No mercado internacional, observa-se uma continuidade do declínio acentuado nas bolsas em todas as regiões: Estados Unidos, Europa, Ásia e, especificamente, no Brasil. Como explicitado no Panorama Semanal de Câmbio da última sexta, investidores temem que a intensificação generalizada e abrupta das barreiras comerciais americanas provoque um choque sobre o crescimento econômico global, prejudicando tanto os EUA como seus parceiros comerciais, em particular aqueles mais inseridos na cadeia produtiva global, como o leste asiático. Com isso, aumentam-se os temores de uma recessão econômica mundial, provocando forte aversão ao risco e impulsionando o desempenho de ativos considerados “portos seguros” para momentos de estresse e incerteza, como o ouro, o euro, o iene japonês e o franco suíço, o que tende a prejudicar o real.
Após choque causado pelo anúncio de tarifas adicionais aos produtos dos Estados Unidos, pela China, os preços futuros da soja aumentaram em Chicago, na manhã desta segunda-feira (07). Tem se observado um movimento de compras por parte de alguns dos negociantes, em busca de pechinchas antes que passe a valer a nova política tarifária de ambos os países. Esse novo status das negociações tem permitido uma recuperação tímida dos futuros da soja, que enfrentaram duras quedas ao final da última semana.
Analistas acreditam que as piores notícias já tenham passado, abrindo espaço para algumas negociações de barganha. O Brasil deve sair em vantagem nesse contexto, assumindo uma parcela do comércio de soja para a China, antes ocupado pelos EUA.
No mercado do milho, não houve incentivos como se verificou para a soja. Os futuros do grão seguem se desvalorizando ainda mais, intensificando as perdas desde a última semana. O sentimento baixista é causado pela questão tarifária que o mercado tem enfrentado desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu impor o que ele chamou de “tarifas recíprocas” às importações de seus parceiros comerciais, causando grande instabilidade econômica mundialmente.
O trigo, assim como a soja, também conseguiu se recuperar de parte das perdas acumuladas na semana anterior. No mercado do trigo, as ameaças tarifárias não são tão grandes como para outros grãos, afinal, a China já não tem assumido papel tão importante na importação do cereal estadunidense, então acabou seguindo o movimento dos seus concorrentes da semana passada.
O trigo estadunidense continua sendo um dos mais competitivos do mercado, o que mantém a expectativa de que os EUA façam novas vendas de exportação em breve.




