção industrial americana deve ter se mantido estável em agosto, prejudicada por um cenário de custos crescentes de insumos e desaceleração na demanda do consumidor.

Expectativa por Selic estável

No Brasil, investidores também aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que deve manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada amanhã, preservando-a em 15,00% ao ano.

Por que isso é importante: Embora o movimento de enfraquecimento do dólar seja global, a perspectiva favorável para o diferencial de juros brasileiro tem contribuído para a atração de capitais externos e impulsionado o real nos últimos dias.

  • Se, por um lado, investidores esperam um ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve a partir desta quarta-feira, por outro o Banco Central tem se esforçado em sinalizar que a taxa básica de juros deve se manter estável por um “longo período”, pelo menos pelo segundo semestre.

Panorama geral: Na reunião de 30 de julho, o comunicado do Copom reforçou sua sinalização que a taxa permaneceria no nível atual por um “período bastante prolongado”.

  • Essa postura se justifica pela inflação ainda acima da meta do BC e pela percepção de que o mercado de trabalho segue moderadamente aquecido.
  • Nas últimas semanas, no entanto, a divulgação de índices de inflação mais moderados resultou em uma percepção de que o início do ciclo de cortes possa ser antecipado.
  • Em entrevista recente, porém, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, buscou relativizar essa percepção, afirmando que, embora as projeções de inflação estejam sendo revisadas para baixo, elas ainda permanecem acima da meta para os próximos dois anos e a convergência ocorre de forma lenta.

Novas ameaças da Casa Branca ao Brasil

Em entrevista concedida ontem, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a Casa Branca deve anunciar, na próxima semana, uma resposta ao Brasil em razão da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

  • Questionado sobre qual seria a reação dos EUA, Rubio evitou dar detalhes, mas indicou que o governo americano prepara “medidas adicionais”.
  • A declaração ocorre um dia após a publicação de um artigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que defendeu a atuação do STF e disse que “Não houve caça às bruxas”.

Por que isso é importante: A piora nas relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o que aumentaria a percepção de riscos de ativos domésticos e enfraqueceria o real.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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