Campinas, 02 de junho – Após a divulgação do relatório ADP ontem (01), responsável por mostrar a criação de empregos não agrícolas do setor privado estadunidense, os mercados globais acompanham hoje a divulgação do relatório de payroll dos Estados Unidos, o qual indica a criação de empregos não agrícolas tanto para o setor público, quanto para o privado.
Segundo o Departamento de Trabalho dos EUA, foram criados 339 mil vagas no mês de maio, superando a expectativa do mercado de 180 mil vagas. Com isso, o reporte indicou que a atividade no mercado de trabalho foi mais ativa neste mês, visto que o mês passado exibiu a criação de 294 mil vagas. Tal resultado pode contribuir para a interpretação de que a demanda estadunidense influencie em uma pressão altista na inflação, fortalecendo a expectativa de que o Fed permaneça com a elevação dos juros.
Além disso, os ânimos sobre o endividamento público estadunidense parecem mais calmos, uma vez que o dia de ontem contou com a aprovação pelo Senado do projeto de lei visando a suspensão do teto da dívida. Agora, Joe Biden deve assinar o projeto ainda hoje, contribuindo para que o governo cumpra suas obrigações da dívida. Com o aumento da confiança, tal movimento pode contribuir para o apetite por riscos, dando suporte aos grãos.
Na Europa, apesar da inflação anual da zona do euro ter exibido um recuo de 7% em abril para 6,1% em maio, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, sinalizou que é necessário continuar aumentando os juros da região, visto que o resultado de maio ainda está distante da meta de 2% estabelecida pelo Banco Central Europeu (BCE).
Os preços no mercado futuro de grãos passaram por uma semana de volatilidade nos preços e a soja conseguiu manter o movimento de ganhos no pregão noturno desta sexta-feira (2) em Chicago.
Entretanto, a safra recorde de soja no Brasil continua sendo um limite para maiores movimentos dos preços, dado que, assim como se vê para o milho, há concorrência contínua dos excedentes de oferta brasileira. Por outro lado, a demanda para o processamento da soja nos EUA continua forte, o que pode ser o fator que mantém o piso sob os contratos de soja nesta manhã.
Embora boa parte dos EUA receba chuvas benéficas neste fim de semana, há previsões de dias secos no leste do Corn Belt que podem reduzir a umidade do solo e causar estresse para a oleaginosa recém plantada, conforme indica o Monitor de Secas dos EUA, com uma seca de curto prazo começando a ser esperada.
Os preços do milho não encontraram força suficiente no mercado futuro e encerraram o pregão com variação diária negativa em Chicago. O início da colheita no Brasil reforça o peso sobre os futuros do milho nesta manhã, especialmente com o ritmo fraco para a exportações dos Estados Unidos.
Além disso, conforme novos dados do USDA, o uso de etanol sofreu queda mensal devido à precipitação em partes do Cinturão do Milho. Os produtores de etanol usaram cerca de 415,7 milhões de bushels de milho em abril (-4,7% em relação a março). A estimativa é que o uso de milho para produção de etanol para a safra 2022/23 seja de 5,25 bilhões de bushels.
O mercado de trigo segue focado nos danos potenciais das enchentes nas lavouras de trigo da China, com o mercado ainda negociando os desdobramentos de uma reconfiguração na demanda global. Vale lembrar que a perspectiva de suprimentos globais possui previsões robustas de colheita para produtores da União Européia e da Rússia.
Os dados de vendas líquidas semanais de trigo da safra 2022/23 dos Estados Unidos totalizaram cancelamentos de 210,50mil toneladas, de acordo com o USDA, em relatório que marca um novo pico de baixa. No acumulado do ano comercial, o país comprometeu 18,63 milhões de toneladas de trigo, frente a 19,44 milhões de toneladas do mesmo período do ano anterior, mas ainda em linha com a estimativa de exportações, da ordem de 21,09 milhões de toneladas para a safra.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.
EVOLUÇÃO DOS CONTRATOS FUTUROS NA CBOT
Soja