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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir decisões de juros da “super quarta”

Cotações (09h15min):
 = Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,08 (0,0%)
Dollar Index (DXY): ~99,6 pontos (+0,1%)

O mercado de divisas deve repercutir a decisão de juros do Federal Reserve, às 15h00min, enquanto aguarda pela decisão de juros do Banco Central do Brasil, após o fechamento dos mercados. Em particular, investidores devem observar as sinalizações de Kevin Warsh em sua primeira reunião como presidente do Federal Reserve e a divulgação de Projeções Econômicas Sumarizadas pela instituição.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Palestra da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde – 07h50min.
  • Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de abril – 09h00min.
  • Vendas do varejo americano de maio (Census) – 09h30min.
  • Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
  • Decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) – 15h00min.
  • Projeções Econômicas Sumarizadas do Federal Reserve - 15h00min.
  • Palestra do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh – 15h30min.
  • Decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) – 18h30min.

 

Decisão de juros do Federal Reserve

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) deve manter sua taxa básica de juros inalterada em sua decisão desta quarta-feira (17), no intervalo entre 3,50% e 3,75% a.a.

  • Como há praticamente consenso quanto à decisão, investidores devem voltar suas atenções para modificações no Comunicado, para a atualização das Projeções Econômicas Sumarizadas e para a primeira coletiva de imprensa de Kevin Warsh como presidente da instituição.

 

Por que isso é importante: A expectativa de uma postura mais cautelosa do Federal Reserve deve reforçar as apostas de juros mais altos por mais tempo no país.

  • Isto, por sua vez, tende a elevar o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favorecer a atração de capitais externos, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Economia americana aquecida: Os dados recentes para os Estados Unidos apontam para uma economia mais vigorosa que o antecipado, com uma reaceleração do mercado de trabalho nos últimos três meses.

  • Ao mesmo tempo, há uma aceleração dos índices de inflação, pressionados principalmente por conta da rápida aceleração dos preços de itens energéticos após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
  • Por outro lado, essa pressão inflacionária também se disseminou a um ritmo mais lento para os demais bens e serviços do país quando observado o núcleo dos indicadores, isto é, quando se exclui do cálculo os componentes voláteis de alimentação e energia.

 

O que esperar do FOMC: Normalmente, o Federal Reserve se movimenta gradualmente quando decide modificar sua política monetária, ou seja, são raras as decisões que mudam bruscamente a postura da autoridade.

  • Por isso, o primeiro passo deve ser dado na decisão desta quarta (17), com a remoção do viés de baixa (isto é, que o próximo passo provavelmente será um corte de juros) do Comunicado.
  • Com isto, o Comitê sinalizaria que o balanço de riscos para a economia americana está equilibrado, ou seja, que os riscos de um enfraquecimento do mercado de trabalho são aproximadamente iguais aos riscos de uma aceleração da inflação.
  • Caso o cenário inflacionário permaneça desafiador, o passo seguinte seria a inclusão de um viés de alta no Comunicado, afirmando que são necessárias condições financeiras mais restritivas.
  • Isto poderia ocorrer na decisão de juros de julho ou setembro.
  • Por fim, uma alta de juros, se for determinada que é necessária, seria mais provável apenas na decisão de outubro ou dezembro.

 

Ajustes sutis são incomuns: Vale a pena destacar que, em geral, quando um Banco Central avalia que ele precisa mudar sua política monetária, seja com juros mais altos ou mais baixos, é muito raro que ele decida que apenas uma alta ou uma queda de 0,25 p.p. é o suficiente para reposicionar sua postura.

  • O mais comum é observar uma sequência de altas ou de baixas consecutivas no intervalo de algumas reuniões.
  • Quer dizer, se o Federal Reserve, em algum momento, avaliar que os riscos inflacionários são maiores que os riscos de enfraquecimento da atividade econômica, é extremamente improvável que ele aumente seu juros apenas uma vez, tal como as apostas dos investidores apontam hoje.
  • Por isso, tal cenário envolveria pelo menos duas ou três altas de 0,25 p.p. aos juros americanos.
  • Então, o mais provável neste momento é que os juros americanos continuem estáveis ao longo do ano.
  • Esse cenário é reforçado pelo início do mandato de Kevin Warsh como presidente do Fed, de quem investidores esperam maior receptividade às demandas da Casa Branca por juros mais baixos.
  • Como Warsh teria muita dificuldade em tentar buscar um consenso para reduzir juros no quadro atual, é mais provável que ele busque consolidar uma leitura de que aumentos de juros ainda não são necessários para a economia americana.

 

Decisão de juros no Brasil

Adicionalmente, investidores antecipam que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) irá reduzir sua taxa básica de juros (Selic) de 14,50% para 14,25% ao ano em sua decisão de hoje.

  • É importante destacar que a decisão ocorrerá após o fechamento dos mercados. Dessa forma, repercussões da decisão devem ocorrer apenas na sessão de amanhã (18).

 

Por que isso é importante: A redução da Selic tende a diminuir a rentabilidade dos títulos públicos domésticos e prejudicar a atração de capitais externos, enfraquecendo o real.

 

Desafios inflacionários: Embora o Copom esteja num ciclo de cortes da Selic, os desafios inflacionários decorrentes do conflito no Oriente Médio seguem como o principal fator de preocupação, o que pode limitar o ciclo de cortes.

  • Na última sexta-feira (12), a leitura de maio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado avançou de 4,39% para 4,72%, acima do teto de 4,5% da meta inflacionária.
  • Além disso, o núcleo do indicador, que excluir os itens voláteis de alimentação e energia avançou 0,41%, indicando que as pressões inflacionárias de itens energéticos está se espalhando para outras mercadorias.

 

Trajetória dos juros: Apesar da inflação estar acima da meta, as perspectivas de encerramento do conflito podem favorecer a continuidade do ciclo de cortes.

  • Nesse contexto, o tom adotado no comunicado deve contribuir para os agentes calibrarem suas expectativas para a trajetória da Selic.
  • Segundo o último Boletim Focus, a expectativa mediana é de que o Copom siga cortando a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nas próximas 2 reuniões, e depois realize mais um corte de 0,25 ponto no final do ano, resultando numa taxa de 13,75% ao ano em dezembro.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 132859Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
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