As principais bolsas da Ásia fecharam o último pregão da semana em queda, em meio a preocupações com a política tarifária dos EUA. Destaque para a queda das ações e montadoras.
O anúncio da aplicação de taxas recíprocas pelos EUA, previsto para a próxima semana, está no radar, com rumores que a China implementará retaliações, caso seus interesses sejam prejudicados. Os índices chineses também foram influenciados por um movimento de realização de lucros.
A Europa avalia a adoção de uma política monetária mais frouxa, com corte das taxas de juros, após o anúncio oficial da taxação sobre automóveis importados anunciada por Trump. As tarifas adicionam preocupação com o ritmo da economia do bloco europeu e a maior parte das bolsas da região operam em baixa nesta manhã.
As tarifas de Trump também trouxeram volatilidade ao mercado de ações dos EUA ontem, com os principais índices fechando a quinta-feira (dia 27) em queda. Há muitas dúvidas sobre o quão severas e amplas serão as tarifas anunciadas no próximo dia 2 de abril.
O Ibovespa subiu ontem, apoiado principalmente por ações da Petrobras e da Vale, mas o índice futuro operava em baixa nesta manhã, com o mercado acompanhando dados de emprego no Brasil e de inflação nos EUA, além da questão das tarifas dos EUA. Fernando Haddad participará de um evento hoje no final da tarde e há expectativas quanto aos seus comentários.
A soja registrou leve alta no pregão noturno desta sexta-feira (dia 28), mesmo em meio ao contexto de maior aversão ao risco com a política tarifaria de Trump.
O mercado da oleaginosa encontra suporte em notícias de que o governo Trump busca um acordo entre as indústrias de petróleo e biocombustíveis para definir a próxima fase da política de combustíveis renováveis dos EUA e evitar conflitos políticos. Entre os principais temas discutidos entre as partes, estiveram os novos volumes obrigatórios de mistura de biocombustíveis, com proposta de aumento para o diesel renovável e biodiesel. Haveria a possibilidade de aumento dos RVOs (Renewable Volume Obligation) da categoria D4, referente ao biodiesel e HVO, para um volume entre 4,75 e 5,5 milhões de galões, níveis mais elevados que os anteriormente acordados. A última decisão da EPA estabelecia altas moderadas para as metas até 2025, que chegaram a 3,35 bilhões de galões.
O milho recuou, com o mercado aguardando o relatório de intenções de plantio dos EUA na próxima segunda-feira (dia 31). As expectativas apontam para um crescimento de área na safra 25/26, que começa a ser plantada em breve, já que os preços do cereal têm estado mais fortalecidos que os da soja. Dados mais fracos de vendas de exportação dos EUA, divulgados ontem, também trouxeram questionamentos se pode estar ocorrendo uma mudança de padrão em relação aos volumes mais elevados registrados recentemente.
Ademais, há preocupações possíveis retaliações à próxima rodada de tarifas do governo Trump, previstas para a próxima semana.
O trigo recuou pressionado pelas perspectivas de chuva nas planícies dos EUA, com o cereal caminhando para a oitava queda em nove sessões. Há previsão de chuvas também para a Rússia
Os dados fracos de exportação dos EUA, divulgados ontem, também contribuíram para a pressão de baixa. Apesar de o cereal norte-americano estar competitivo para algumas localidades, como da África, os fretes são uma questão impedindo maiores negociações.





