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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Eleições japonesas fortalecem o iene e pressionam a moeda americana

Cotações (09h20min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,20 (-0,2%)
Dollar Index (DXY): ~97,2 pontos (-0,5%)

A moeda americana perdia força ante o real brasileiro e divisas de economias avançadas nesta segunda-feira (9), prolongando o movimento observado no fechamento da semana passada. Nos primeiros minutos do pregão o par real/dólar recuava cerca de 0,3%, cotado a R$ 5.207. As altas do euro e do iene, repercutindo o resultado das eleições parlamentares no Japão – que garantiram uma supermaioria para a primeira-ministra Sanae Takaichi na câmara baixa –, definiam a queda do dollar index durante a manhã.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Boletim Focus semanal (BC) – 08h25min.
  • Palestra do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo – 09h30min.
  • Palestra da presidente do Banco Central Europeu (BCE) – 13h00min.
  • Balança comercial semanal (Secex) – 15h00min.
  • Palestra do membro do conselho de governadores do Federal Reserve, Christopher Waller – 15h30min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve de Atlante, Raphael Bostic – 17h15min.
  • Palestra do membro do conselho de governadores do Federal Reserve, Stephen Miran – 19h00min.

Iene se fortalece após eleições no Japão

No exterior, o iene apresentava valorização nas primeiras negociações desta segunda‑feira, após a vitória expressiva do Partido Liberal Democrático (PLD) nas eleições parlamentares, sob a liderança da primeira‑ministra Sanae Takaichi.

  • O movimento reflete a avaliação dos investidores de que a nova configuração política aumenta a probabilidade de estímulos fiscais adicionais, o que impulsiona o mercado acionário japonês.
  • Diante da consolidação de uma agenda pró‑crescimento, contudo, analistas avaliam os impactos dessa estratégia sobre a dinâmica fiscal do país, historicamente uma fonte de preocupação para os mercados.
  • Embora uma política fiscal mais expansionista tenda a ser positiva para a atividade econômica, ela também pode intensificar pressões inflacionárias, antecipando possíveis novas elevações de juros por parte do Banco do Japão (BoJ).
  • A premiê reiterou que pretende conduzir uma política fiscal “responsável, porém agressiva”, reforçando o viés expansionista do novo governo.

 

Por que isso é importante: A perspectiva de aumento dos gastos fiscais no Japão tende a favorecer o mercado acionário local e, simultaneamente, eleva as expectativas de que o Banco do Japão precise adotar uma política monetária mais restritiva para conter riscos inflacionários.

  • Esse cenário tende a fortalecer o iene frente ao dólar, contribuindo para um enfraquecimento global da moeda americana, movimento que, de forma indireta, também favorece o real.

 

Tensões entre EUA e Irã permanecem

Na última sexta‑feira (06), representantes dos governos dos Estados Unidos e do Irã se reuniram em Omã para discutir uma possível desescalada das tensões geopolíticas entre os dois países.

  • O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista que as conversas ocorreram em uma “atmosfera muito positiva”, embora tenha ressaltado que o diálogo ainda se dá em um contexto de “desconfiança mútua” entre as partes, a qual precisaria ser superada.
  • Segundo ele, eventuais detalhes sobre uma próxima rodada de negociações seriam definidos posteriormente.
  • Apesar da retomada do diálogo, investidores permanecem céticos quanto à possibilidade de uma desescalada mais consistente, especialmente após o chanceler iraniano reforçar que o governo do país não pretende encerrar seu programa de enriquecimento de urânio, ponto central de atrito com os Estados Unidos.

 

Por que isso é importante: Embora a conversa inicial indique a direção de um possível acordo, a ausência de avanços concretos mantém os mercados financeiros globais em postura cautelosa, com viés de aversão ao risco.

  • Esse ambiente tem favorecido a valorização do ouro e paralelamente favorecido os preços do petróleo nesta manhã.
  • Por sua vez, esse movimento pode contribuir para a fraqueza do dólar em termos globais, ao mesmo tempo em que tende a beneficiar países exportadores de commodities energéticas, como o Brasil.

 

Panorama: As conversas ocorrem em um contexto de reforço da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, em resposta à repressão violenta do governo iraniano a protestos nacionais no mês passado.

  • Nas últimas semanas, o presidente Donald Trump ameaçou bombardear o Irã caso não haja avanço em um acordo, enquanto os Estados Unidos enviaram milhares de soldados adicionais e ativos militares para a região.
  • Em contrapartida, o Irã tem reiterado que responderá a qualquer ataque com força, ameaçando atingir ativos militares americanos no Oriente Médio.

 

Pequim recomenda diversificação de portfólios

Autoridades do governo chinês passaram a recomendar a redução da exposição dos bancos do país a títulos do Tesouro americano. A medida, introduzida como mecanismo de diversificação de riscos, reforça a percepção de perda de atratividade de ativos da economia americana e de que haja um movimento mais estrutural de desdolarização (debasement trade) entre os investidores.

  • A instrução é direcionada especialmente para instituições com elevada participação de treasuries em suas carteiras, e não se reflete no balanço de ativos detidos por órgãos oficiais chineses. Títulos de curto prazo são um instrumento importante de liquidez em dólares para a autoridade monetária da China.
  • De maneira agregada, os investimentos chineses em títulos e ações dos EUA permanecem relativamente estáveis desde o final de 2023.

 

Por que isso é importante: Ao longo de 2025, e notadamente no início deste ano, o dólar vem sofrendo pressão pelo aumento dos temores com a atuação do governo americano no cenário internacional e com a possibilidade de interferência nas decisões de política monetária. Essa perda de confiança tem contribuído ao mesmo tempo para o avanço na demanda por ativos considerados seguros, como os metais preciosos, e na redução da exposição de investidores a ativos americanos.     

 


TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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