Campinas, 28 de setembro – Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos estão próximos das máximas dos últimos 16 anos. Vale indicar que tais títulos são referência dos custos globais de financiamento e esse movimento reflete especulações sobre um possível aumento da taxa de juro dos Estados Unidos, seguindo a linha do recente discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed).
Para obter um melhor direcionamento antes da nova taxa de juro ser anunciada, os investidores aguardam os dados de pedidos de seguro-desemprego, vendas de casas e do PIB dos EUA. Além desses indicadores, a maior atenção se volta para a leitura do índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), conhecido como métrica de inflação mais importante para o Fed e que está prevista para ser divulgada amanhã.
Boa parte dos mercados europeus e asiáticos também ficaram em baixa durante esta manhã, dada a maior aversão ao risco ratificada pelos novos rendimentos do Tesouro americano e intensificada pelos preços do petróleo.
Os preços da soja não sustentaram os ganhos vistos no pregão noturno de ontem e encerraram esta manhã em queda. O avanço da pressão na colheita e a fraca demanda por exportações guiaram os preços ao longo do pregão. O mercado aguarda a divulgação dos estoques trimestrais de grãos que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) deve divulgar amanhã (29).
As perspectivas de exportação no Golfo causam preocupação para traders. O Brasil está dominando o mercado de exportação de soja neste momento e a colheita menor do que o esperado nos EUA criam um cenário pouco otimista para os Estados Unidos.
Os preços do milho também encerraram o pregão noturno em queda, devido as expectativas de uma grande colheita de milho nos EUA, bem como de uma colheita abundante de milho no Brasil.
O mercado futuro está sob pressão da colheita dos EUA, mesmo com os atrasos causados pelas chuvas que retardaram o progresso principalmente no Cinturão do Milho Oriental.
Além disso, os baixos níveis de água no Mississipi estão a diminuir os preços à vista cotados ao longo dos terminais fluviais dos EUA, à medida que a fraca procura de exportação, os elevados custos de frete e a lentidão do transporte diminuem as ofertas em dinheiro para o milho.
O trigo seguiu o movimento visto para os demais grãos, aguardando novos direcionamentos em meio ao cenário baixista. O mercado está atento a ausência russa no leilão recente aberto pelo Egipto, que comprou trigo proveniente da Romenia e da Bulgária num concurso internacional encerrado hoje cedo. O grão deverá ser embarcado em novembro.
No Brasil, os moinhos estão esperando maior volume de trigo da safra nova para realizar aquisições e os preços do cereal continuam em baixa, de acordo com o Cepea. A colheita avança no Rio Grande do Sul, apesar das chuvas deste mês aumentarem a perspectiva de danos e queda na qualidade das lavouras, que devem reduzir a produtividade de algumas regiões.






