Nos Estados Unidos, os principais índices futuros com atividade em Wall Street operam no campo positivo na manhã desta quinta-feira, 14 de novembro, recuperando-se de alguns recuos nas sessões anteriores, em meio às incertezas dos investidores diante de novos dados sobre a economia estadunidense. O fortalecimento do dólar reflete a continuidade do movimento recente de valorização global da moeda americana, que alcançou nesta manhã o maior nível em um ano frente seus principais pares e segue para o quinto dia consecutivo de ganhos. Entre os principais fatores, destacam-se a recente divulgação de indicadores econômicos que apontam para a resiliência da economia dos Estados Unidos e a vitória do republicano Donald Trump nas eleições presidenciais, que reduzem a expectativa de um ciclo mais acelerado de cortes de juros pelo Federal Reserve. Ontem, a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) mostrou mais uma vez que o progresso no controle inflacionário americano tem desacelerado, após o índice cheio avançar 0,2% pelo quarto mês consecutivo. No momento, embora as principais estimativas indiquem a possibilidade de novos cortes de juros, esses cortes estão mais espaçados, com uma projeção de alcance da faixa entre 3,75% e 4,00% até o final do próximo ano. Acrescenta-se a esse cenário a eleição presidencial de Donald Trump, que durante a campanha prometeu tarifas amplas sobre importações, restrições à imigração e cortes de impostos para empresas, que podem gerar pressões sobre a inflação. Esses fatores diminuem as expectativas para cortes de juros nos EUA e impulsionam os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, beneficiando o desempenho do dólar.
Na região da Ásia e Pacífico, as bolsas apresentam resultados negativos com a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed) possa realizar novo corte nas taxas de juros estadunidenses já na reunião do mês de dezembro, após dados do CPI, divulgados na quarta-feira, 13 de novembro. Entre os mercados europeus, a tendência é altista, após os investidores avaliarem como positivos os novos dados de inflação dos Estados Unidos, e à espera do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro, referente ao terceiro trimestre.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) iniciou a quinta-feira em alta. Investidores permanecem à espera pela divulgação das medidas de ajuste fiscal do governo federal pela terceira semana consecutiva, com expectativas crescentes de que o anúncio oficial possa ocorrer apenas na próxima semana. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, evitou indicar uma data para o anúncio, afirmando que os “detalhes” que ainda estavam pendentes na semana passada já foram resolvidos. Ainda assim, o anúncio não se concretizou, o que tem aumentado a impaciência e a desconfiança dos investidores e elevado as exigências de prêmios de risco para o real. Hoje, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou em entrevista que há urgência para que o governo apresente um conjunto de medidas capaz de reverter a deterioração da percepção de risco do Brasil. Segundo Campos Neto, a demora no anúncio provoca perdas ao longo do caminho, como investimentos desperdiçados, e afirmou que “quanto mais se espera, mais você terá que fazer depois; o choque necessário fica maior”. Ontem, após o fechamento do mercado, veículos de comunicação noticiaram que o Ministério da Fazenda encaminhou ao Congresso um pacote de cortes de gastos no valor de R$ 70 bilhões para os próximos dois anos — cerca de R$ 30 bilhões em 2025 e o restante no ano seguinte. Caso oficializado, o anúncio de um pacote dessa magnitude poderá ter um impacto relevante nas percepções de risco fiscal e favorecer uma valorização do real. Para acompanhar melhor o debate em torno desse tema, acesse a Abertura de Câmbio.
Após alguns dias consecutivos em queda, pressionados pelo movimento altista do dólar nos últimos dias, os preços futuros da soja na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT) se estabilizaram na manhã desta quinta-feira, 14 de novembro.
Os óleos vegetais, o que inclui também o óleo de soja, também passam por uma recuperação um tanto quanto tímida, o que é benéfico para os futuros da soja nesse momento.
O milho, de forma parecida com a soja, encontra alguma recuperação nas cotações dos seus preços futuros, após dias seguidos de baixas em Chicago. Os principais causadores desta instabilidade estão relacionados aos efeitos da eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos sobre o mercado, às expectativas dos agentes sobre a condução da política monetária estadunidense, com perspectivas de novos cortes nas taxas de juros para os próximos meses, e o reflexo disso sobre a variação cambial, que tem elevado o dólar ao seu patamar mais alto em um ano, tornando as exportações do país menos competitivas no mercado global.
O trigo segue operando sem muita sustentação nos preços, motivado pelo fortalecimento do dólar no cenário internacional, que atinge seu maior valor em um ano. Os contratos futuros ativos na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT) operam próximos de uma mínima de dois meses, reforçando as baixas observadas ao longo da quarta-feira, 13 de novembro, tentando reverter a menor competitividade dos produtos de exportação estadunidenses com a alta da divisa dos Estados Unidos.
As chuvas que atingem o estado do Kansas, maior produtor de trigo dos Estados Unidos, melhoram as perspectivas produtivas para o país e, em uma análise do cenário global, deve favorecer a oferta de trigo aos mercados mundiais, após cortes nas estimativas de produção para a Argentina e para a França.






