Campinas, 14 de junho – O foco da sessão de hoje está na decisão do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve sobre a taxa de juros estadunidense, a ser anunciada às 15h.
Com os dados de inflação ao consumidor dos EUA mostrando certa desaceleração em maio, a maior parte do mercado acredita que o órgão escolherá manter a taxa no nível de 5,00% e 5,25%. Isso significaria uma pausa no ciclo de altas dos juros estadunidense promovido desde março de 2022, e pode fortalecer as commodities, uma vez que o fim dos aumentos poderia contribuir para o apetite por ativos arriscados.
Além disso, os mercados globais também acompanham o índice de preços ao produtor (PPI, sigla em inglês) dos EUA, divulgado às 09h30min. De acordo com o Departamento de Trabalho do país, em maio, a inflação ao produtor recuou 0,3% ante a abril, superando o recuo esperado de 0,1%. Com isso, a comparação anual exibe uma alta de 1,1%, abaixo dos +1,5% esperados.
Desse modo, a inflação ao produtor no último mês contribui para a expectativa de manutenção dos juros norte-americanos, dado que o indicador exibe uma desaceleração tanto na comparação mensal (passando de +0,2% em abril para -0,3% em maio), como também na comparação anual (passando de +2,3% em abril para +1,1% em maio). Portanto, tal cenário também pode auxiliar o fortalecimento dos grãos.
Os preços da soja caíram no pregão noturno em Chicago, após chuvas registradas ontem no Upper Midwest. Os temores sobre os danos causados pela seca levaram os preços da soja a altas nos últimos dias e parte do movimento de queda hoje reflete alguns lucros sendo realizados.
Os volumes de importação de soja da UE no acumulado do ano caíram 12% em relação ao mesmo período do ano anterior, em parte devido à maior produção de canola gerada pelo bloco no ano passado. Tal variação adiciona pressão de baixa ao mercado de soja esta manhã, pois o bloco da UE é o segundo maior importador de soja do mundo, atrás da China.
A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) adiou o anúncio dos mandatos de volume de mistura de biocombustíveis para 2023 a 2025. A nova data será 21 de junho. O atraso ocorre como parte de uma decisão do Tribunal Distrital dos EUA em Washington, entre a EPA e a Growth Energy, um grupo de defesa do etanol e dos biocombustíveis. Esse período adicional serviria então para coletar dados sobre a produção doméstica de etanol e biocombustível para melhorar a eficácia das estimativas de mistura da próxima semana.
A esperança é que o tempo adicional para processar os dados de mercado permita que a EPA aumente os volumes de mistura de biocombustíveis, especificamente para a expansão antecipada do diesel renovável que provavelmente será um benefício para a indústria da soja.
O movimento de baixa foi generalizado para o mercado de grãos em Chicago, ponderando as chuvas recentes que podem favorecer a umidade dos solos nas lavouras dos EUA.
Além disso, a pressão da colheita do Brasil também contribui para os movimentos dos preços, pois a safra tende a ser a maior safra de milho já produzida pelo Brasil, podendo levar o país a ultrapassar os EUA como o maior exportador global de milho.
O trigo seguiu em linha com os demais grãos, com os preços sofrendo perdas em meio às chuvas recentes que estão gerando expectativa de estabilidade para a safra assolada pela seca nas planícies ocidentais.
Chuvas recentes em Heartland – região que predomina as variedades de trigo de inverno vermelho macio - também pesaram sobre os futuros de Chicago.
O escritório agrícola da França, FranceAgriMer, anunciou cortes em sua previsão de exportação para 2022/23. No entanto, o volume total de 2022/23 ainda está 16% acima do ano anterior, portanto, as oportunidades de aumento de preço desse título seguem limitadas.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.
EVOLUÇÃO DOS CONTRATOS FUTUROS NA CBOT
Soja