Mercado externo em queda
Na última semana, as ações norte-americanas e europeias registraram forte valorização (EUA: Dow Jones, +1,58%; S&P 500, +1,82%; Nasdaq, +2,18%/ Europa: FTSE 100, +1,95%; DAX 30, +2,51%; CAC 40, +2,55%; Stoxx Europe 600, +2,65%), impulsionadas principalmente pelos lucros acima do esperado declarados pelo setor bancário dos EUA. Foi a melhor semana do índice Dow Jones desde julho e a melhor semana do Stoxx Europe 600 desde março.
Nesta segunda-feira (18), entretanto, o sentimento dos investidores já se inverteu, com os índices futuros dos EUA e o mercado já em funcionamento na Europa apresentando desvalorizações.
O principal fator responsável pelas perdas são os dados de crescimento do PIB da China no terceiro trimestre, divulgados hoje e que mostram números mais fracos que o esperado. Entre analistas, existia uma expectativa de que o produto chinês teria crescido 5,2% na base anual e 0,5% na base trimestral, quando de fato esses valores foram de 4,9% e 0,2%, respectivamente. De maneira geral, a desaceleração econômica chinesa foi causada por lockdowns no início do trimestre, pontos de estrangulamento nas cadeias de produção, problemas no importante setor imobiliário e pela recente crise energética. Além de pressionar os mercados Ocidentais, as preocupações com a segunda maior economia do mundo derrubaram as bolsas da Ásia (Kospi: -0,28%, Nikkei 225: -0,15%, Shanghai Composto: -0,12%, Hang Seng: +0,31%).
Ademais, ao longo desta semana continuam sendo divulgados os resultados no terceiro trimestre das empresas listadas em bolsa. Nos EUA, destaque para Netflix, Johnson & Johnson, Tesla, Verizon e IBM. Hoje, porém, não há nenhuma grande divulgação agendada.
No Reino Unido, chacoalhou o mercado financeiro uma declaração dada pelo presidente do Bank of England (banco central do Reino Unido), Andrew Bailey. Ele afirmou que o cumprimento da meta de inflação do país requererá ações mais importantes por parte dos banqueiros centrais, o que foi interpretado como uma nova sinalização de que a taxa de juros no Reino Unido será aumentada em um futuro próximo. Caso isso realmente ocorra, será o primeiro movimento neste sentido entre os chamados “quatro grandes bancos centrais”: Federal Reserve, Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra e Banco do Japão.
Soja em queda
Nesta segunda-feira (18), os mercados futuros de soja operam em queda. O movimento baixista segue os dados abaixo do esperado para o volume de esmagamento nos EUA. Segundo os dados da NOPA, divulgados na última sexta-feira (15), em setembro/21 foram esmagadas 4,19 milhões de toneladas, abaixo do volume registrado em agosto/21, de 4,32 milhões, e da estimativa média do mercado, de 4,22 milhões de toneladas de soja. Na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), os contratos de novembro/21 são negociados a 1.211,00 USD cents/bushel.
Milho em queda
Os futuros do milho operam em queda, nesta segunda-feira (18), pressionados pela perspectiva dos agentes quanto a um maior nível de oferta do grão. Contudo, vale destacar que o ritmo de colheita abaixo do esperado na França e na Ucrânia pode abrir espaço para maior demanda do milho estadunidense. Na CBOT, os contratos futuros para dezembro/21 são negociados a US¢ 523,50/bu.
Trigo em queda
Os futuros do trigo operam em queda, nesta segunda-feira (18). Na CBOT, os contratos para dezembro/21 são negociados a US¢ 730,75/bu. Apesar do otimismo dos agentes quanto às exportações estadunidenses, a valorização do dólar pressiona os preços futuros. Vale destacar que, com o avanço significativo das exportações europeias até o momento, há a perspectiva de que as exportações dos EUA ganhem espaço mais para frente.