Campinas, 20 de setembro – No dia mais aguardado da semana, os índices futuros dos Estados Unidos e Europa ficam em alta, pouco antes do anúncio da taxa de juros dos EUA. A decisão será tomada em reunião realizada no Federal Reserve e divulgada às 15h, (horário de Brasília), seguida logo depois pela apresentação do presidente do banco central, Jerome Powell, que falará à imprensa sobre os rumos da política monetária do país.
A expectativa é de que o Fed mantenha a taxa de juros dos Estados Unidos, atualmente no intervalo de 5,25% a 5,50% ao ano. Apesar de haver consenso entre os analistas acerca do patamar de juros que será anunciado hoje, ainda não está claro se o ciclo de elevações está encerrado, assim dando maior relevância para a fala que segue a divulgação, sobre a estratégia de médio prazo para a política monetária.
Os mercados da Ásia-Pacífico foram na contramão e estão em baixa, após a China manter suas taxas de juros de empréstimo de um e cinco anos, em 3,45% e 4,2%, respectivamente. Além disso, no Japão, o déficit comercial em agosto atingiu 6,3 milhões de dólares, indicando ritmo lento da atividade econômica do país.
Os preços da soja obtiveram alta moderada esta manhã, auxiliados pelas preocupações com as chuvas registradas no Heartland, que poderiam desacelerar o progresso da colheita. A soja está mais sensível a condições do clima e portanto, os preços respondem rapidamente às perspectivas meteorológicas, pois os estoques de soja estão mais reduzidos em relação ao milho – especialmente depois de ter em conta uma grande colheita de milho e uma menor colheita de soja esperada nos Estados Unidos.
Além disso, fundamentos do mercado financeiros também estão no radar dos investidores, que tendem a seguir a orientação da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Fed.
Do lado da demanda, as importações brasileiras continuam a dominar as compras da China, de acordo com novos dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China durante a noite. Durante o mês de agosto, as compras chinesas de soja brasileira aumentaram 45% em relação ao mesmo período do ano anterior e quase todas as importações de soja da China em agosto foram provenientes do Brasil.
Por outro lado, é valido lembrar que agosto é tipicamente um mês lento para as exportações de soja dos EUA. Os volumes de soja dos EUA para a China deverão aumentar um pouco mais em setembro, à medida que os fornecimentos recém-colhidos dos EUA entram no mercado de exportação.
Os preços do milho também subiram moderadamente, auxiliados em grande parte pela soja e trigo. Além disso, a possibilidade de uma manutenção da taxa de juros dos Estados Unidos poderá reforçar sinais de maior ânimo para a economia global, impactar o dólar e em um efeito dominó, as perspectivas de exportação.
Os preços de dezembro de 2023 continuam estáveis logo acima do mínimo de três anos, sugerindo que parte dos ganhos desta manhã podem ser derivados de um movimento de compra vantajosa.
Os preços do trigo foram impulsionados por um dólar mais fraco e pela perspectiva de manutenção da taxa de juros que será divulgada pelo Fed hoje. Do lado da oferta, os fornecimentos russos continuam guiando os preços no comércio internacional, embora as fontes da Europa de Leste também estejam viabilizando preços competitivos.
As preocupações com as colheitas do Hemisfério Sul também recebem destaque, com declaração do Gabinete de Meteorologia da Austrália que reforça a ocorrência do padrão climático El Niño durante a primavera, o que significa mais seca e estresse térmico para as colheitas de trigo.






