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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Câmbio deve refletir conflito no Oriente Médio e IPCA no Brasil

Cotações (09h20min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,17 (+0,2%)
Dollar Index (DXY): ~99,43 pontos (+0,2%)

O sentimento dos mercados financeiros globais na manhã desta quinta-feira aponta para uma retomada do sentimento de aversão ao risco, com avanço global do dólar e recuperação dos ganhos dos preços futuros do petróleo. O foco dos investidores permanece em cima do conflito no Oriente Médio, onde foram reportados novos ataques a navios petroleiros que tentavam atravessar o estreito de Ormuz. No Brasil, investidores repercutem a divulgação do Índice de Nacional Preços ao Consumidor (IPCA) de fevereiro, que deve impactar as apostas sobre a decisão de juros do Banco Central na semana que vem (18).

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro (IBGE) – 09h00min.
  • Balança comercial americana de janeiro (Census) – 09h30min.
  • Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 09h30min.
  • Palestra da vice-presidente de supervisão do Federal Reserve, Michelle Bowman – 12h00min.
  • Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.

Conflito no Oriente Médio permanece ativo

O noticiário desta quinta‑feira (12) segue indicando a continuidade do conflito no Oriente Médio, com dois petroleiros tendo sido atingidos no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz por ataques atribuídos ao Irã, um dia após outros três navios terem sido alvo de projéteis na mesma região.

  • Os episódios reforçam o contraste entre as falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que no início da semana havia sinalizado que o conflito estaria "próximo de uma resolução", e a postura do governo iraniano, que segue indicando disposição para prolongar os bloqueios.

 

Por que isso é importante: O ambiente permanece marcado por elevada incerteza, o que tem se refletido em forte volatilidade nos mercados globais. Os preços futuros do petróleo seguem como principal indicador do sentimento de risco dos investidores, respondendo diretamente a cada novo episódio envolvendo o conflito.

  • Diante da expressiva alta do petróleo observada nesta manhã, o real tende a enfrentar pressão se prevalecer um movimento mais amplo de aversão ao risco, dada sua classificação como moeda emergente e, portanto, considerada mais "arriscada".
  • Nas últimas sessões, porém, o real tem surpreendido ao apresentar desempenho relativamente favorável mesmo diante do contexto adverso. Esse comportamento decorre, em parte, do distanciamento geográfico e político do Brasil em relação ao conflito, o que faz do país uma alternativa relativamente mais previsível em relação a outras economias mais tradicionais.
  • Soma‑se a isso o bom desempenho das empresas do setor energético brasileiro, que têm atraído fluxos para a bolsa e contribuído para sustentar a moeda.
  • Ainda assim, o quadro permanece altamente dependente da evolução das notícias geopolíticas, que continuam a se alterar de forma rápida e imprevisível.

 

Dados de inflação no Brasil

No cenário doméstico, os investidores acompanham a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que contribuirá para os agentes calibrarem suas expectativas em relação à reunião de decisão de juros que ocorrerá na próxima semana (18).

  • O índice cheio acelerou e indicou alta de 0,7% dos preços em fevereiro, próximo das expectativas de variação de 0,65%.
  • Apesar da alta mensal, o acumulado dos 12 meses anteriores apresentou desaceleração, com o índice saindo de uma variação acumulada de 4,41 para 3,81%, mais próximo do centro da meta de 3,0%.

IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)
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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

Por que isso é importante: Em sua última reunião de política monetária, o Copom sinalizou que deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) no encontro de março, com a magnitude da redução devendo depender do desempenho dos indicadores econômicos.

  • Diante disso, os sinais mais claros de desaceleração da inflação aumentam as apostas de um ciclo de cortes mais acelerado por parte do BC. Isso, por sua vez, tende a prejudicar o rendimento de ativos domésticos e enfraquecer o real.

 

Em detalhes: O resultado foi influenciado, sobretudo, pelo setor de educação, devido aos habituais reajustes praticados no início do período letivo. Esse comportamento sazonal contribui para que inflação do mês fevereiro costume ser maior em relação aos meses anteriores.

  • O núcleo do indicador, que exclui componentes voláteis, como alimentação e energia, acelerou de 0,41% para 0,91%;
  • Os preços do setor de serviços, mais sensíveis à demanda, também registraram alta de 0,18% para 1,46%.

 

De olho no corte de juros: Desde sua última reunião, o Copom tem sinalizado de que realizará um corte de juros na próxima reunião, enfatizando a necessidade de “serenidade” na condução da política monetária. A magnitude do corte, contudo, permanece incerta.

  • Na semana passada, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que a esperada “calibração” da Selic neste mês não deve ser interpretada como início de um processo de afrouxamento da política monetária.
  • Com isso, o discurso contribuiu para reduzir as apostas de um ciclo mais prolongado ou intenso de cortes, inclusive diminuindo em certa medida as apostas em um movimento de 0,50 ponto percentual na próxima reunião.
  • Além disso, a preocupação com um possível choque inflacionário decorrente do conflito no Oriente Médio aumenta ainda mais a incerteza com relação ao cenário de preços e deve ser mencionada no comunicado da decisão.
  • Possíveis choques decorrentes do conflito só devem ser registrados a partir dos índices referentes ao mês de março e devem estar relacionados ao aumento dos preços de combustíveis.
  • Desde o início do conflito, as apostas para a reunião passaram por grandes mudanças. Na véspera do primeiro ataque, 77,5% das apostas eram de um corte de 0,5 ponto percentual. Na quarta-feira (10), essa probabilidade reduziu para 56,9%, com a apostas de corte de apenas 0,25 ponto ou de manutenção ganharam mais espaço.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 128041Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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