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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Câmbio deve refletir decisão de juros nos EUA e Brasil

Cotações (09h00min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,18 (-0,3%)
= Dollar Index (DXY): ~99,5 pontos (0,0%)

O foco dos mercados financeiros nesta quarta-feira (18) se encontra nas decisões da taxa de juros nos EUA e Brasil, na chamada “super quarta”. Enquanto as apostas nos EUA são de manutenção, no Brasil o cenário se encontra difuso, com a maioria das apostas variando entre um corte de 0,25 ou de 0,50 ponto percentual. Como pano de fundo, o conflito no Oriente Médio e possíveis impactos inflacionários persistentes segue gerando volatilidade nos mercados e fomentando incerteza entre os investidores e autoridades monetárias.   

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais e Produção de Leite, Couro e Ovos e Galinhas no quarto trimestre de 2025 (IBGE) – 09h00min.
  • Índice de Preços ao Produtor (PPI) americano de fevereiro (BLS) – 09h30min.
  • Encomendas à indústria dos EUA em janeiro (Census) – 12h00min.
  • Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
  • Decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) – 15h00min.
  • Projeções Econômicas Sumarizadas do Federal Reserve - 15h00min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 15h30min.
  • Decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) – 18h30min.

Decisão de juros no Brasil

Apesar de o noticiário sobre o conflito no Oriente Médio ainda representar risco de volatilidade para os mercados nesta quarta‑feira, o foco dos investidores se desloca para a agenda de política monetária.

  • A chamada “super‑quarta” (18) concentra as atenções, com o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve divulgando no mesmo dia suas decisões sobre juros, definindo o tom das condições financeiras.
  • No cenário doméstico, a expectativa predominante é de que o Copom inicie o ciclo de flexibilização, promovendo o primeiro corte da Selic. O comunicado da reunião anterior já havia sinalizado essa orientação, embora a intensidade do ajuste ainda seja incerta, refletindo a necessidade de ponderar a desaceleração da atividade, a dinâmica das expectativas de inflação e a persistência do ambiente internacional adverso.

Apostas para a decisão de juros do Copom de 16 de janeiro
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Fonte: B3. Elaboração: StoneX. Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 16 de janeiro de 2026.

Por que isso é importante: O corte na taxa básica de juros reduz a atratividade dos ativos domésticos, o que tende a enfraquecer globalmente o real.

 

Inflação: A última divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi levemente acima das expectativas e gerou surpresa entre os investidores.

  • O índice cheio acelerou e apontou uma inflação de 0,7% dos preços em fevereiro, acima das expectativas de 0,65%. Vale lembrar que por ser referente ao mês de fevereiro, o indicador não captou impactos do conflito no Oriente Médio.
  • Apesar da alta mensal, o acumulado dos 12 meses anteriores apresentou desaceleração, com o índice saindo de uma variação acumulada de 4,41% para 3,81%, mais próximo do centro da meta de 3,0%.
  • O núcleo do indicador, que exclui componentes voláteis, como alimentação e energia, acelerou de 0,41% para 0,91%, ao passo que no setor de serviços, mais sensíveis à demanda, o avanço foi de 0,18% para 1,46%.
  • Diante disso, apesar da inflação ter se aproximado da meta, os avanços no núcleo e setor de serviços – o principal da economia brasileira -, junto do contexto de guerra no Oriente Médio, acendem um sinal de alerta nos investidores a respeito do processo de desinflação.

 

Atividade econômica: A divulgação do PIB, referente ao 4º trimestre de 2025, foi em linha com as expectativas e indicou arrefecimento da atividade econômica na segunda metade do ano.

  • A leitura indicou crescimento trimestral de 0,1%, enquanto o número do período anterior foi revisado para 0,0%. Com esses números, a economia brasileira expandiu 2,3% em 2025, puxada, sobretudo, pelo desempenho no primeiro semestre.
  • Apesar da leitura de desaquecimento da economia brasileira no final de 2025, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) indicaram recuperação de 0,3% e 0,4% em janeiro, respectivamente.
  • Além disso, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), conhecido como “prévia do PIB”, indicou uma recuperação de 0,78% da economia brasileira em janeiro, um pouco abaixo das expectativas de expansão de 0,85%. No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento é de 2,3%.

 

Mercado de trabalho: O último dado do país apontou para uma alta da taxa de desemprego para 5,4%, em linha com as expectativas.

  • Em dezembro, a taxa apontou para 5,1%, o menor nível de toda a série histórica, iniciada em 2012.

 

De olho nos juros: Na última semana de fevereiro, praticamente a totalidade das apostas era de um corte de 0,5 ponto percentual. No entanto, após a eclosão do conflito no Oriente Médio e a surpresa trazida pelo IPCA, as apostas se encontram mais dispersas

  • Na semana passada, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que a esperada “calibração” da Selic neste mês não deve ser interpretada como início de um processo de afrouxamento da política monetária.
  • Com isso, o discurso contribuiu para reduzir as apostas de um ciclo mais prolongado ou intenso de cortes, inclusive diminuindo em certa medida as apostas em um movimento de 0,50 ponto percentual na próxima reunião.
  • Até segunda-feira (16), a maioria das apostas eram para um corte de 0,25 ponto percentual (64%), ao passo que as projeções de manutenção representam 21%.

Panorama de indicadores econômicos do Brasilimage 128386

Fonte: IBGE

Decisão de juros nos EUA

Nos EUA, ao contrário do Brasil, a expectativa é de manutenção da taxa básica de juros. O foco dos investidores recai sobre as declarações das autoridades do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), sobretudo em relação aos impactos do conflito no Oriente Médio e a condução futura da política monetária.

  • Além da decisão de juros e a coletiva de imprensa posterior à decisão, os investidores também devem acompanhar as projeções econômicas divulgadas pelo FOMC, que devem contribuir para calibrarem suas expectativas.

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 17 de março de 2026image 128387

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada. 

Por que isso é importante: A perspectiva de manutenção na taxa básica de juros durante mais tempo pode aumentar a atratividade dos ativos domésticos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

 

Preocupações inflacionárias: Na divulgação mais recente, o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) - indicador de inflação mais acompanhado pelo Federal Reserve – indicou desaceleração da inflação. O núcleo do indicador, contudo, segue preocupando.

  • O índice cheio desacelerou e fechou janeiro em alta de 0,3%, ante 0,4% no mês anterior, em linha com as expectativas. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador superou as expectativas ao desacelerar e fechar o período em 2,8%.
  • Por outro lado, o núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis, indicou nova aceleração, o que mantém os temores de uma nova reaceleração inflacionária.
  • Vale lembrar que por ser referente ao mês de janeiro, o indicador não captou impactos do conflito no Oriente Médio
  • Na ata referente à última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), a autoridade monetária sinalizou um posicionamento cauteloso em relação a novos cortes de juros, inclusive, com menção à possibilidade de novos aumentos na taxa básica caso a inflação volte a se afastar da meta de 2%.

 

Indicadores de atividade econômica e mercado de trabalho: Enquanto a inflação segue se mostrando resiliente, comum em cenários de economia aquecida, outros indicadores sinalizam o oposto.

  • A segunda leitura do PIB no 4º trimestre indicou crescimento de 0,7% em taxa anualizada, abaixo das expectativas de 1,4%. Além disso, vale destacar que para a primeira leitura, a expectativa era de um crescimento de 2,8%, mas foi de 1,4%.
  • No 3º trimestre, a economia apresentou crescimento de 4,4% em taxa anualizada, o que mostra enfraquecimento da economia americana no final de 2025.
  • Já no mercado de trabalho, o cenário também foi de surpresas negativas. O desemprego aumentou para 4,4%, ante expectativas de manutenção em 4,3%, ao passo que o “payroll” indicou saldo negativo de 92 mil vagas de emprego, sendo que as expectativas eram de 58 mil positivo.

 

De olho nos juros: Com os últimos indicadores, o cenário na economia americana tem-se mostrado misto. Ao passo que a inflação segue em patamares elevados, a atividade econômica e mercado de trabalho tem apresentado sinais de fraqueza.

  • Esse cenário gera um dilema entre os investidores e as autoridades monetárias, em relação ao controle dos preços ou a manutenção da atividade econômica e emprego.
  • Além disso, com a guerra no Oriente Médio e possíveis impactos inflacionários, o temor por um cenário de estagflação – economia estagnada junto de inflação elevada – se eleva, o que deve aumentar a cautela por parte das autoridades monetárias.
  • Dessa forma, as expectativas de manutenção do aperto monetário devem ganhar espaço, diante uma provável postura de “espera para ver”.

Panorama de indicadores econômicos dos EUAimage 128388

Fontes: BLS e FRED. Elaboração: StoneX,

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 128389Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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