No Brasil, o foco dos investidores deve recair sobre a divulgação do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas referente ao terceiro bimestre de 2025, que deve revelar diminuições no contingenciamento do orçamento federal. A possibilidade de redução no volume contingenciado pode impactar diretamente a percepção dos investidores quanto ao comprometimento do governo federal com o cumprimento da meta fiscal estabelecida para o ano pelo arcabouço fiscal. Caso a redução do contingenciamento se confirme em patamar inferior ao esperado, o anúncio poderá reforçar a percepção de comprometimento com a responsabilidade fiscal, contribuindo para a contenção dos prêmios de risco e favorecendo o desempenho do real. Por outro lado, uma flexibilização mais agressiva pode acentuar as incertezas no campo fiscal, elevando a aversão ao risco e pressionando os ativos brasileiros.
No exterior, o foco recai sobre declarações de dirigentes do Federal Reserve. Diante da ausência de eventos relevantes na agenda internacional e da relativa inatividade comercial por parte da Casa Branca nos últimos dias, os investidores observam falas de membros do Federal Reserve (Fed). As falas podem ser observadas especialmente em busca de sinais sobre o posicionamento da autoridade monetária diante dos ataques recentes à sua credibilidade por parte do presidente Donald Trump e aliados. Caso os dirigentes reforcem o compromisso com o mandato de contenção da inflação, sem indicar recuo frente às críticas, devem ampliar a leitura de que os juros permanecerão elevados por mais tempo, favorecendo o desempenho global do dólar. A expectativa é de que as falas não abordem diretamente a condução da política monetária, tendo em vista o período de silêncio adotado pelo Fed na semana que antecede as reuniões de deliberação de juros. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados globais, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja acumulam novas perdas na manhã desta terça-feira (22), enquanto agentes do mercado repercutem as previsões climáticas favoráveis para a safra que se desenvolve nos Estados Unidos. Anteriormente, havia a preocupação de que as altas temperaturas no Meio-Oeste dos Estados Unidos pudessem prejudicar a produtividade da soja em desenvolvimento no país, mas as chuvas recentes que atingiram as regiões produtoras contribuíram para aliviar as tensões do mercado.
Na tarde de ontem (21), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publicou seu relatório semanal de acompanhamento de safra, que reportou uma queda de 70% para 68% nas lavouras classificadas como boas ou excelentes.
O milho também acumula algumas perdas na manhã desta terça-feira (22), por motivos semelhantes aos que têm influenciado o mercado da soja. Antes, a preocupação de que o calor excessivo pudesse prejudicar as plantas em desenvolvimento, agora, a ocorrência das chuvas atua limitando o estresse nas lavouras.
Além disso, o USDA classificou 74% das lavouras de milho como boas ou excelentes. Trata-se da melhor avaliação para a cultura nesta época do ano desde a safra de 2016.
Os preços futuros do trigo operam em alta, agora que as primeiras levas da nova safra russa de trigo finalmente têm chegado ao mercado. A Rússia é o maior exportador global de trigo, de modo que o atraso na colheita da safra de inverno no país levantou preocupações a respeito da disponibilidade do cereal no mercado.
Embora tenham diminuído as previsões para a colheita de trigo de 2025, ainda estimam uma safra robusta, entre 88 e 90 milhões de toneladas no país.






