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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Câmbio deve repercutir novas tarifas americanas e PIB da China

Cotações (09h10min):
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,38 (+0,2%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 99,15 pontos (-0,2%)

Em dia de agenda esvaziada, o mercado de divisas deve repercutir o aumento das tensões geopolíticas globais, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que passará a taxar uma série de país europeus em pressão pela aquisição da Groelândia. Além disso, investidores repercutem a divulgação do PIB da China do quarto trimestre de 2025. 

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Índice de Preços ao Consumidor da Zona do Euro (Eurostat) – 07h00min.
  • Boletim Focus semanal (BC) – 08h25min.
  • Palestra do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – 10h00min.
  • Balança comercial semanal (Secex) – 15h00min.

Novas tarifas da Casa Branca

Os investidores no exterior operam nesta manhã sob forte aversão ao risco, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas adicionais de 10% sobre exportações de países europeus contrários à incorporação da Groenlândia pelos EUA.

  • As medidas afetariam Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido, permanecendo em vigor até que os Estados Unidos obtenham autorização para adquirir o território.
  • Segundo o presidente norte-americano, a primeira rodada de tarifas entraria em vigor em 1º de fevereiro e, na ausência de um acordo, as alíquotas seriam elevadas para 25% a partir de 1º de junho.

 

Por que isso é importante: A ameaça de imposição de novas tarifas tende, em princípio, a amplificar o sentimento de aversão ao risco global, com potenciais impactos negativos sobre moedas de países emergentes e dos próprios países atingidos.

  • Contudo, nas primeiras negociações desta manhã, o movimento observado nesta manhã é do dólar apresentando desvalorização generalizada, em meio ao aumento da percepção de risco associada a ativos norte-americanos, refletindo preocupações com escalada geopolítica e imprevisibilidade da política comercial dos EUA.
  • Nesse contexto, a fraqueza do dólar pode favorecer o desempenho do real ao longo da sessão, embora o pano de fundo permaneça volátil e sensível.

 

Panorama: Em resposta às declarações da Casa Branca, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que “a Europa não será chantageada” pelas ameaças tarifárias relacionadas à Groenlândia.

  • Frederiksen e outros líderes europeus divulgaram um comunicado conjunto alertando que a iniciativa pode minar as relações transatlânticas e desencadear uma “espiral perigosa” de retaliações comerciais.
  • Trump sustenta que a Groenlândia é estratégica para a segurança nacional dos Estados Unidos e reiterou que Washington obteria o território “pela via fácil ou pela via difícil”, sem descartar explicitamente o uso de força.
  • Segundo o presidente, as tarifas permaneceriam “devidas e exigíveis até que um acordo para a compra completa e total da Groenlândia fosse alcançado”, conforme publicado em sua plataforma.

 

PIB da China

A economia chinesa cresceu 4,5% no quarto trimestre em termos anuais, desacelerando em relação ao ritmo de 4,8% observado no terceiro trimestre.

  • Mais uma vez, o desempenho agregado foi sustentado majoritariamente pelo setor manufatureiro orientado à exportação, em contraste com a fragilidade persistente dos segmentos voltados à demanda doméstica.
  • Os dados divulgados reforçam essa divergência, com a produção industrial avançando 5,9% em 2025, superando com folga o crescimento das vendas no varejo (3,7%), enquanto o investimento imobiliário recuou 17,2% no acumulado do ano.
  • Com o resultado do quarto trimestre, a China encerrou 2025 com crescimento de 5,0%, em linha com a meta oficial estabelecida pelo governo.

 

Por que isso é importante: O crescimento novamente em conformidade com o objetivo das autoridades chinesas tende a reduzir preocupações em torno de uma desaceleração mais aguda da segunda maior economia do mundo, afastando movimentos mais intensos de aversão ao risco global. Em tese, esse cenário é favorável a ativos sensíveis ao crescimento, como moedas de países emergentes, em especial daqueles com elevada integração comercial com a China, como o real.

  • Ainda assim, a percepção de que esse ritmo pode não ser sustentável nos próximos trimestres deve manter os investidores cautelosos, limitando a transmissão positiva desse fator para os mercados locais no curto prazo.

 

Panorama: Apesar da desaceleração no final do ano, a segunda maior economia do mundo demonstrou resiliência ao longo de 2025, favorecida por aumentos de tarifas dos Estados Unidos menores do que o inicialmente esperado e pelos esforços dos exportadores chineses em diversificar mercados para além do eixo EUA.

  • A base desse desempenho continuou sendo o setor industrial. A China reportou um superávit comercial recorde próximo a US$ 1,2 trilhão em 2025, impulsionado pela diversificação das exportações.
  • Em contrapartida, a dinâmica do consumo doméstico permanece como principal ponto de fragilidade. O gasto das famílias representa menos de 40% do PIB, aproximadamente 20 pontos percentuais abaixo da média global.
  • Nesse contexto, a incapacidade de redirecionar recursos em direção ao consumidor doméstico e de reativar setores dependentes da demanda interna eleva o risco de uma desaceleração mais pronunciada do crescimento nos próximos anos.


TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 125269Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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