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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir isenção de tarifas americanas e mau humor externo

Cotações (09h20min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,31 (+0,4%)
= Dollar Index (DXY): ~ 99,2 pontos (0,0%)

O mercado de divisas deve repercutir o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a redução das tarifas de importação para produtos agrícolas provenientes de determinados países da América Latina, sem a inclusão do Brasil. Adicionalmente, as expectativas em relação à condução da política monetária do Federal Reserve, bem como a divulgação de indicadores econômicos da China, podem influenciar a percepção de risco dos investidores ao longo da sessão.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do terceiro trimestre de 2025 (IBGE) – 09h00min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve de Kansas City, Jeffrey Schmid – 12h05min.
  • Palestra da presidente do Federal Reserve de Dallas, Lore Logan – 16h30min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic – 17h20min.

 

EUA prepara acordos comerciais com países da América Latina

Segundo reportagens, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está preparando cortes substanciais de tarifas e uma série de novos acordos comerciais, incluindo entendimentos preliminares com Argentina, Guatemala, El Salvador e Equador, para reduzir os preços de alimentos não produzidos nos EUA.

 

Por que isso é importante: Embora os acordos ainda não sejam oficiais e faltem detalhes sobre os produtos e países envolvidos, a ausência do Brasil na lista inicial, importante exportador de café e carne para os Estados Unidos, pode elevar a percepção de risco para ativos domésticos, o que pode pressionar a moeda brasileira.

 

Em detalhes: Os acordos anunciados preveem redução de tarifas e barreiras sobre itens básicos, como carne bovina, bananas e grãos de café, em uma tentativa de aliviar os preços de alimentos nos EUA.

  • Os entendimentos devem ser concluídos em cerca de duas semanas e devem focar na isenção de tarifas para produtos específicos, sem alterar tarifas recíprocas já existentes.
  • Serão removidas as tarifas sobre itens agrícolas que não são produzidos nos Estados Unidos, em linha com acordos recentes firmados com países asiáticos, como a Indonésia, que obteve isenção para a exportação de óleo de palma, cacau e borracha aos EUA.
  • Contudo, as tarifas atuais serão mantidas para o restante dos produtos, com 10% para bens provenientes de El Salvador, Guatemala e Argentina, e 15% para importações do Equador, onde os EUA registram déficit comercial.
  • Vale adicionar também que, segundo notícias, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, discutiram nesta semana um possível arcabouço para um acordo comercial entre Brasil e EUA, embora detalhes sobre avanços não tenham sido divulgados.

 

Diminuição das apostas por cortes de juros nos EUA

A diminuição do apetite por risco observada nesta manhã parece refletir, em grande parte, novas declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed) realizadas ontem.

  • Um número crescente de autoridades monetárias do país tem sinalizado dúvida em relação a novos cortes de juros, movimento que reduziu as probabilidades de uma redução na taxa básica na reunião de dezembro para menos de 50%, segundo a ferramenta CME FedWatch.

 

Por que isso é importante: A redução das apostas em cortes de juros nos Estados Unidos tende a elevar as expectativas de rentabilidade dos títulos do Tesouro americano, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Panorama: As expectativas de continuidade do ciclo de cortes, que há menos de um mês eram quase consensuais, deram lugar a incertezas significativas.

  • Dirigentes do Fed destacam preocupações com a inflação e sinais de relativa estabilidade no mercado de trabalho, após duas reduções de juros neste ano.
  • Além disso, a falta de indicadores econômicos importantes em meio à paralisação do governo americano intensifica o cenário de baixa visibilidade.
  • Ontem, Mary Daly, presidente do Fed de San Francisco, afirmou que qualquer decisão tomada quatro semanas antes da próxima reunião seria “prematura”.
  • Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, que há poucos meses defendia um terceiro corte ainda este ano, classificou os sinais recentes da economia como “mistos”, sugerindo que também pode ter mudado de posição.
  • Hoje, novas falas de dirigentes seguirão sendo monitoradas pelos investidores, em busca de pistas adicionais sobre a condução da política monetária.

Apostas para a decisão de juros do Federal Reserve de 10 de dezembro

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 12 de dezembro de 2024.

Dados econômicos mais fracos na China

O menor apetite por risco de investidores globais nesta manhã também podem refletir a divulgação de indicadores mais fracos da atividade econômica chinesa.

  • Em outubro, a produção industrial e as vendas no varejo cresceram no ritmo mais lento em mais de um ano, sinalizando perda de fôlego na segunda maior economia do mundo.

 

Por que isso é importante: A desaceleração da economia chinesa tende a intensificar os sentimentos de cautela entre investidores globais, especialmente penalizando ativos de países exportadores de commodities e fortemente vinculados ao mercado chinês, como o Brasil, o que pode impactar negativamente o real.

 

Panorama: A atividade econômica da China arrefeceu mais do que o esperado no início do quarto trimestre, pressionada por uma queda inédita nos investimentos e pelo enfraquecimento do consumo.

  • Investimentos em ativos fixos recuaram 1,7% nos dez primeiros meses do ano, maior declínio já registrado para o período.
  • A produção industrial avançou 4,9% em outubro na comparação anual, menor ganho desde o início do ano.
  • Vendas no varejo cresceram apenas 2,9%, marcando a quinta desaceleração consecutiva, a mais longa desde 2021.
  • A taxa de desemprego urbano, por outro lado, caiu levemente para 5,1%.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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