No cenário externo, "Payroll" dos EUA de julho surpreende negativamente. O Relatório de Situação do Emprego (payroll) referente ao mês de julho mostrou criação líquida de 73 mil empregos, abaixo da expectativa mediana de 106 mil novas vagas. Mais surpreendente do que o dado de julho, entretanto, foi a revisão significativa do número de junho, que passou de 147 mil para apenas 14 mil vagas. A taxa de desemprego também apresentou piora no mês, saindo de 4,1% para 4,2%, em linha com as projeções. Ao revelar que o mercado de trabalho esteve menos aquecido do que se estimava previamente, o relatório tende a ampliar as preocupações dos investidores quanto aos efeitos imediatos das tarifas de importação sobre o nível de emprego nos Estados Unidos. Esse cenário reforça a expectativa de que o Federal Reserve possa iniciar o ciclo de cortes de juros em prazo mais curto, o que tende a enfraquecer o dólar em âmbito global e favorecer moedas de países emergentes, como o real.
Paralelamente, Casa Branca anuncia tarifas para dezenas de países. Investidores devem reagir, também, ao anúncio da noite de ontem de tarifas de importação pelos Estados Unidos para dezenas de parceiros comerciais, as alíquotas variam de 10% a 41%. Em tese, o endurecimento da postura comercial dos EUA tende a alimentar receios de uma desaceleração mais intensa tanto da economia global quanto da americana, o que, por sua vez, estimula a busca por ativos considerados “portos seguros” para momentos de estresse e tende a desvalorizar o real. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados no dia de hoje, acesse a Abertura de Câmbio.
Soja em baixa
Os preços futuros da soja iniciaram a sexta-feira (01) com novas desvalorizações na Bolsa de Chicago (CBOT), encaminhando-se para encerrar a semana com balanço negativo, pela segunda vez consecutiva. O principal motivo que tem guiado os sentimentos baixistas do mercado é o agregado de fatores como uma ampla oferta global, o clima que tem se mantido favorável para as lavouras nos Estados Unidos e, ainda, a fraca demanda chinesa que, juntos, têm criado um ambiente pouco estimulante para o mercado.
Milho em baixa
O milho também encerrou o pregão noturno desta sexta-feira (01) no campo negativo, com as expectativas de uma grande colheita nos Estados Unidos sendo fator crucial para a determinação do atual momento que o mercado enfrenta. A previsões climáticas para os próximos dias, que incluem temperaturas mais amenas e chuvas periódicas na região do Meio-Oeste, contribuem ainda mais para o aprofundamento destas expectativas.
De todo modo, os preços mais baixos atraíram maiores interesses de compra, o que se refletiu em números mais elevados para o relatório de exportações semanais divulgados ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Trigo em baixa
No mercado do trigo, o movimento dos preços é semelhante ao que se observa também para a soja e o milho, com a oferta elevada e demanda escassa criando um ambiente propício para desvalorização dos preços. O início da colheita do trigo de primavera em breve nos Estados Unidos deve intensificar as pressões que já estão sendo observadas.
Enquanto isso, na Argentina, as chuvas recentes têm contribuído para melhorar as reservas de umidade no solo, em momento em que quase toda a área de cultivo já se encontra plantada e em condições ótimas ou boas.
TABELAS E INDICADORES
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.