Nos Estados Unidos, os principais índices futuros com operações em Nova York iniciam a sexta-feira, 21 de março, novamente com amplas perdas. O sentimento entre os investidores é de apreensão sobre como as tarifas comerciais podem afetar a atividade econômica no país, com receio de que possa haver uma recessão. Na região da Ásia e Pacífico, os mercados encerraram o dia sem direção única de operação. Na Europa, as bolsas acompanham a tendência observada em Wall Street.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia no campo negativo. Em meio a uma agenda econômica esvaziada, o foco dos investidores deve recair sobre o cenário doméstico, após a aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025 no Congresso Nacional, ocorrida ontem. Inicialmente, previa-se que a votação fosse concluída ainda em 2024, contudo as discussões acerca da liberação de emendas parlamentares e a necessidade de aprovar medidas de ajuste fiscal prolongaram-se até os primeiros meses de 2025. O texto aprovado projeta um superávit primário de R$ 15 bilhões nas contas do governo federal para este ano, cifra superior à proposta original do Executivo, que estimava um saldo positivo de R$ 3,7 bilhões. Caso cumprido, esse montante atenderia à meta de déficit zero para o resultado primário de 2025, com uma margem de tolerância de 0,25 p.p. do Produto Interno Bruto (aproximadamente R$ 31 bilhões), seja para mais ou para menos. Nesse sentido, a aprovação pode, em um primeiro momento, ser interpretada de forma positiva pelos agentes de mercado, sobretudo considerando que a estabilidade das contas públicas tem figurado recentemente como um dos principais fatores de risco e volatilidade para os ativos domésticos. Ainda assim, persistem incertezas significativas quanto ao efetivo cumprimento das diretrizes orçamentárias estabelecidas, sobretudo com relação às prioridades do governo federal em relação ao equilíbrio fiscal. Nesse contexto, merece destaque também a divulgação, ainda hoje, do Relatório Bimestral de Despesas e Receitas Primárias do primeiro bimestre, no qual os agentes de mercado buscarão indicativos acerca da condução das contas públicas brasileiras. Para acompanhar com mais detalhes os temas que devem movimentar os mercados neste dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Os futuros da soja seguem avançando, por mais uma sessão, na manhã desta sexta-feira, 21 de março. Os preços recebem apoio do lado da demanda, especialmente após indicadores que apontam um aumento de 84,1% das importações de soja pela China, com origem dos Estados Unidos, nesses primeiros meses de 2025, em comparação ao mesmo período do ano passado. No entanto, as expectativas são de que o ritmo elevado dos fluxos comerciais não permaneça dentro dos próximos meses, devido aos impasses comerciais gerados pelas tarifas de exportação dos Estados Unidos e pelos preços competitivos ofertados pelo Brasil.
Os preços futuros do milho recuam, em um cenário de competitividade reduzida para o produto estadunidense no mercado internacional, devido ao fortalecimento do dólar. No momento, os comerciantes se preparam para os dados sobre estoques de grãos que devem ser divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês). Além disso, em breve serão divulgados também os relatórios de plantio prospectivos, em 31 de março, indicando as estimativas de plantio dos agricultores para o próximo ciclo de plantio.
Após alguns ganhos no início da semana, os preços futuros do trigo operam sem direção única nesta manhã, alguns contratos com ganhos, outros com perdas, pressionados por um dólar que volta a se fortalecer internacionalmente e por poucos incentivos do lado da demanda.
Nesse cenário, o trigo opera perto das mínimas de uma semana. O relatório semanal de exportações dos EUA também contribuiu para as quedas nos preços nas últimas sessões, tendo gerado certa insatisfação entre os investidores.





