Nos Estados Unidos, os principais índices futuros com atividades em Nova York acumulam perdas na manhã desta quinta-feira, 20 de fevereiro. Ao longo do dia, a atenção dos agentes de mercado deve recair também sobre as declarações de dirigentes do Federal Reserve, após a divulgação da ata da última reunião de política monetária do órgão na véspera. Caso os representantes do Fed reforcem a postura da ata e indiquem cautela em relação a novos cortes de juros, pode haver nova elevação nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, o que tende a sustentar a cotação global do dólar.
Entre os mercados asiáticos, as bolsas operavam generalizadamente baixistas. Diante da ausência de direcionadores claros na agenda econômica, os investidores tendem a manter seu foco no ambiente externo, sobretudo nas recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acerca da possibilidade de um acordo comercial com a China. Ontem, Trump sinalizou à imprensa a viabilidade de um novo pacto com o gigante asiático, ao qual já impôs tarifas adicionais de 10%. Essa postura mais moderada reforça a percepção de que seu governo, nas últimas semanas, tem se mostrado mais flexível do que inicialmente previsto, contribuindo para uma avaliação de risco mais equilibrada pelos participantes do mercado e, consequentemente, pressionando o desempenho global do dólar.
Na Europa, os mercados operam sem direção única nesta manhã, em meio ao fator de apreensão entre os investidores, que diz respeito à postura diplomática de Donald Trump em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia. Recentemente, o presidente norte-americano acusou a Ucrânia de ter iniciado a guerra e classificou o presidente do país, Volodymyr Zelenskiy, como um “ditador sem eleições”, gerando incertezas acerca da prometida resolução do confronto por Trump. Nesse cenário, um eventual agravamento das tensões geopolíticas pode elevar a percepção de risco por parte dos investidores, contribuindo para uma possível valorização do dólar.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia com ganhos curtos, sem muita força. Para acompanhar os assuntos que devem movimentar os mercados ao longo do dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja se elevam por mais uma sessão, na manhã desta quinta-feira, 20 de fevereiro, em Chicago. As altas ocorrem mesmo em meio à colheita de uma safra recorde no Brasil. Assim, o que vem sustentando os preços da oleaginosa em patamares elevados é a forte demanda por produtos agrícolas dos Estados Unidos, talvez como uma tentativa dos compradores de se anteciparem às potenciais tarifas que possam vir a incluir o setor, e que tem gerado um sentimento de incertezas entre os investidores.
O milho, de forma semelhante à soja, também observou um movimento modesto de valorização entre os seus contratos futuros. O principal incentivo por trás destes ganhos tem sido a forte demanda por exportações dos Estados Unidos. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês), o número de inspeções para o milho na semana passada ultrapassou a marca de 1,6 milhão de toneladas métricas, superando as expectativas dos analistas.
O montante elevado de inspeções realizadas deve se refletir em maiores exportações para o milho dentro das próximas semanas.
No mercado do trigo, o ritmo de inspeções para exportações também está acelerado, contribuindo também para um aumento dos preços para o cereal. De acordo com os dados do USDA, as avaliações de trigo desde o início do ano de comercialização, em primeiro de junho, totalizaram 14,8 milhões de toneladas, acima das 12,1 milhões de toneladas fiscalizadas para a exportação durante o mesmo período do ano passado.
Ao mesmo tempo, preocupações relacionadas à oferta persistem entre os produtores. O frio extremo ameaça os cultivos em planícies do sul dos Estados Unidos e algumas regiões da Rússia, podendo prejudicar o desenvolvimento das plantas, que se encontram em período de hibernação.






