Os índices futuros das ações avançam com ganhos nesta quinta-feira (dia 02) nos EUA. Ontem, o Federal Reserve (Fed) decidiu pela sexta reunião consecutiva manter as taxas de juros de referência entre 5,25% e 5,5%. Assim, o nível mais alto dos últimos vinte anos se mantém, frente ao entendimento da autoridade monetária de que ainda há um longo caminho para alcançar a meta de inflação, que é de 2%. No entanto, o presidente da instituição, Jerome Powell, explicou que também não há argumentos para voltar a aumentar o nível dos juros, o que tranquilizou os investidores, e se reflete hoje nos avanços positivos de todos os índices estadunidenses.
Na Europa, os resultados são mistos, ainda repercutindo as últimas decisões dos bancos centrais. Na semana passada, o Banco Central Europeu (BCE) já tinha mantido a taxa de juro de referência em 4%. Mas qual é a discussão atual entre os investidores? O fato de se ainda se podem esperar cortes em 2024. No final de 2023, as apostas eram de que poderiam se esperar até seis diminuições neste ano corrente, o que vem se dificultando pela manutenção da inflação acima dos níveis esperados. Desta forma, voltou a surgir uma preocupação de que, inclusive, talvez as conjunturas voltem a pressionar para uma nova alta. Porém, até o momento, os discursos das principais autoridades monetárias continuam indicando que o objetivo ainda é o de cortar taxas de juros para impulsionar o crescimento econômico, porém o impedimento principal de níveis de preços por cima do objetivo impossibilitam essa ação.
Já na região da Ásia-Pacífico os índices igualmente estão mistos, também observando os impactos das políticas monetárias no Ocidente. O principal destaque desses mercados é a situação do iene japonês, onde, apesar das autoridades não terem se manifestado a respeito disso, há indícios que houve intervenção do governo para impedir uma maior desvalorização da moeda nos últimos dias, uma vez que se registraram diminuições nas reservas do Banco Central do Japão. Apesar dessas intervenções, analistas japoneses indicam que a moeda local caminha para uma nova desvalorização, o que pressionaria cada vez mais por um posicionamento oficial do governo sobre o tema.
No Brasil, o índice futuro do Ibovespa (IBOV) abre em alta após o feriado. No exterior, o índice EWZ (Ibovespa em dólar) também iniciou o dia em alta. Sobre o balanço de abril, o mesmo foi negativo para o índice brasileiro, apresentando uma redução mensal de 1,70%. Porém, dado que os índices nos EUA também fecharam abril em terreno negativo, o resultado responde mais a uma tendência internacional, e localmente as perspectivas para o segundo trimestre do ano continuam positivas.
Importantes avanços para o complexo da soja, principalmente para os grãos, no último pregão noturno (dia 02). A exceção foi o contrato futuro para maio do óleo de soja, mas os preços para julho e setembro também avançaram.
A forte recuperação nos preços da oleaginosa veio amparada nas altas do petróleo, que possui alta correlação com os preços dos biocombustíveis, além de um enfraquecimento do dólar. Mas, principalmente para os preços dos grãos com vencimento em maio, como os mesmos estão próximos do seu vencimento, a liquidação desses últimos contratos é o que sustenta maioritariamente o aumento visto na última rodada de negociações.
Sobre a colheita da soja no Brasil, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) indicou que a safra 2023/24 estava 91% concluída, inferior aos 94% visto no mesmo período do ano passado. Já nas últimas estatísticas publicadas pela StoneX Brasil, foi visto um nível inclusive superior, onde os dados indicam que 93,2% já foi colhido, igualmente abaixo dos 95,4% do ano passado.
Em alta nesta quinta-feira, o milho responde aos mesmos fundamentos da soja, onde uma subida nos valores dos biocombustíveis impulsiona um melhor valor negociado para o cereal.
No centro das atenções está o plantio de milho no Meio Oeste dos EUA, que se encontra na semana mais importante no calendário para semeadura, já que níveis de chuvas acima do esperado foram registados. Ainda se aguardam dados atualizados do USDA, mas, caso se confirme que os níveis pluviométricos atrasaram o processo, o aumento na área plantada poderia se restringir, assim como a produtividade esperada, dado um plantio tardio faria com que a polinização acontecesse em um período mais quente, afetando o resultado final.
Boa recuperação para o trigo após novas preocupações no Mar Negro.
Como vem acontecendo nas últimas semanas, o ocorrido entre a Rússia e a Ucrânia tem grande importância no balanço internacional e nos preços. Da mesma forma que uma preocupação sobre a seca nas principais regiões produtivas gerou receios no fechamento da semana anterior, mudanças nas previsões de chuvas, que indicam maiores condições áridas tanto para a produção russa como estadunidense, impulsionaram os investidores a aumentar as suas coberturas para os contratos futuros do trigo.






