Nos Estados Unidos, os principais índices futuros com operações em Nova York acumulam novas perdas na manhã desta quarta-feira, 02 de abril. Na sessão de hoje, os investidores devem permanecer em compasso de cautela enquanto aguardam por mais detalhes sobre a imposição de tarifas de importação pelos EUA, com o anúncio marcado para hoje às 17h00min do horário de Brasília. Por enquanto, persistem dúvidas significativas quanto ao que pode ser anunciado, com operadores do mercado financeiro se antecipando para um “choque” tarifário após a Casa Branca ter anunciado ontem que as medidas serão implementadas imediatamente após sua divulgação. Nesse sentido, investidores seguem atentos a possíveis pistas sobre quais países ou quais setores podem ser afetados, quais serão os valores das tarifas, como essas tarifas se relacionam com as demais que já foram anunciadas e quando elas podem entrar em vigor. Na sessão de ontem, esse contexto de incertezas parece ter surtido um efeito contraditório sobre os ativos globais. Por um lado, este cenário favoreceu o desempenho de ativos considerados “portos seguros” para momentos de insegurança e estresse, como o ouro, o franco suíço e o iene japonês, o que costuma prejudicar o desempenho do real. Por outro lado, tal tendência parece ter sido amenizada por um movimento de diversificação e diluição de riscos por investidores, que buscam reduzir a exposição de seus portfólios a ativos americanos e que tem favorecido uma busca por alguns ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de economias emergentes, como o Brasil. Adicionalmente, os investidores devem repercutir a divulgação da pesquisa da ADP sobre o emprego no setor privado dos Estados Unidos referente a março. O relatório apontou a criação de 155 mil empregos, número superior aos 84 mil registradas em fevereiro e acima da mediana das projeções, que indicava 115 mil novos postos de trabalho. O dado reforça uma leitura mais otimista sobre a saúde do mercado de trabalho norte-americano, ajudando a atenuar os receios recentes relacionados a uma possível desaceleração da economia dos EUA. Em partes, essa preocupação tem ganhado força diante de sinais iniciais de impactos adversos decorrentes das incertezas quanto à condução da política econômica pelo governo de Donald Trump. Ao mitigar esses temores, o resultado da ADP tende a reduzir as apostas em cortes de juros por parte do Federal Reserve, o que, por sua vez, contribui para a valorização do dólar em escala global. Para acompanhar as atualizações dos mercados neste dia agitado, acesse a Abertura de Câmbio.
Nos mercados asiáticos, as bolsas encerraram suas sessões com ganhos, na maioria, mas com os investidores de olho nas tarifas de Trump, que modem trazer grandes prejuízos ao comércio internacional. Na Europa, as bolsas estão mais alinhadas com o pessimismo de Wall Street, recuam à espera do tarifaço de Trump. No Brasil, o índice futuro Ibovespa opera com certa instabilidade, ora com ganhos, ora com quedas, mas sem muitas forças.
Os preços futuros da soja recuavam observados, nesta manhã, guiados pelas incertezas do mercado sobre as tarifas dos Estados Unidos, previstas para serem divulgadas na tarde desta quarta-feira, 02 de abril, mas logo apresentaram recuperação.
A soja recua da sua alta de um mês, alcançada no dia anterior, em um momento que os investidores temem que o próximo anúncio de tarifas comerciais prejudique as exportações agrícolas dos Estados Unidos.
Os futuros do milho, assim como os da soja, operam sob forças baixistas na manhã desta quarta-feira, 02 de abril. As incertezas dos investidores sobre a aplicação de novas tarifas de importação sobre as compras dos Estados Unidos é o principal fator que tem contribuído para as quedas observadas nas cotações do milho em Chicago nesta sessão.
No Brasil, o milho negociado na B3 não sofre como o de Chicago, tendo fechado a terça-feira anterior, 01 de abril, em alta. O mercado tem buscado corrigir as disparidades entre os preços físicos e futuros do cereal, com os preços do físico bem acima dos futuros.
O trigo também acompanha o movimento geral observado no mercado de grãos nesta manhã. Além das preocupações sobre as tarifas comerciais do “Dia da Libertação” de Donald Trump, que devem entrar em vigor logo após o anúncio, os investidores ainda estão atentos às condições climáticas nas Planícies do Norte, que se encontram mais secas que o normal, aumentando as preocupações com o abastecimento em meio às possíveis restrições que as tarifas de importações de trigo possam trazer no país.




