Nos Estados Unidos, os principais índices futuros avançam na manhã dessa terça-feira (dia 08), enquanto aguardam falas de importantes dirigentes do Federal Reserve (Fed). O dia apresenta agenda esvaziada, mas os investidores continuam repercutindo a alta observada nos rendimentos do título do Tesouro americano (Treasuries) de 10 anos. Na Europa, os mercados operam com perdas, enquanto acompanham as repercussões do conflito no Oriente Médio.
Entre os mercados asiáticos, os índices operam com sinais mistos, em meio a uma frustração dos investidores globais com a ausência de estímulos fiscais na China. Autoridades do país afirmaram em entrevista coletiva que estão “plenamente confiantes” de que será alcançada a meta oficial de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2024, de 5%, e evitaram mencionar a necessidade de novos estímulos fiscais, o que frustrou investidores. Nas últimas semanas, o país divulgou uma série de medidas de impulso monetário para revigorar a atividade produtiva e a demanda interna na China, enquanto veículos de mídia especializada anunciaram que medidas fiscais seriam anunciadas em breve. Contudo, até o momento, nenhuma declaração foi feita nesse sentido. Investidores avaliam que novos pacotes de estímulo serão necessários para recuperar a confiança de consumidores, empresas e investidores na economia chinesa e para reverter o longo declínio do setor imobiliário, e a frustração dessas expectativas na coletiva de hoje penalizou os ativos chineses e reduziu o apetite por ativos arriscados, contaminando o desempenho de outros ativos como ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) abre em queda, enquanto agentes do mercado devem acompanhar a sabatina de Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Há elevada expectativa para sua aprovação, enquanto alguns veículos circulam um rumor de que sua apreciação no Plenário do Senado, após sua aprovação na CAE, pode ocorrer ainda hoje. Investidores esperam que Galípolo mantenha uma postura mais firme na defesa da “ancoragem” das expectativas inflacionárias e da necessidade de consolidação das contas públicas, ao mesmo tempo em que defenda a necessidade de autonomia da instituição ao mesmo tempo que ressalte a importância de uma interlocução com o governo federal, em especial com sua equipe econômica. Caso Galípolo de fato defenda uma postura mais rígida na condução da política monetária, suas falas podem ajudar a reduzir parcialmente a exigência de prêmios de riscos por investidores e contribuir com um fortalecimento do real. Para ter acesso a mais detalhes, acesse a edição de hoje da Abertura de Câmbio.
Novas previsões de chuva para importantes regiões produtoras na América do Sul pesaram sobre os futuros da soja, que despencaram no pregão noturno desta terça-feira (dia 08). No Brasil, maior exportador mundial da oleaginosa, espera-se que as chuvas atinjam importantes áreas de cultivo na parte central, incluindo o maior estado produtor de soja do país, o Mato Grosso, o que pode contribuir para um alívio em áreas que estão sofrendo com a seca.
Ainda assim, o clima quente e seco na região centro-oeste ainda deve retardar a semeadura até que as chuvas cheguem em maior abundância.
Para o milho, os amplos estoques devido ao momento de colheita de uma grande safra nos Estados Unidos pesaram sobre as cotações do grão. Até o início da semana, 30% da safra de milho dos EUA já se encontrava no silo, um bom avanço em relação aos 21% registrados na semana passada e acima também da média de 27% para a mesma época em anos anteriores.
O mercado trigueiro acompanhou o movimento que se observou para os grãos e oleaginosas no pregão noturno desta terça-feira (dia 08), perdendo um pouco de força. No entanto, seus futuros continuam sustentados por problemas climáticos nas principais regiões produtoras globais, bem como preocupações sobre a capacidade de escoamento do trigo produzido na região do Mar Negro.






