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Abertura de Câmbio

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

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Ceticismo com trégua entre EUA e Irã deve impactar o mercado cambial nesta sessão

Cotações (09h00min):
Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,09 (-0,1%)
Dollar Index (DXY): ~98,8 pontos (-0,1%)

O mercado de divisas deve repercutir notícias relacionadas ao cessar-fogo anunciado entre EUA e Irã, com parte dos investidores ainda céticos de que a trégua entre os países será mantida e de que o Estreito de Ormuz será liberado. Na agenda de indicadores, o foco recai sobre dados de inflação e o PIB nos Estados Unidos.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de fevereiro (IBGE) – 09h00min.
  • Leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) americano do 4º trimestre de 2025 (BEA) – 09h30min.
  • Índice de Preços da Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA de fevereiro (PCE) – 09h30min
  • Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 09h30min.

Cessar-fogo frágil no Oriente Médio

Nesta quinta-feira (09), a atenção dos investidores segue no frágil cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã.

  • Os ataques realizados por Israel contra o Líbano na quarta-feira (07) foram considerados um descumprimento do acordo pelo Irã.
  • Dessa forma, o país retomou o bloqueio no estreito de Ormuz, travando, novamente, uma das principais rotas comerciais de petróleo e gás natural.
  • Paralelamente, o presidente Trump afirmou que o poderio militar americano já instalado na região deve permanecer até que o Irã cumpra o “verdadeiro acordo”.
  • Nesta manhã, os preços do petróleo Brent operam em alta intra-diária, refletindo os riscos que permanecem elevados, apesar de ainda estarem abaixo dos patamares antes do cessar-fogo.

 

Por que isso é importante: Sinais de reescalada das tensões no Oriente Médio e falta de disposição para negociação entre os países podem retomar a percepção de risco dos investidores, o que tende a favorecer ativos considerados porto-seguro em detrimento dos de maior risco, como o real.

 

Ataques de Israel ao Líbano: Horas após o anúncio do cessar-fogo declarado por Trump na quarta-feira, Israel seguiu realizando ataques contra o Líbano.

  • Lideranças dos EUA e Israel afirmaram que o Líbano não fazia parte do acordo, porém, lideranças do Irã e Paquistão, intermediador das negociações, afirmaram que estava explícito.
  • Mais detalhes podem ser encontrados no Diário de Petróleo.

 

Apetite por risco retornou na sessão de ontem: Embora ainda não esteja claro se o cessar‑fogo envolvendo o Irã é suficientemente sólido, os mercados financeiros exibiram na última sessão um movimento expressivo de retomada do apetite por risco.

  • O movimento foi disseminado pela maioria dos mercados globais, com poucas exceções, que se limitaram às commodities energéticas e ao dólar.
  • Esse ambiente mais favorável também se refletiu nos mercados domésticos. O real foi negociado em seu nível mais apreciado desde maio de 2024, superando inclusive os patamares observados antes do início do conflito no Oriente Médio.
  • Em termos gerais, a valorização observada na sessão de quarta‑feira pode ser interpretada como reflexo de uma redução da probabilidade de materialização dos piores cenários possíveis, como uma escalada militar ampla ou uma interrupção prolongada dos fluxos globais de energia.

Dados americanos

Nesta quinta-feira (09), o mercado de divisas deve acompanhar a leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) no 4º trimestre de 2025 e o Índice de Preços da Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de fevereiro nos EUA.

  • As expectativas para o PIB apontam para a manutenção do crescimento anualizado em 0,7%, mesmo nível da segunda leitura.
  • Para o PCE, as projeções apontam para uma aceleração da inflação de 0,3% para 0,4%.

 

Por que isso é importante: No contexto atual, os dados inflacionários assumem papel central para os mercados, uma vez que a inflação segue sendo a principal preocupação do Federal Reserve e tem limitado as expectativas de cortes de juros no curto prazo.

  • O PIB, por sua vez, apesar das crescentes discussões sobre desaceleração da atividade, refere‑se à terceira estimativa do trimestre, o que reduz seu poder informacional. Ainda assim, surpresas adicionais podem influenciar a leitura do mercado sobre o ritmo da economia americana.

 

Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE): O dado do PCE divulgado refere‑se ao mês de fevereiro e, portanto, antecede a escalada mais recente das tensões no Oriente Médio, que pressionaram os preços de energia e de insumos industriais desde então. Ainda assim, o indicador segue sendo monitorado de perto por refletir a métrica inflacionária preferida do Federal Reserve.

  • Analistas esperam uma leitura firme para o PCE de fevereiro, consistente com a manutenção da postura de "mais alto por mais tempo" pelo Fed.
  • Embora o CPI de fevereiro tenha apresentado um resultado aparentemente benigno, a sua composição sugere pressões subjacentes mais fortes sobre o núcleo do PCE.
  • Avaliações recentes indicam que a inflação segue resistente, especialmente no setor de serviços, e uma terceira leitura consecutiva de alta no núcleo permaneceria incompatível com um retorno sustentado à meta de 2%.
  • Esse cenário tende a sustentar a cautela do Fed, enquanto surpresas altistas adicionais poderiam postergar ainda mais as expectativas de cortes. Leituras mais baixas trariam algum alívio, mas podem ser relativizadas diante dos choques mais recentes nos preços de energia.

 

Produto Interno Bruto (PIB): Inicialmente, as projeções indicavam crescimento de 2,8%, mas o dado foi revisado para 1,4% na primeira divulgação e, posteriormente, para 0,7%.

  • Caso o número seja mantido ou revisado para baixo, tende a se reforçar a percepção de perda de dinamismo da economia americana, especialmente quando combinado a sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho.

 

Cautela por parte do FOMC: A divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) indicou que, na visão das autoridades, o processo de convergência da inflação à meta de 2% ao ano deve ser mais lento do que se esperava anteriormente.

  • A maior parte dos membros do Fomc considerou prematuro avaliar os efeitos da guerra no Oriente Médio, mas alguns participantes indicaram que já adiaram em suas leituras o momento mais provável de cortes de juros.
  • O Documento reforçou o elevado grau de incerteza e preocupação com a inflação, o que deve elevar a cautela por parte do Comitê.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 129546Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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