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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Câmbio deve refletir tensões no Oriente Médio e dados de desemprego no Brasil

Cotações (09h05min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,25 (+0,7%)
Dollar Index (DXY): ~98,96 pontos (+0,2%)

As ações militares no Oriente Médio seguem condicionando o comportamento dos mercados financeiros nesta quinta‑feira. Após um breve aumento do apetite por risco observado ontem, os investidores mostram-se mais cautelosos nas primeiras operações de hoje, o que tende a limitar a continuidade do movimento de recuperação da última sessão. Na esfera econômica, o foco recai sobre as declarações de dirigentes do Banco Central e do Federal Reserve, bem como sobre a divulgação de dados de desemprego no Brasil.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de janeiro (IBGE) – 09h00min.
  • Palestra do diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David – 10h00min.
  • Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 10h30min.
  • Índice de preços de exportação e importação dos EUA de janeiro (BLS) – 10h30min.
  • Discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde – 14h00min.
  • Balança comercial de fevereiro (Secex) – 15h00min.
  • Palestra da vice-presidente para supervisão do Federal Reserve, Michelle Bowman – 15h00min.

Conflito no Oriente Médio segue sem avanços diplomáticos

O foco dos mercados financeiros nesta quinta‑feira recai novamente sobre o conflito militar no Oriente Médio, que entra em seu sexto dia com poucas indicações de avanço diplomático.

 

Panorama: As tensões geopolíticas na região se intensificaram após o naufrágio de um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka em decorrência de ataque norte‑americano. O governo do Irã, nesta manhã, afirmou que os Estados Unidos “se arrependerão amargamente” do ataque.

  • Nesta quinta-feira, além disso, os confrontos diretos entre Irã e Israel permaneciam ativos, com relatos de que Israel teria lançado uma nova série de ataques a prédio vinculados a autoridades iranianas.

 

Reação dos mercados financeiros: Nos últimos dias, a reação dos ativos globais tem se mostrado significativamente atrelada ao comportamento dos preços futuros de petróleo.

  • Nas duas primeiras sessões da semana, o avanço das cotações do petróleo foi acompanhado de valorização do dólar no mercado internacional, enquanto índices acionários e moedas de economias emergentes registraram quedas significativas.
  • Na sessão de ontem, porém, a correção para baixo dos preços do petróleo resultou em depreciação do dólar e em recuperação parcial dos ativos considerados mais arriscados.
  • No início das negociações desta quinta‑feira, petróleo e dólar voltavam a subir, o que sugere um ambiente mais alinhado a menor apetite por risco. Nesse cenário, ações e moedas de países emergentes podem enfrentar maior pressão ao longo do dia.

 

Por que isso é importante: O avanço simultâneo dos preços futuros do petróleo e do dólar nas primeiras operações aponta para um retorno do comportamento de aversão ao risco observado no início da semana. Esse movimento tende a reverter parte da recuperação registrada ontem em mercados acionários e em moedas emergentes, como o real.

 

Mercado de trabalho brasileiro

Com menor impacto frente às questões no Oriente Médio, os investidores também devem acompanhar os números de desemprego da PNAD em janeiro - o dado mais importante do mercado de trabalho brasileiro - para calibrar suas expectativas para a próxima reunião do Copom, no dia 18 de março.

  • O dado apontou uma taxa de desemprego em 5,4%, em linha com as estimativas.
  • Em dezembro, o indicador apontou para um desemprego em 5,1%, o menor nível de toda a série histórica, iniciada em 2012.
  • Adicionalmente, os dados do mercado formal do CAGED, divulgados nesta terça-feira (03), apontaram um saldo líquido de 112,3 mil novas vagas de emprego em janeiro, levemente acima das expectativas.

 

Por que isso é importante: Em sua última reunião de política monetária, o Copom sinalizou que deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) no próximo encontro, com a magnitude da redução devendo depender do desempenho dos indicadores econômicos.

  • Diante do sinal mais claro de desaquecimento no mercado de trabalho, o dado pode aumentar as apostas de um corte mais amplo por parte do Comitê. Isso, por sua vez, tende a prejudicar o rendimento de ativos domésticos e enfraquecer o real.

 

De olho no corte de juros: O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na terça-feira, havia declarado ser prematuro discutir uma reversão do ciclo de cortes da Selic em função das tensões no Oriente Médio.

  • Em suas palavras: “Não vejo, neste momento, e tudo depende do momento, motivos para reverter o que está mais ou menos contratado, que é um ciclo de cortes. Ainda não sabemos como esse conflito vai evoluir”.
  • Contudo, entre os dias 27 e 03, as apostas de um corte de 0,5 ponto percentual reduziram de 77,5% para 53,5%, com o aumento nas apostas por manutenção ou corte de apenas 0,25 ponto.
  • Diante disso, o acompanhamento da evolução do mercado de trabalho, além do próximo dado de inflação, será fundamental para os investidores calibrarem suas expectativas.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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