No cenário internacional, dados americanos devem sinalizar trajetória da economia americana. Investidores acompanham as divulgações de dados econômicos americanos, que devem ajudar a calibrar as expectativas sobre a saúde da economia do país em meio ao período de adaptação ao choque tarifário implementado pela Casa Branca no início de abril. Caso reforcem a percepção de resiliência da economia, os indicadores devem favorecer as apostas de que o Federal Reserve não deve ter pressa para realizar novos cortes de juros, o que tende a fortalecer o dólar. A balança comercial de bens registrou déficit de US$ 85 bilhões em junho, resultado ligeiramente inferior à mediana das projeções e alinhado aos níveis observados nos últimos meses. A Pesquisa de abertura de vagas e turnovers (JOLTS), é a primeira divulgação importante relacionada ao mercado de trabalho a ser divulgado nesta semana, que conta ainda com o Relatório de Emprego do Setor Privado (ADP), na quarta-feira (30), e com o Relatório de Situação de Emprego ("Payroll"), na sexta-feira (01), ambos referentes a julho. O indicador é um termômetro importante da direção da economia americana, sendo um dos primeiros indicadores de tendência divulgados para o varejo americano, um dos principais vetores de crescimento da economia.
No Brasil, governo busca negociações com a Casa Branca. Investidores monitoram as tentativas de negociação comercial do Brasil com os EUA frente à ameaça de tarifar em 50% as exportações brasileiras a partir de sexta-feira (01). Tarifas dessa magnitude podem prejudicar severamente as exportações brasileiras, visto que os EUA são, atualmente, o segundo maior destinos das exportações nacionais. Isto representaria uma redução na entrada de moeda estrangeira, o que tende a desvalorizar o real. Adicionalmente, a decisão eleva a imprevisibilidade e a percepção de riscos para investimentos em ativos brasileiros, o que afasta investimentos estrangeiros e, igualmente, tende a desvalorizar o real. Diante da dificuldade em negociar com os americanos, o Palácio do Planalto se prepara para a possibilidade de as tarifas entrarem em vigor nesta sexta. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo prepara um plano de contingência “com propostas de todo tipo” para suavizar os impactos dessa taxação. Ao mesmo tempo, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tem demonstrado que pretende equiparar qualquer aumento unilateral de tarifas com base na Lei de Reciprocidade Econômica. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados mundiais, acesse a Abertura de Câmbio.
No mercado da soja, os preços futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciam a terça-feira (29) com perdas, pressionados pelas perspectivas de grandes safras nos Estados Unidos, associadas também às previsões de condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento satisfatório dos cultivos.
Entre as previsões climáticas, espera-se um clima mais frio, com chuvas pontuais para os próximos dias no cinturão agrícola do país, o que contribui para reforçar ainda mais as expectativas de uma produtividade recorde para a soja que será colhida nos EUA para a nova safra.
No mercado do milho, o movimento observado é semelhante ao que se observa também para a soja nesta manhã, com os futuros do grão pressionados pelas expectativas de grande colheira nos Estados Unidos. As condições climáticas também contribuem para as projeções de uma produtividade recorde nesta temporada produtiva.
Além disso, a aproximação do dia 1º de agosto traz consigo novas incertezas à respeito da política comercial estadunidense, com a previsão das novas tarifas de importação passarem a valer a partir desta data.
No caso do trigo, os preços futuros do cereal negociado em Chicago também operam sob pressão, pelo segundo dia consecutivo nesta semana, devido ao aumento da oferta no mercado mundial em meio ao avanço da colheita do trigo de inverno no Hemisfério Norte, enquanto vão se consolidando as expectativas de bons rendimentos para a safra. Na Europa, onde houve uma quebra de safra na última temporada, a produtividade tem agradado os agricultores e analistas, de modo que o mercado deve voltar a ser competitivo neste ciclo comercial.






