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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Câmbio deve refletir conflito no Oriente Médio e dados do Brasil

Cotações (09h40min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,25 (-1,1%)
Dollar Index (DXY): ~99,9 pontos (-0,6%)

Em compasso de espera para a semana de decisão de juros nos bancos centrais das principais economias, os mercados financeiros seguem acompanhando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Os temores de pressões inflacionárias persistentes seguem sendo a maior dúvida entre as autoridades monetárias, e devem ser acompanhadas até o dia das respectivas decisões. Na agenda nacional, os investidores devem acompanhar o IBC-Br, conhecido como “prévia do PIB”, e o Boletim Focus para calibrar suas expectativas para a decisão de juros no Brasil.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Boletim Focus semanal (BC) – 08h25min.
  • Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de janeiro – 09h00min.
  • Índice de atividade de serviços do Federal Reserve de Nova Iorque de março – 09h30min
  • Produção industrial americana de fevereiro (Federal Reserve) – 10h15min.
  • Balança comercial semanal (Secex) – 15h00min.

Terceira semana de conflito no Oriente Médio

Os mercados financeiros seguem repercutindo as atualizações do conflito, sobretudo em relação ao estreito de Ormuz, passagem responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, e a duração do conflito.

 

Por que isso é importante: O ambiente global segue caracterizado por elevada incerteza, refletida em forte volatilidade nos mercados financeiros. Os preços futuros do petróleo continuam funcionando como um termômetro relevante do apetite por risco, reagindo a novos desdobramentos do conflito em curso.

  • Nas primeiras operações desta manhã, os contratos futuros de petróleo exibiam um ímpeto de alta mais moderado, mesmo na ausência de avanços diplomáticos na região. Esse comportamento também pressionava o dólar para baixo, abrindo espaço para a recuperação de moedas que haviam sido penalizadas nas sessões anteriores, como o real.
  • O real também segue sendo beneficiado pelo distanciamento geográfico e político do Brasil em relação ao conflito, além do desempenho favorável do setor energético doméstico. Esses fatores tornam o país uma alternativa relativamente mais previsível frente a economias avançadas mais diretamente expostas aos riscos globais.

 

Estreito de Ormuz: A passagem pelo estreito segue interrompida, o que tem sustentado o preço do petróleo em níveis elevados e gerado preocupações de pressões inflacionárias persistentes.

  • O presidente dos EUA, Donald Trump, fez um apelo para que outros países enviassem navios de guerra para a região, com o intuito de ajudar na escolta de navios petroleiros.
  • Alguns países já sinalizaram considerar a proposta, como a Coréia do Sul e Reino Unido, ao passo que outros recusaram, como o Japão e Australia.
  • Dessa forma, a possibilidade de retomada parcial dos fluxos na região pode contribuir para o recuo dos preços do petróleo, mas não é algo que deve acontecer tão rapidamente.

 

Duração do conflito: No momento, as notícias indicam um cenário misto, gerando incerteza entre os investidores. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que o conflito estaria "próximo de uma resolução", o governo iraniano segue realizando ataques na região, indicando uma disposição do país para prolongar os ataques e bloqueios.

  • Nesta segunda-feira, contudo, autoridades de Israel afirmaram que o país tem plano para mais 3 semanas de guerra, ao passo que, na véspera, o secretário de Energia dos EUA também afirmou que espera um fim do conflito nas “próximas semanas”.
  • Assim, os investidores seguem atentos à duração do conflito. Sinais mais claros de um cesar-fogo mais próximo, podem contribuir para aumentar o apetite por risco.

 

Dados no Brasil

Em compasso de espera para a decisão de juros na quarta-feira (16), nesta segunda-feira os investidores devem acompanhar o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) e o boletim Focus para calibrar suas expectativas.

 

Por que isso é importante: Sinais mais claros de desaquecimento da economia aumentam as apostas de um ciclo de cortes mais acelerado por parte do BC. Isso, por sua vez, tende a prejudicar o rendimento de ativos domésticos e enfraquecer o real.

 

IBC-Br: Nesta manhã, o indicador apontou uma recuperação de 0,78% da economia brasileira em janeiro, um pouco abaixo das expectativas de expansão de 0,85%.

  • O crescimento no período é puxado pelos setores de serviços e indústria, que cresceram 0,8% e 0,4%, respectivamente. O setor agropecuário, por outro lado, contraiu 1,5%.
  • No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento é de 2,3%.

 

Expectativas para a reunião: Nesta manhã, foi divulgado o Boletim Focus, com as expectativas dos investidores para os principais indicadores econômicos. O destaque foi a mediana das projeções para a próxima decisão de taxa básica de juros (Selic), que alterou de 14,5% para 14,75%.

  • Após mais de 4 semanas com a mediana das apostas apontando para um corte de 0,5 ponto percentual, a última atualização reduziu as apostas para um corte de apenas 0,25 ponto.
  • Dessa forma, os investidores seguem apostado em um corte de juros, como apontado pelas autoridades monetárias em sua última reunião, mas num ciclo menos intenso, reflexo do conflito no Oriente Médio e dos sinais de inflação ainda resiliente.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 128181Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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