Nesta terça-feira (dia 22), um clima de maior aversão ao risco ainda permeia os mercados acionários ao redor do mundo, diante das críticas de Trump ao presidente do Federal Reserve (Fed) nos últimos dias, que trazem preocupações quanto à independência da autoridade monetária do país. O presidente norte-americano afirmou que se não houver uma queda dos juros imediata a economia dos EUA vai desacelerar. Diante desse cenário, destaca-se que o Dollar Index caiu ao menor nível em três anos.
Em meio a expectativas pessimistas, alimentadas também pela política tarifária de Trump, as bolsas em Nova York encerraram no vermelho ontem, refletindo no pregão da Ásia nesta terça-feira (dia 22). Os principais índices da região tiveram um comportamento misto, com queda do Nikkei em Tóquio, do Kospi em Seul, enquanto bolsas na China terminaram no campo positivo.
Nesta manhã, os índices futuros em Wall Street operam em alta, após os recuos de ontem, com o Ibovespa futuro acompanhando esse movimento. O petróleo também apresenta recuperação.
Já os principais índices acionários da Europa registram queda, com destaque para o comportamento das ações de farmacêuticas, além das preocupações com a política tarifaria do governo Trump.
Aqui no Brasil, o Banco Central divulgou o Boletim Focus, após o feriado prolongado. A estimativa do mercado para a inflação em 2025 recuou de 5,65% para 5,57% a.a., nível que, apesar da queda, continua consideravelmente acima da meta, cujo teto é de 4,5%. Já para o PIB, houve um pequeno aumento das expectativas, apostando-se num crescimento de 2% em 2025, contra 1,98% na estimativa anterior.
As cotações da soja encerraram o pregão noturno desta terça-feira (dia 22) em Chicago em alta, após a aversão ao risco que pesou sobre os mercados ontem.
Apesar de não estar apresentando grandes oscilações, a soja encontra suporte em sinais de uma demanda aquecida para esmagamento nos EUA e com os dados de exportação do país ainda não mostrando maiores impactos da política tarifária e das retaliações chinesas.
Ainda nos EUA, o início do plantio da soja está acelerado, tendo alcançado 8% no último domingo (dia 20), nível superior à média de cinco anos para o período, em 5%.
Os trabalhos acelerados no campo nos EUA pesaram sobre o milho, com as cotações encerrando o pregão noturno em baixa. O USDA reportou que 12% do plantio do cereal estava completo no domingo (dia 20), contra uma média de cinco anos em 10%.
Esse início acelerado reduz as chances de perda de janela e consequentemente de migração de última hora para a soja, aumentando as possibilidades de se confirmar a expectativa de uma área maior de milho no ciclo 25/26, tendência que poderia ser ainda mais reforçada, com ganhos de área de última hora devido a um “adiantamento” do plantio
O trigo também recuou levemente em Chicago, com movimentação técnica, com o cereal oscilando entre os níveis observados nas últimas duas semanas. As expectativas de chuvas para as planícies e a região oeste do Meio Oeste nos EUA são consideradas benéficas.
Mesmo assim, o clima deve continuar no radar, assim como o comportamento do dólar. Como ressaltado, o dólar caiu ao menor nível em três anos, situação que é favorável para o mercado exportador de trigo dos EUA.






