No cenário internacional, dados econômicos dos EUA devem orientar o comportamento dos mercados ao longo da sessão. Os indicadores de atividade econômica a serem divulgados hoje podem oferecer sinais relevantes sobre como a economia norte-americana vem reagindo ao ambiente de incerteza gerado pelas recentes mudanças na política comercial, intensificadas pelo “choque tarifário” anunciado no início de abril. O possível desempenho mais fraco dos indicadores pode reforçar preocupações entre investidores de que a elevação das barreiras comerciais americanas de forma abrupta, inconsistente e imprevisível possa resultar em uma recessão econômica no país, gerando aversão global a riscos e busca por ativos de segurança, o que tende a enfraquecer o real.
Além disso, as tensões comerciais com os EUA aumentam após elevação de tarifas sobre aço e alumínio. O agravamento das tensões comerciais globais, impulsionado pelo aumento das tarifas de importação sobre matérias-primas estratégicas, tende a deteriorar a percepção dos investidores quanto às perspectivas de crescimento da economia mundial. O endurecimento da postura comercial dos EUA tende a alimentar temores de desaceleração global e a estimular a migração de capitais para ativos mais seguros. Nesse contexto, ativos de risco, como o real, tendem a ser penalizados. Além disso, como país relevante na exportação de aço, o Brasil pode ser prejudicado pelas novas tarifas, o que intensifica a pressão sobre sua moeda. Para saber mais sobre os temas que movimentam os mercados internacionais ao longo do dia, acesse a Abertura de Câmbio.
A soja inicia a quarta-feira (04) operando no campo positivo, enquanto o mercado se alimenta de esperanças por avanços nas negociações entre os Estados Unidos e importantes importadores de grãos, como a China e o Vietnã, o que poderia impulsionar os embarques nos Estados Unidos.
No entanto, o relatório de condições de safra divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado na segunda-feira (02), segue repercutindo entre os agentes do mercado, pressionando os preços diante das avaliações satisfatórias para a safra.
Os preços futuros do milho recebem algum apoio devido à escalada dos conflitos geopolíticos na região do Mar Negro. Por outro lado, as chovas que atingiram as regiões produtoras de trigo nos Estados Unidos contribuíram para uma melhora nas condições de safra, o que se refletiu em um forte declínio nos preços do cereal em Chicago, com o contrato de julho aproximando-se das mínimas dos últimos seis meses na terça-feira (03).
Na Bolsa de Mercadorias de São Paulo, as cotações encerraram o último dia em alta, devido a um impulso gerado por correções técnicas na Bolsa de Chicago. No entanto, o aumento da oferta no mercado doméstico, com a colheita da segunda safra do milho, segue pressionando os preços.
Os preços futuros do trigo seguem sendo sustentados pelas notícias sobre uma escalada nos conflitos entre Rússia e Ucrânia, com a Ucrânia intensificando os ataques a alvos russos, o que tem levantado preocupações sobre o comércio de grãos na região do Mar Negro. No mercado do trigo, as novas tensões geopolíticas são importante fator de sustentação para as cotações, em um cenário que a melhora inesperada na avaliação das condições de safra, conforme informado pelo relatório semanal de progresso de safra do USDA, exerceu maior pressão sobre o mercado nas últimas sessões.




