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Especial | Cacau caiu pela metade em 2025, os preços do café correm o mesmo risco?

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

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Cacau caiu pela metade em 2025, os preços do café correm o mesmo risco?

Café e cacau, ambas soft commodities negociadas nas bolsas de Nova Iorque e Londres, compartilham uma trajetória recente marcada por forte valorização e escassez de oferta. Nos últimos anos, fatores climáticos e limitações estruturais na produção transformaram esses mercados em símbolos da vulnerabilidade das cadeias agrícolas globais diante de eventos climáticos extremos. Como resultado, os preços do cacau e do café permanecem em patamares significativamente superiores à média histórica recente, chegando a atingir inclusive máximas recordes.

A partir de 2025, contudo, os mercados dessas commodities passaram a seguir caminhos distintos. O cacau sofreu uma correção expressiva, com queda próxima de 50% em relação ao pico registrado no final de 2024. Já o café arábica, apesar de oscilações pontuais, acumulou alta aproximada de 26% ao longo do ano.

Preços de café e cacau ao longo de 2025 na bolsa de Nova Iorque

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Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX.

Ambos os mercados ainda enfrentam restrições relevantes de oferta. No caso do cacau, contudo, sinais de recuperação parcial na produção, somados à retração da demanda, foram suficientes para desencadear uma reprecificação significativa. O café, por sua vez, mesmo diante de indícios de desaceleração do consumo, segue sem apresentar movimento semelhante. Surge, então, a questão: poderia o café passar por um movimento semelhante?

A escalada recente dos preços de café e cacau

No caso do café, a produção mundial, especialmente a brasileira, foi fortemente impactada por uma sequência de fenômenos climáticos entre 2020 e 2024. O Brasil, responsável por cerca de 35% da oferta global, enfrentou quase três anos consecutivos de La Niña, marcados por períodos de seca de diferentes intensidades. Em 2021, uma geada severa atingiu o cinturão cafeeiro e comprometeu boa parte da safra. Em seguida, o El Niño trouxe um padrão de clima mais quente e seco, agravando as perdas. 

Estimativas da StoneX para a produção brasileira de café (milhões de sacas)image 121657

Fonte: StoneX.

No final de 2024, novas condições adversas durante o período de florada e nos estágios iniciais de desenvolvimento das lavouras resultaram em uma queda expressiva na produção de café arábica em 2025. De acordo com estimativas da StoneX, a produção de arábica recuou 18,4% em relação a 2024, enquanto a de robusta cresceu cerca de 22%.

Mesmo assim, a produção total do país caiu 5,4%, somando 62,3 milhões de sacas. O clima persistente desfavorável reduziu os estoques globais e impulsionou os preços, que atingiram a máxima histórica de US¢ 425,1 por libra-peso em Nova Iorque no início de fevereiro de 2025.

Com o cacau ocorreu um fenômeno semelhante. A alta excepcional dos preços internacionais, que levou a amêndoa a alcançar o recorde de USD 12,5 mil por tonelada em dezembro de 2024, resultou de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais ligados à oferta. O movimento de valorização começou no final de 2022, ganhou força em 2023 e se intensificou em 2024, após sucessivas quebras de safra no Oeste Africano, região responsável por cerca de 70% da produção mundial, com destaque para a Costa do Marfim, que responde por aproximadamente 40%.

Saldo global de cacau (mil toneladas)

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Fonte: ICCO e StoneX. Elaboração e Estimativas: StoneX.

As condições climáticas adversas no Oeste Africano, caracterizadas por excesso de chuvas, temperaturas elevadas e eventos extremos, reduziram a produtividade e ampliaram a disseminação de doenças fúngicas como a vassoura-de-bruxa e a podridão-parda (CSSVD). A presença de cacaueiros envelhecidos e o baixo investimento em renovação das lavouras limitaram a capacidade de resposta dos produtores, consolidando uma tendência estrutural de queda na oferta. A sucessão de déficits globais reduziu os estoques a níveis críticos, o que aumentou a pressão altista sobre os contratos negociados nas bolsas de Nova Iorque (ICE-US) e Londres (ICE-EU) e gerou um cenário de forte backwardation na curva futura de contratos, com prêmios de até 65% para os vencimentos mais próximos.

Esse movimento foi ampliado pela atuação de fundos e investidores especulativos, que, percebendo o desequilíbrio entre oferta e demanda, aumentaram suas posições compradas e elevaram a volatilidade. Assim, o cacau se tornou uma das commodities de melhor desempenho de 2024, impulsionado tanto por fundamentos sólidos de escassez quanto por uma dinâmica financeira mais intensa. O paralelo entre café e cacau é evidente. Ambos enfrentam um ambiente em que o clima se tornou o principal determinante de preço, com os mercados financeiros repercutindo rapidamente as mudanças das expectativas dos agentes. 

Apesar dos valores nominais recordes, as máximas históricas nos preços do café e do cacau ocorreram na década de 1970

A história dos preços de café e cacau revela outro paralelo importante ocorrido na década de 1970. Ao longo dos anos, ambos os mercados apresentaram trajetórias distintas, sendo o café notoriamente mais volátil. No entanto, naquela década, os dois enfrentaram um severo choque de oferta provocado por fatores climáticos. No Brasil, a geada negra afetou drasticamente a produção de café, enquanto na África condições de clima seco comprometeram a produção de cacau. A combinação desses eventos resultou em escassez de oferta e levou os preços de ambas as commodities a níveis recordes para a época.

A trajetória recente do cacau remete, inevitavelmente, à última grande alta registrada em meados da década de 1970. Em ambos os períodos, o mercado foi marcado por fortes quebras de safra no Oeste Africano, déficits sucessivos e um desequilíbrio expressivo entre oferta e demanda, que levaram os preços a níveis historicamente elevados. A safra 2023/24 encontra um paralelo direto com a safra de 1976/77, quando a produção global caiu mais de 10% e a relação estoque/uso atingiu 19,1%, a mais baixa da série até então. Em 2023/24, essa relação chegou a 26,4%, confirmando um cenário de aperto, embora menos severo que o dos anos 1970.

Tanto nos anos 1970 quanto no período recente, o mercado de cacau apresentou duas ondas de alta seguidas por um processo de correção. No episódio dos anos 1970, os preços levaram cerca de cinco anos para retornar a níveis mais próximos da média histórica, refletindo o tempo necessário para a recuperação da produção e da demanda, um padrão coerente com o ciclo de estoques de aproximadamente cinco anos observado no mercado de cacau. Esse ciclo decorre do caráter perene da cultura, que impõe defasagens entre o estímulo de preços e a resposta efetiva da oferta.

Para o café, o avanço expressivo nos preços está diretamente ligado à geada que acometeu a produção brasileira na década de 1970. O estado do Paraná, que na época era o maior produtor do país, foi o mais afetado pelo fenômeno. Segundo dados do USDA, o Brasil representava pouco mais de 33% da produção mundial de café. Em 1974, o país produziu 27,5 milhões de sacas, enquanto a produção global totalizou cerca de 82,6 milhões de sacas. No ano seguinte, a produção brasileira caiu de 27,5 para 23 milhões de sacas, uma redução de 16%. 

Em 1976, o impacto foi ainda mais drástico, com a produção despencando de 23 milhões para 9,3 milhões de sacas, uma queda de quase 60% em apenas um ano. Em termos comparativos, isso equivaleria hoje a uma redução de 65 milhões para 26 milhões de sacas. Essa queda histórica na produção brasileira foi muito mais severa do que as observadas nas décadas seguintes e explica a intensidade do aumento dos preços na época. A concentração da produção no Paraná contribuiu para agravar as perdas, já que praticamente toda a oferta nacional se originava desse estado.

Produção brasileira de café na década de 1970 (milhões de sacas)

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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

Em termos nominais, as máximas históricas mais recentes foram registradas entre 2024 e 2025, com o cacau superando USD 12,5 mil por tonelada e o café ultrapassando US¢ 425,00 por libra-peso. Apesar desses valores expressivos, eles não representam as máximas históricas reais. Quando ajustados pela inflação, os preços mais altos ocorreram na década de 1970.

Para calcular os preços deflacionados de café e cacau, foram utilizados os dados do terminal de Nova Iorque e o Índice de Preços ao Produtor dos Estados Unidos (PPI). A análise histórica mostra que a máxima deflacionada do cacau e do café foram registradas em 1977, com o cacau alcançando um preço superior a USD 20,7 mil por tonelada e o café arábica alcançando quase US¢ 1400 por libra-peso. Para se ter ideia, isso equivaleria aos preços do cacau em torno de R$ 6.700 por saca de 60kg e aos preços do café em torno de R$ 9.940 por saca de 60kg, considerando o nível atual do dólar.

Preços de café arábica nominais e deflacionados (US¢/lb)

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Fontes: StoneX, Cmdty View e BLS. Elaboração: StoneX. 

Preços de cacau nominais e deflacionados - ICE NY (USD/ton)

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Fontes: StoneX, Cmdty View e BLS. Elaboração: StoneX.

Assim, para que os preços atuais atingissem novamente essas máximas históricas reais, o cacau precisaria subir cerca de 65% em relação ao seu recorde nominal, enquanto o café teria de avançar aproximadamente 229%. Esses números mostram como, apesar dos recordes recentes, o poder de valorização real das commodities na década de 1970 ainda permanece incomparável, refletindo um período de choques de oferta intensos e de transformações estruturais nos mercados agrícolas globais.

Com a queda dos preços do cacau a partir de 2025, os preços do café podem seguir o mesmo caminho?

Após alcançar o pico histórico de USD 12,5 mil por tonelada em dezembro de 2024, o mercado internacional de cacau iniciou um movimento de ajuste gradual e irregular ao longo de 2025. Mesmo com a correção, os preços continuam muito acima da média histórica, em torno de USD 6 mil por tonelada, refletindo tanto o baixo nível de estoques quanto as incertezas e fragilidades estruturais da produção no Oeste Africano. Ainda assim, a expectativa de duas safras globais de superávit, após três anos consecutivos de déficit, abriu espaço para uma trajetória mais moderada.

Do lado da oferta, observa-se uma recuperação marginal da produção na Costa do Marfim e em Gana, favorecida por condições climáticas menos adversas, melhor manejo das lavouras e investimentos em renovação de árvores. Paralelamente, há uma aceleração da produção em países emergentes, especialmente no Equador, impulsionada pelos altos preços e pela perspectiva de retorno financeiro mais atrativo.

O principal fator de pressão baixista, contudo, vem do lado da demanda, que tem mostrado sinais de enfraquecimento desde o segundo trimestre de 2025. O aumento excepcional dos preços em 2024 provocou ajustes industriais e substituições, com menor procura por derivados de cacau e maior uso de equivalentes de manteiga de cacau (CBEs). Além disso, fabricantes reformularam produtos para reduzir a proporção de cacau utilizada, o que vem diminuindo o consumo total e alterando a estrutura de valorização dos subprodutos.

Processamento trimestral de cacau nas principais regiões (mil ton)

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Fontes: GEPEX, ECA,CAA, AIPC e NCA.

Os ratios da manteiga, por exemplo, têm mostrado enfraquecimento desde meados de 2024, comprimindo as margens das processadoras e desestimulando a moagem em algumas regiões. Essa menor atratividade industrial tem limitado a demanda por amêndoas e levado as indústrias a ajustar volumes de compra e otimizar custos. No contexto atual, a destruição parcial da demanda, iniciada pela escalada de preços em 2023 e 2024, tende a gerar efeitos persistentes. Ajustes tecnológicos e substituições nas formulações industriais não se revertem rapidamente, o que pode manter a demanda enfraquecida por mais tempo.

Por outro lado, os entraves estruturais à expansão da oferta no Oeste Africano, como o envelhecimento das lavouras, a disseminação de doenças e o baixo investimento, limitam a possibilidade de um retorno dos preços aos níveis de USD 2 mil a USD 3 mil por tonelada observados em décadas anteriores.

Nos principais países produtores africanos, vale destacar também a dificuldade de transmissão cotações elevadas das bolsas internacionais aos agricultores locais. Isso ocorre devido à prática de preços fixos pagos ao produtor e ao monopólio na comercialização, fatores que limitaram o repasse de maiores valores e podem gerar uma inércia adicional na recuperação das lavouras.

Preços ao produtor do cacau na Costa do Marfim (mil CFA/ton)image 121651

Fonte: GEPEX e StoneX Cmdty View. Elaboração: StoneX.

Nesse sentido, países emergentes como Equador, Brasil, Indonésia e Nigéria devem liderar a resposta da oferta nos próximos anos, beneficiando-se dos preços mais altos e de marcos regulatórios mais flexíveis. Ainda assim, a recomposição dos estoques globais deve ser lenta e irregular, o que indica que o atual ciclo de correção poderá se estender até o final da década. As lições da década de 1970 mostram que, mesmo após o pico, a normalização tende a ser gradual, e o equilíbrio futuro dependerá da interação entre a recuperação da oferta e o retorno do consumo global.

Para o café, em 2025, o comportamento foi distinto. Os preços avançaram no primeiro trimestre e alcançaram o valor máximo nominal. No segundo trimestre, recuaram com o avanço da colheita no Brasil, mas voltaram a subir no terceiro trimestre. No balanço do ano, os preços do arábica subiram, enquanto os do robusta recuaram, refletindo a menor oferta de arábica no mundo e, ao mesmo tempo, a expectativa de maior produção de robusta, com alta de 22% na safra brasileira e previsão de recuperação de 7% no Vietnã, cuja colheita começa no próximo mês. Essa combinação de fatores definiu o comportamento dos preços ao longo do ano.

Desde a máxima histórica, os preços do café recuaram, mas voltaram a se aproximar dos níveis recordes em outubro de 2025, embora sem ultrapassá-los. Esse movimento recente está relacionado às preocupações com a oferta de curto prazo, à redução dos estoques certificados, às incertezas sobre o desenvolvimento da produção no Brasil e às tensões comerciais entre Estados Unidos, Brasil e Colômbia, que geram receio de novas tarifas. Apesar de algum recuo, os preços seguem elevados devido a esses fatores e ao baixo nível dos estoques globais. Entre 2021 e 2024, foram consumidas mais de 22 milhões de sacas, e em 2025 a produção ainda não deve ser suficiente para recompor os estoques, o que mantém o suporte aos preços, pelo menos até a próxima temporada.

Oferta e demanda globais de café (milhões de sacas), estoques e relação estoque/uso

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Fontes: StoneX, USDA, ECF e AJCA. Elaboração: StoneX.

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Fontes: StoneX, USDA, ECF e AJCA. Elaboração: StoneX.

Enquanto o cacau enfrenta um cenário de queda de preços associado à substituição de insumos e ajustes na indústria de confeitaria, o café apresenta um comportamento diferente. Embora haja sinais de desaceleração no consumo, o impacto é mais limitado. No Brasil, dados da ABIC indicam uma queda de 5,4% nas vendas de café no varejo, e no Japão o consumo recuou mais de 3% entre janeiro e agosto de 2025, com evidências semelhantes nos Estados Unidos e na Europa. Estimativas da StoneX apontam para uma redução global de cerca de 3% no consumo de café em 2025.

Ainda assim, é improvável que o café reproduza o colapso de preços pelos mesmos motivos do cacau. A principal diferença está na estrutura dos mercados. No caso do cacau, é possível substituir parte da manteiga por gorduras de outras origens ou reformular produtos, o que reduz o consumo. No café, não existe substituto direto. No máximo, pode ocorrer uma migração do consumo de arábica para robusta, mas o produto final precisa ser café. Além disso, a elasticidade do consumo em relação ao preço é menor no café do que no cacau. O café está mais enraizado nos hábitos de consumo e responde de forma menos intensa às variações de preço.

O cenário atual do mercado de café é caracterizado por um predomínio de fatores altistas, sustentados principalmente pelas incertezas em torno da safra brasileira de 2026, pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as importações do Brasil, pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Colômbia e pela redução dos estoques certificados. Esses elementos combinados indicam um quadro de aperto na oferta global, o que tem contribuído para sustentar as cotações em níveis elevados desde agosto.

Contudo, há variáveis que podem reverter parcialmente esse movimento. O principal fator baixista potencial seria uma eventual retirada das tarifas comerciais pelos Estados Unidos, o que reduziria custos e aumentaria o fluxo de café no mercado internacional. Esse gesto isolado já teria um impacto significativo sobre os preços, uma vez que as tarifas foram um dos principais catalisadores da alta recente.

Outro ponto que pode alterar o viés de alta é o comportamento climático no Brasil. Caso as condições climáticas se mantenham favoráveis e se confirme um bom pegamento das floradas, as expectativas de uma safra volumosa em 2026/27 tendem a gerar pressão negativa sobre os preços, já que o mercado antecipa movimentos de oferta. Esse é um aspecto de grande relevância, pois o tamanho da próxima safra brasileira é um dos pilares de formação de preço no mercado global. A StoneX está conduzindo o levantamento de campo pós-florada e divulgará a primeira estimativa da safra 2026/27 em novembro, o que poderá influenciar o comportamento das cotações.

Além disso, a evolução da colheita no Vietnã, prevista para os próximos meses, tende a exercer pressão adicional, principalmente sobre os preços do Robusta negociado no terminal de Londres, considerando o aumento de oferta disponível. Assim, o mercado de café se encontra em um ponto de equilíbrio delicado, com predominância de fatores altistas no curto prazo, mas com potenciais elementos de correção que podem emergir conforme evoluem as condições climáticas e comerciais.

 

  • Café

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