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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir tensão entre China e EUA, falas do Fed e audiência de Haddad

Cotações (09h15min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,50 (+0,7%)
Dollar Index (DXY): ~ 99,4 pontos (+0,1%)


O mercado de divisas deve repercutir a elevação do sentimento de aversão ao risco no exterior, em meio a uma deterioração das relações entre Estados Unidos e China. Adicionalmente, investidores acompanham falas de autoridades econômicas no Brasil e nos EUA.


Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de setembro (IBGE) – 09h00min.
  • Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de agosto (IBGE) – 09h00min.
  • Palestra da vice-presidente de supervisão do Federal Reserve, Michelle Bowman – 09h45min.
  • Palestra do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – 10h00min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 13h20min.
  • Palestra de membro do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Christopher Waller – 16h25min.
  • Palestra da presidente do Federal Reserve de Boston, Susan Collins – 16h30min.

Tensão entre China e Estados Unidos

Nesta manhã, os mercados internacionais registravam um movimento de busca por ativos considerados “porto-seguros” para momentos de estresse e incerteza, como o ouro e o dólar, em função de temores de uma escalada nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

  • Hoje, autoridades chinesas impuseram sanções contra cinco subsidiárias americanas da empresa sul-coreana Hanwha Ocean, movimento interpretado por analistas como mais um capítulo na escalada do embate comercial com os EUA.
  • Além disso, novas declarações de autoridades americanas e chinesas reforçam a percepção de tensão, expondo a fragilidade da trégua temporária firmada entre os dois países.

Por que isso é importante: O aumento das tensões entre os dois países gera receios de um retorno de barreiras comerciais significativas entre as duas maiores economias globais, o que pode causar uma desaceleração mais intensa do crescimento de ambas.

  • A perspectiva de desaceleração da demanda chinesa e americana, por sua vez, pode aumentar a aversão a riscos globais entre investidores, o que prejudicaria o desempenho de ativos arriscados, como o real.

Panorama: Após meses de imposição mútua de barreiras comerciais, EUA e China haviam atingido uma trégua temporária, diminuindo as tarifas de importação de ambos até o dia 10 de novembro.

  • Porém, na semana passada, autoridades chinesas divulgaram um plano de restrição às exportações de minerais críticos de terras raras, essenciais para muitas aplicações industriais.
  • Na sexta-feira (10), além disso, Pequim informou que passaria a aplicar hoje sobretaxas a navios de bandeira, propriedade ou operação americana, em resposta a medidas semelhantes impostas por Washington.
  • Em contrapartida, o presidente dos EUA ameaçou impor “tarifas maciças” sobre produtos chineses e até cancelar o encontro previsto com o presidente Xi Jinping, marcado para 29 de outubro em Gyeongju, Coreia do Sul, reunião que Pequim nunca chegou a confirmar oficialmente.

Tom mais forte das autoridades: Investidores também repercutem uma mudança na retórica entre os dois países.

  • Em entrevista divulgada hoje, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, declarou que a China estaria tentando “derrubar todos os demais países junto com ela” ao restringir a exportação de minerais críticos.
  • Em resposta, o Ministério do Comércio da China acusou os EUA de “intimidar” com a ameaça de novas tarifas, afirmando que o país “lutará até o fim” nas negociações comerciais.

 

Falas de dirigentes do Federal Reserve

Enquanto a paralisação do governo prejudica a divulgação de indicadores econômicos nos EUA, investidores devem buscar pistas sobre a trajetória dos juros americanos em falas de integrantes do Federal Reserve (Fed).

  • Nesta terça-feira, o foco dos investidores deve ser na fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

Por que isso é importante: Após a ata da última decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) mostrar um dissenso maior que o antecipado, investidores buscam pistas sobre a decisão de juros de 29 de outubro na fala dos dirigentes.

  • Caso as falas dos dirigentes tragam dúvidas sobre a possibilidade de um novo corte de juros em outubro, isto elevaria as perspectivas de rendimentos de títulos americanos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

Panorama: Em 17 de setembro, o FOMC cortou seus juros pela primeira vez no ano, com 11 votos a favor de uma redução de 0,25 p.p. e uma de 0,50 p.p.

  • Em falas após a decisão, os membros do Federal Reserve têm mostrado uma divergência significativa quanto à interpretação do cenário e dos riscos atuais e, consequentemente, da trajetória mais apropriada para os juros americanos.
  • A falta de clareza sobre a trajetória dos juros no país é também intensificada pelo atual “apagão” de dados, resultado da paralisação do governo americano desde o início de outubro.
  • Indicadores cruciais, como o Relatório de Emprego (payroll), não foram divulgados, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), originalmente previsto para esta semana, foi adiado e deve ser publicado apenas em 24 de outubro, com dúvidas significativas sobre sua precisão.

 

Fala de Haddad no Senado

No Brasil, investidores também acompanham nesta terça-feira a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que discutirá o projeto de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil mensais.

  • O tema ganha relevância após a última semana ter sido marcada por notícias de caráter fiscal que intensificaram os temores em relação à sustentabilidade das contas públicas, resultando em forte desvalorização de ativos brasileiros, como o real.

Por que isso é importante: A ampliação da percepção de risco fiscal pode levar investidores a exigir prêmios de risco mais elevados, dificultando a atração de capital estrangeiro e aumentando a volatilidade do câmbio, com tendência de enfraquecimento do real.

Panorama: Na semana passada, a percepção de investidores para riscos fiscais de ativos brasileiros aumentou rapidamente em meio a notícias de aumento dos gastos públicos para 2026 e à derrubada da Medida Provisória que substituía a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) por um aumento de alíquotas de outros tributos, anulando seus efeitos.

  • Por isso, investidores devem monitorar comentários sobre eventuais mudanças na condução da política fiscal, seja pela busca de fontes alternativas de receita ou pela redução de despesas.

Mudanças no IR: A proposta, aprovada por unanimidade na Câmara dos Deputados em forma de substitutivo, também prevê a ampliação da faixa de isenção parcial para quem ganha até R$ 7.350. Trata-se de uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

  • Para compensar a perda de arrecadação, o texto estabelece uma alíquota adicional de 10% sobre rendimentos anuais acima de R$ 600 mil (equivalente a R$ 50 mil mensais).
  • A medida deve atingir cerca de 141,1 mil contribuintes de alta renda, ao mesmo tempo em que beneficiará aproximadamente 16 milhões de pessoas.
  • Atualmente, a alíquota efetiva para essa faixa de renda é de apenas 2,5% sobre os rendimentos totais, o que reforça o caráter redistributivo da proposta.

 

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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